Olha amigos,

na boa, eu tô achando essa discussão super conservadora e ,as vezes,
moralista.
Acho que temos no Brasil uma parte da comunidade software livre que é
conservadora e, finalmente, assume essa posição publicamente.
Mas é bom ver tudo isso bem explícito  e claro.
Acho que não vamos fazer nenhuma síntese, ou chegarmos a um ponto comum.
Pelo menos comigo.
Temos divergências de fundo sobre vários valores e estamos apontando,
nas nossas defesas, a construção de mundos diferentes.
Não tenho como somar esforços comuns na rede com quem defende a
criminalização do ato de baixar conteúdos protegidos por copyright, ou a
ilegalização do download, ou de controle do P2P... ou outras coisas do
mesmo gênero. Tô do outro lado...do lado de quem baixa para uso pessoal,
de quem estimula o compartilhamento P2P, sem fins lucrativo, de qualquer
conteúdo cultural ou formativo. Do lado do conhecimento livre.

Agora só vou acompanhar o debate pq  não está me acrescentando muita
coisa... ouvir os mesmos argumentos conservadores, repetidas vezes, e
como se fossem verdades absolutas. 

boa noite

Marcelo


Em Qua, 2009-02-25 às 18:32 -0300, Omar Kaminski escreveu:

> Ao meu ver mais uma vez a famigerada inversão de valores ataca novamente.
> 
> Filipe, se você fosse um artista e vivesse do seu trabalho, gostaria que 
> suas músicas fossem "compartilhadas" em P2P (e a vendagem dos seus cds 
> caísse dramaticamente)?
> 
> Se sim, ótimo. Você (ainda) é parte de uma minoria.
> 
> A questão é: como virar esse jogo? Pregando a subversão, repito, não parece 
> o melhor caminho... E alegando que os artistas são escravos das gravadoras, 
> muito menos.
> 
> Só uma pergunta: por que Gilberto Gil não "compartilha" suas músicas de 
> graça na Internet?? Por que ele (e tantos outros) continua vinculado a uma 
> grande gravadora? Decerto porque ele quer, oras. Ou seja, ao que parece os 
> grandes artistas, ou artistas já consagrados, preferem continuar vinculados 
> a grandes gravadoras. Por falta de dinheiro para virar o jogo é que não é.
> 
> Se alguém conseguir resolver esses dilemas, teremos avançado na questão. Se 
> não, vamos continuar andando em círculos.
> 
> Omar
> 
> 
> ----- Original Message ----- 
> From: Filipe Saraiva
> To: Projeto Software Livre BRASIL
> Sent: Wednesday, February 25, 2009 18:12
> Subject: Re: [PSL-Brasil] Campanha em apoio ao The Pirate Bay
> 
> 
> Se alguém pular o muro de casa para desfrutar da minha piscina
> (metaforicamente - eu moro em um apartamento), vai sair de lá
> escoltado pelos simpáticos PMs do Estado de São Paulo.
> 
> Eu ainda não entendo qual a lógica de comparações assim...
> 
> 
> 2009/2/25 Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com>
> 
> 2009/2/25 aracele lima <aracelel...@yahoo.com.br>:
> 
> > Não é tão simples assim. Acho que o caminho para mudar essa forma de 
> > mercado
> > não é a abstenção. Nos abstendo de comprar um produto como um cd, por
> > exemplo, acabamos por nos abster também de exigir o direito de acesso aos
> > bens culturais.
> 
> 
> Mas de onde você tirou a idéia de que eu tenho algum direito de
> desfrutar de um trabalho artístico sem a permissão do seu dono?
> 
> Se alguém pular o muro de casa para desfrutar da minha piscina
> (metaforicamente - eu moro em um apartamento), vai sair de lá
> escoltado pelos simpáticos PMs do Estado de São Paulo.
> 
> Não se tem um direito apenas porque se quer tê-lo. Não se pode violar
> leis apenas porque elas são inconvenientes. Desobediência civil é uma
> coisa muito mais séria do que isso - e banalizá-la dessa forma não
> ajuda ninguém.
> 
> 
> > Outra coisa, é preciso lembrar que nem todos têm acesso a internet como 
> > você
> > e de que também nem todos preferem ouvir músicas através dela.
> 
> 
> A distorção aqui está na noção de que a vontade de se ter alguma coisa
> traz o direito a ela.
> 
> A palavra final sobre o destino de uma obra é do seu criador e de mais
> ninguém. Ou de quem quer que seja aquele para quem o artista vendeu
> esses direitos.
> 
> Quanto à cabeça-dura das gravadoras e estúdios, não é por burrice. O
> que elas querem é alguma forma de "imposto sobre largura de banda" a
> ser distribuído entre elas. E o download indiscriminado só fortalece a
> tese delas de que isso é necessário.
> 
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Marcelo D'Elia Branco 

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