Oi Ricardo,

Em Seg, 2009-03-02 às 19:47 -0300, Ricardo Bánffy escreveu:

> Já me manifestei publicamente aqui contra a condenação também.

ótimo, neste caso estamos juntos..



> Me incomodou profundamente a postura de figuras importantes no nosso
> ambiente contra um valor que eu considero fundamental: o direito do
> criador de poder decidir o destino de sua obra.


é uma questão de interpretação.
Quando um criador, no modelo  industrial, distribuía através de uma
gravadora as cópias do seu vinil em uma loja e esta cópia em vinil era
distribuída (emprestada) para várias outras pessoas além do comprador
original, ele também não tinha o controle do destino da sua obra. Nem
sabia quem era o primeiro comprador, nem tinha controle sobre o número
de cópias que a gravadora distribuía (tu lembras da luta do Lobão nos
anos 80?)
Quando alguém fazia uma (ou várias) cópia em K7 o autor, da mesma forma,
não tinha o controle do destino da sua obra.


>  Copiar e distribuir em
> escala planetária o que o criador prefere que não seja livremente
> distribuído é errado na minha opinião, independente da interpretação
> que você e mais alguns querem dar às leis que deveriam proteger esse
> direito fundamental do criador. Copiar para um amigo como um presente,
> o gesto de apresentar a beleza a outra pessoa, é uma coisa, mas para
> 30, 300 ou 3000 pessoas que eu nunca vi nem nunca vou ver, é
> diferente. Você se recusa a entender isso.


Nos casos que citei acima o autor nunca sabia, nem poderia saber, a quem
as cópias vendidas em lojas e depois distribuídas chegariam.
No caso das cópias que fazíamos  em K7, da mesma forma: o autor jamais
sabia quem tinha as cópias e nem tinha controle sobre quem iria escutar
e como seriam distribuídas as cópias...nem controle de quantas cópias.



> É sim uma postura ideológica, "legalista" como você disse em outra
> mensagem. Se ser legalista é ofensa para alguns, não o é pra mim. Eu
> gosto bastante de leis. Elas podem estar erradas, mas, felizmente, há
> outras leis que dizem exatamente o que precisamos fazer para mudar as
> leis erradas.


ok, respeito a tua opinião...


>  É importante cuidar bem delas, para que não sejam
> subvertidas e virem variantes da Lei de Gérson.


Claro que não. Concordo plenamente contigo neste aspecto negativo da
desobediência a leis que protegem os direitos básicos dos cidadãos. Mas
nem tudo é absoluto.
Em momentos de transição, muitas vezes leis antigas precisam ser
reinterpretadas ou até passar por movimentos de desobediência civil para
que a sociedade avance. Sempre ocorreu isso na história da humanidade.


>  Gosto das leis até
> mesmo porque, na ausência delas costuma vigorar a lei do mais forte.

De acordo. As leis não podem estar apenas ao lado dos mais fortes e nem
os mais fortes tem o direito de desrespeitar as leis. Isso seria uma
situação indesejável numa sociedade democrática.
Mas é que, o mais forte no nosso caso discutido,  são as
gravadoras/editoras que impuseram um modelo de negócios e de proteção da
PI injusto para a grande maioria dos criadores...e se apropriaram
indevidamente dos direitos dos autores.
Os mais fracos, neste modelo antigo, foram os criadores que entregaram
seus direitos as gravadoras/editoras e  o grande público que ficou
privado de usufruir bens culturais a valores acessíveis ou de forma
universal. No modelo anterior (vigente) vigora (va) a "lei do mais
forte": a lei das grandes gravadoras e das grandes editoras em
detrimento dos criadores e do público.

Tanto é que, é MUITO raro vermos artistas e criadores dando declarações
no sentido de endurecer as leis contra o P2P, criminalizar atitudes de
compartilhamento ou favorável a criar filtros e controles na Internet.
Estas iniciativas sempre vêm dos mais fortes, daqueles que "piratearam"
os direitos dos autores no século XX...vieram das grandes gravadoras,
das grande editoras ou das sociedades (máfias)  de arrecadação como o
ECAD ou SGAE na Espanha.



> Essa, junto da de Gérson, é uma das poucas que eu detesto.


eu também concordo contigo: sou contra a lei do Gérson e contra a lei do
mais forte.

respeito a tua opinião.

abraços

Marcelo



> 
> 2009/3/2 Marcelo Branco <marc...@softwarelivre.org>:
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