Ao meu ver mais uma vez a famigerada inversão de valores ataca novamente.

Filipe, se você fosse um artista e vivesse do seu trabalho, gostaria que suas músicas fossem "compartilhadas" em P2P (e a vendagem dos seus cds caísse dramaticamente)?

Se sim, ótimo. Você (ainda) é parte de uma minoria.

A questão é: como virar esse jogo? Pregando a subversão, repito, não parece o melhor caminho... E alegando que os artistas são escravos das gravadoras, muito menos.

Só uma pergunta: por que Gilberto Gil não "compartilha" suas músicas de graça na Internet?? Por que ele (e tantos outros) continua vinculado a uma grande gravadora? Decerto porque ele quer, oras. Ou seja, ao que parece os grandes artistas, ou artistas já consagrados, preferem continuar vinculados a grandes gravadoras. Por falta de dinheiro para virar o jogo é que não é.

Se alguém conseguir resolver esses dilemas, teremos avançado na questão. Se não, vamos continuar andando em círculos.

Omar


----- Original Message ----- From: Filipe Saraiva
To: Projeto Software Livre BRASIL
Sent: Wednesday, February 25, 2009 18:12
Subject: Re: [PSL-Brasil] Campanha em apoio ao The Pirate Bay


Se alguém pular o muro de casa para desfrutar da minha piscina
(metaforicamente - eu moro em um apartamento), vai sair de lá
escoltado pelos simpáticos PMs do Estado de São Paulo.

Eu ainda não entendo qual a lógica de comparações assim...


2009/2/25 Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com>

2009/2/25 aracele lima <aracelel...@yahoo.com.br>:

Não é tão simples assim. Acho que o caminho para mudar essa forma de mercado
não é a abstenção. Nos abstendo de comprar um produto como um cd, por
exemplo, acabamos por nos abster também de exigir o direito de acesso aos
bens culturais.


Mas de onde você tirou a idéia de que eu tenho algum direito de
desfrutar de um trabalho artístico sem a permissão do seu dono?

Se alguém pular o muro de casa para desfrutar da minha piscina
(metaforicamente - eu moro em um apartamento), vai sair de lá
escoltado pelos simpáticos PMs do Estado de São Paulo.

Não se tem um direito apenas porque se quer tê-lo. Não se pode violar
leis apenas porque elas são inconvenientes. Desobediência civil é uma
coisa muito mais séria do que isso - e banalizá-la dessa forma não
ajuda ninguém.


Outra coisa, é preciso lembrar que nem todos têm acesso a internet como você
e de que também nem todos preferem ouvir músicas através dela.


A distorção aqui está na noção de que a vontade de se ter alguma coisa
traz o direito a ela.

A palavra final sobre o destino de uma obra é do seu criador e de mais
ninguém. Ou de quem quer que seja aquele para quem o artista vendeu
esses direitos.

Quanto à cabeça-dura das gravadoras e estúdios, não é por burrice. O
que elas querem é alguma forma de "imposto sobre largura de banda" a
ser distribuído entre elas. E o download indiscriminado só fortalece a
tese delas de que isso é necessário.

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