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---------- Forwarded message ----------
From: Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com>
Date: 2009/2/26
Subject: Re: [PSL-Brasil] Campanha em apoio ao The Pirate Bay
To: Alexandre Oliva <lxol...@fsfla.org>


2009/2/25 Alexandre Oliva <lxol...@fsfla.org>:
> On Feb 25, 2009, Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com> wrote:
>
>> Claro que faz. É meu projeto. [de móveis]
>
> E como é que você remunera os criadores dos projetos nos quais você se
> baseou?
>
> Porque, tipo assim, você não desenvolveu seu projeto do zero.  Já faziam
> cadeiras antes.  Mesas também.  Já faziam pernas para sustentá-las.  Já
> faziam assentos, encostos, com vários níveis de ergonomia.

É por isso que patentes valem por um determinado período. Direito
autoral, idem. Se meu trabalho é suficientemente diferente daqueles em
que eu me baseei, eu também não devo nada a eles. Se for uma melhoria
incremental, eles merecem ser remunerados.

> Já pensou se o último sobrevivente da linhagem do "projetista" da
> primeira cadeira encontrada em registros fósseis no planeta vier cobrar
> de você por todas as cadeiras que você já vendeu?

Acho que, por qualquer jurisdição do planeta, o direito dele já deve
ter expirado.

> Ou o descendente não teria direito à "remuneração" pelo trabalho de seus
> antepassados?

Acho que aqui no Brasil é por 50 anos depois da morte do autor. Nos
EUA, graças ao Mickey Mouse, vai mais longe.

>> É justo eu passar, por exemplo, anos
>> fabricando cadeiras e mais cadeiras até chegar naquela que é perfeita
>> em todos os sentidos - confortável, leve, fácil de fabricar, barata -
>> para que um mané qualquer faça cópias dela sem ter gasto um único
>> minuto descobrindo o que eu levei anos para descobrir?
>
> Você está colocando um monte de atributos nesse seu projeto de cadeira
> que talvez o tornassem especial o suficiente para ser digno de
> tratamento especial.
>
> Mas vale o mesmo raciocínio pra uma cadeira normalzinha, dessas que você
> anida fabrica e vende baratinho, que você também baseou fortemente em
> projetos que viu antes?  Ou nesse caso você deverá toda a sua receita
> pro autor do projeto original, e o trabalho que você teve fabricando as
> cadeiras não merece remuneração?

Defina "normalzinha". Se eu fizer uma cadeira "normalzinha" e não
tiver investido mais do que uma tarde improdutiva de elocubrações nem
resolvido nenhum dos problemas fundamentais das cadeiras, eu acredito
que meu projeto não esteja protegido por qualquer mecanismo. Invenções
óbvias não podem ser patenteadas.

>> Ninguém mais vai fabricar móveis com o meu projeto. Quem quiser fazer
>> móveis, que projete os próprios.
>
> Quero ver você fazer projetos que não sejam baseados em nada que outra
> pessoa tenha criado.  Quero ver você remunerar *todos* os projetistas
> nos quais você se baseou, não importa há quanto tempo eles existam.

De novo, existe a limitação temporal para patentes. Elas expiram.

> Se você não fizer isso, seu discurso não passa de racionalização
> hipócrita de egoísmo anti-social.

Não. Se baseia na razão. Acuse-me de ser racional, então.

> O que eu não consigo entender é o que faz você no meio do Software
> Livre, ainda mais defendendo que direito autoral e licenças são mais
> importantes que as liberdades que motivaram o movimento.

E eu não entendo o que você faz por aqui pregando a desobediência às
leis e questionando a validade do mecanismo de sustentação de todas as
licenças que seu software usa. Sua postura pública de desrespeito aos
direitos de autor é incompatível, não com a liberdade, mas com a
civilidade e o estado de direito no qual ela precisa estar baseada.


--
Ricardo Bánffy
http://www.dieblinkenlights.com



-- 
Ricardo Bánffy
http://www.dieblinkenlights.com
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