Em 06/03/09, Jean Sestrem<j...@cidadelivre.org> escreveu:
> Se querem um exímio defensor da criatividade, do artista criativo e de
> suas obras, verão em mim se dúvida alguma.

<sarcasmo>Lá vem mais um herói.</sarcasmo> Acredito que temos aqui
vários defensores, cada um com sua visão. E cada visão congruindo vez
ou outra com a dos outros.

> Tenho acompanhado as extensas
> discussões na internet pelo mundo todo em relação a downloads de músicas
> pela grande rede.

<sarcamos>Um doutorando. :-D</sarcasmo>

> Equivocadamente as pessoas insistem em misturar arte
> com meios de produção digital. Arte é fim, software é meio. Essa é minha
> posição e explico.

Software pode ser um meio, mas também é fim.

> Um artista criativo seja qual for o nível de sua criação, sempre a
> finaliza. Toda a arte tem um fim.

Todo software também.

> Um software é uma fórmula matemática
> de se resolver um problema, automatiza-lo e disponibilizar um meio ao
> operador de agilizar ou processar informações.

Software não é só isso. Desenvolver um software é muito mais bacana do
que apenas uma fórmula matemática. Se fosse só isso, automatizávamos a
parte de criar fórmulas e nunca mais precisaríamos de pessoas para
isso. Pode ver que, como nenhum artista pinta um cenário igual ao
outro, nenhum programador resolve um problema do mesmo jeito do outro.
Senão, para que teríamos tantos softwares para resolver o mesmo
problema? Bastaria 1 para cada problema...

> Arte não tem nada haver com isso.

Um pintura pode ser apenas uma pintura, sem sequer ter criatividade
nisso, mera representação do cenário que está à frente, ou até mesmo
mera cópia de outra. Da mesma forma que software pode ser apenas o
meio, no que você disse, a "arte" pode não ter nada de criativo,
exceto o fato de alguém que quer fazer alguma coisa.

O software é fruto de um raciocínio, de uma lógica, mas também de um
fator criativo, de uma necessidade de um ser humano se expressar,
software é também expressão da vontade humana, e surge para muito mais
do que apenas ser meio para processamento de informações. Essa é uma
visão limitadíssima do que é o software. Você está colocando apenas
uma visão técnica, como se quem desenvolvesse software fosse um mero
técnico (aliás, visão da maioria, pelo que já vi, até Stallman acha
Torvalds um mero técnico...), como o são os artesões que produzem
"arte" em lote, para exportação, bonequinhos de cerâmica de kilo para
vender para turistas. Se for para comparar dessa forma torpe, melhor
não comparar, porque os artesões acima citados não passam de técnicos
que repetem os mesmos movimentos o tempo todo para chegar no mesmo
resultado, mesmo sendo cada obra um pouco diferente da outra.

Há arte no desenvolvimento de Softwares, antigamente quando não havia
flash (por exemplo), havia arte em pequenos softwares que criavam
animações, feitas diretamente em código. Código feito na mão, no
braço, como a argila é modelada na mão, no braço.

> A internet é um grande software que resolveu o problema de
> intercomunicação global democrático e eficiente.

Essa doeu só em mim ou em mais alguém? Internet, um grande software, é
uma visão limitadíssima! No máximo você poderia chamar de sistema...
Ou seja, um grande conjunto de software E HARDWARE. Quanto ao
democrático esse é o fator humano, e quanto a eficiente, esse é o
fator técnico. Sem o software e o hardware, não haveria eficiência.

> E programas foram
> desenvolvidos para que as pessoas conseguissem remover das mídias
> arquivos criados artisticamente.

Você não vê a arte, a genialidade humana, a expressão de "EU QUERO
ASSIM" que isso dá? Só porque não é um livro onde você chora, não
significa que alguém não chorou quando conseguiu isso.

> Ai que mora o perigo, a interpretação que se dá ao se distribuir esses
> arquivos criados artisticamente e finalizados dá a interface de arte ao
> arquivo, o que é a mais pura verdade sim.

Não apenas os arquivos de extração de arte (acho que é assim que você
deve estar chamando, pelo que li até agora), mas todos os outros
também, ou seja, softwares proprietários, por exemplo.

> Se, queremos ser livres
> devemos buscar nas discussões a justiça nos conceitos e valores da nossa
> sociedade e respeita-los afim de que sejamos justos e coerentes com
> aquilo que defendemos.

Fato, mas o que cada um defende aqui é sempre um pouco diferente do
que o outro propôs, e nunca chegamos a um concenso...

> Outra coisa que devemos estar atentos é com a forma de punição a
> pirataria que o mundo quer nos impor. É um criminoso quem baixa? Ou quem
> distribui?

Segundo o que se discutiu até o momento, seria quem distribui visando
lucro... Quem dá a cópia não seria criminoso, nem quem recebe a cópia
(até aqui, é o que se tira do que o Oliva e a Fabianne falaram - e de
um trecho da lei que menciona a cópia para uso individual), até porque
quem copia é o software e não a pessoa (argumento do Marcelo, que
sinceramente, eu não engoli)... Doidera, mas o que se tirou da
discussão foi isso, pelo menos no que vimos como visão geral da lista,
já que só eu, Banffy e Kaminski aparecemos defendendo uma posição em
contrária, e acusados de ser conservadores por querer que se sigam as
leis como estão (só que ninguém entendeu ou quis ver que não queremos
manter as leis como estão, apenas não achamos que quebrar as leis é o
que muda as leis, o que muda as leis, são pessoas e ações em prol da
mudança da lei, e não simplesmente ignorá-las).

> Pelas licenças que conheço que tratam de software por exemplo, elas
> sempre tratam de distribuição como forma de responsabilidade civil e
> criminal. Mas as instituições vem à algum tempo estudando uma forma de
> punir quem faz a baixa do arquivo. Um erro grosseiro quem detona um
> exagero tal, que seria impossível controlar tamanha demanda por um mundo
> que mal se fala dada a diferença imensa de idiomas e Leis, conceitos e
> valores.

E essa é a beleza do software: o conjunto das informações binárias que
o compõem, rodam para mim, para você, para o chinezinho lá do outro
lado do mundo, como o quadro também enche os olhos de nós três (e quem
mais ver o quadro).

As licenças que citam estão seguindo as leis atuais, o que se deve
fazer é rever as leis atuais. Mas essas leis são tratados
internacionais, ou seja, querem mudar as leis? Vamos na ONU.

> Acredito numa linguagem, na linguagem da arte, do ser criativo, dotado
> de dons mais desenvolvidos do que outro. Sou a favor dos direitos
> autorais para arte final, não para meios de produção.

Eu acredito na linguagem PHP. E considero o que faço expressão do meu
subjetivo. Até onde saiba, essa é a mesma definição de arte... E se me
disser que a minha arte se limita na linguagem, também o fazem os
livros, que precisam ser traduzidos, e meu software, também pode ser
traduzido para Java, ASP, limitados claro, à linguagem e recursos da
mesma... o mesmo que acontece com a obra de Platão e Aristóteles ao
traduzir do grego para o português, ou com Freud ao traduzir do alemão
para o português: perde-se onde não há recurso na outra linguagem.

> O problema é que muitos interesses orbitam o mundo dos meios, talvez nem
> estejam preocupados com os fins criativos e surpreendentes de nosso
> artistas pelo globo afora, os meios são mais lucrativos pois tem uma
> seqüência de desenvolvimento constante e o que é pior e mais criminoso
> do que a pirataria ao meu modo de ver, a dependência.

Concordo que a forma como os artistas são explorados é um grande
problema, mas não acho que "os intermediários" se preocupem com o
meio, o que eles realmente se preocupam é com o deixar de pagar a
eles. Se você comprar pirata, mas pagar os direitos a eles depois,
duvido que te mandem uma cópia novinha...

> Enquanto nossa sociedade não impor aos governantes e legisladores que
> deve-se separar arte final de meios de produção, essa discussão não vai
> terminar nunca, e continuaremos pagando pelos nossos erros sempre.

AEHHHH!!!! Concordo 100%.

> O problemas é que as próprias leis fazem com que um erro cometido não se
> pode voltar atrás e o erro persevera vida a dentro pois se voltar atrás
> geraria outros direitos indenizatórios ainda mais caros por erros que já
> vivem a muito tempo nas próprias normas jurídicas equivocadas.

Ou seja, rodou, rodou e mordeu o próprio rabo. É o que se chama ciclo
vicioso, ou erro de base, pela base estar errada, todo o resto fica
torto.

> As normas como os softwares produzem em sua história de vida um acúmulo
> de equívocos e prejuízos que a vaidade humana jamais poderá assumir e
> continuam fazendo leis pra corrigir leis que continuam existindo e
> gerando mais prejuízos e atendendo menores grupos de interesses.

...

> Viva a arte, ela diverte, estimula, evoca nosso lado humano. Mas para
> acessa-la precisamos muito dos meios de produção, que sejam
> igualitários, democráticos e cada vez mais eficientes.

Viva! Desde que você lembre-se que arte é expressão do humano, e o
humano se expressa das mais diversas formas. Caso contrário, queimem
todas as obras primas, e veja o que sobra da arte... A arte sem o
meio, não é nada além de uma idéia na cabeça de alguém...

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Pablo Santiago Sánchez
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