Tá.

Deixa ver se eu entendo.

Você está me chamando de neoliberal.

Não acho que seja o caso.

Você também parece achar que eu confundo política industrial com
excesso regulamentação sobre uma iniciativa privada existente. Eu não
tenho nada contra incentivos governamentais ao desenvolvimento de
setores específicos. Usualmente eles estimulam, inclusive, a
competição de que eu gosto tanto. O que eu não gosto é o excesso de
regulamentação, como nos países socialistas do leste europeu que, a
despeito do que você parece acreditar, não eram um exemplo de
modernidade. Planos quinquenais não são, exatamente, modelos de
agilidade. São, na verdade, a exemplos típicos do excesso de
intervenção (ou "direcionamento", como querem os da velha-guarda) com
o qual governos conseguem arruinar setores inteiros.

Não que isso seja completamente inútil. Esse tipo de coisa funciona
bem por um certo tempo em lugares devastados. Funcionou na antiga
União Soviética, que estava mais ou menos na idade do bronze quando da
revolução comunista e funcionou na Europa devastada pela segunda
guerra mundial. Eu duvido que funcione hoje em dia, sobretudo em uma
indústria tão ágil como a nossa. O máximo que eu me arrisco a pregar é
o incentivo ao investimento local dos recursos de governo, por uma
questão de desenvolvimento, e o uso de padrões abertos por questões de
transparência e continuidade e em cuidadosas intervenções (muito
cuidadosas) quando um mercado corre o risco de ser monopolizado.

Mas mesmo as políticas industriais precisam ser usadas com muito
cuidado porque pode ter consequências inesperadas. O exemplo que me
vem à cabeça é o caso do JESSI, na Europa dos anos 80 (acho), que
tinha por objetivo reduzir a vantagem americana e japonesa sobre a
insústria européia de semicondutores. Uma das ações foi alocar
segmentos a companhias específicas. O resultado foi devastador para a
indústria de semicondutores européia e as barreiras protecionistas que
se seguiram a essa devastação acabaram em seguida com então viva
indústria de computadores pessoais europeus. E destruir não uma, mas
duas indústrias usando ajuda governamental, custou uns poucos bilhões
de dólares.

A propósito, liberais de verdade acham que quebradeiras são fatos da
vida. São como os incêndios que acontecem todo ano em florestas
temperadas e que queimam o excesso de folhas secas e outros resíduos
inflamáveis que se acumulam no solo. Esses incêndios cumprem um papel
importante de renovação das florestas assim como as quebradeiras
cumprem um papel importante nas economias - os fracos, os inadequados
e os que investiram em CDSs precisam queimar para que a economia
continue saudável.

Dói, é verdade. Mas lembrem-se que ninguém destruiu nenhuma fábrica
por causa disso. A nossa capacidade de produzir riquezas continua
exatamente como estava antes - apenas o valor que dávamos a algumas
coisas mudou.

A intervenção do Estado para evitar dolorosos reajustes assim é
comparável à intervenção humana na supressão dos incêndios em
florestas. O resultado de se impedir que os incêndios pequenos ocorram
é permitir o acúmulo de material inflamável até chegarmos ao ponto em
que, uma vez começado, o incêndio não pode mais ser controlado e
assume proporções catastóficas.

Nada é tão simples como parece à primeira vista

2009/4/14 Marcelo Branco <marc...@softwarelivre.org>:
> Em Ter, 2009-04-14 às 14:48 -0300, Ricardo Bánffy escreveu:
>
> Me mostre um exemplo de governo que conseguiu fomentar uma indústria
> criando mais regulamentação.
>
> toda europa pós-guerra (isso no lado ocidental...Nem vou falar das economias
> de Estado do chamado ex-bloco-socialista)
> até o governo norte-americano, em todos os tempos... até que chegou "era
> neoliberal" capitaneados por Ronald Reagan/Margaret Teacher....e depois deu
> no que deu.
>
> isso chama-se política industrial, políticas públicas para o
> desenvolvimento...e é diferente de isenção de impostos ou coisas do tipo
> pleiteadas pelos neoliberais http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo de
> plantão.
>
> nos marcos do capitalismo contemporâneo, os kenesianos
> http://pt.wikipedia.org/wiki/Keynesianismo tiveram muito mais êxitos em suas
> políticas econômicas do que os neoliberais. Basta acompanhar a história...
>
> Os neoliberais só foram vencedores sob ponto de vista da ideologia nestes
> últimos 20 picos anos. Seus valores e palavrórios viraram uma linguagem
> comum, repetida várias vezes pelos capitalistas e pelos seguidores desta
> ideologia...mesmo nos países periféricos como o Brasil e outros do chamado
> terceiro mundo (vide a era FHC) essa ideologia se propagou.
> Mas na prática, a teoria neoliberal (aquela da mão invisível do Estado), se
> revelou um grande fracasso em todos os lugares...culminando agora com a
> quebradeira geral que estamos a sofrer nas nossas costas.
>
> Mas como a cooptação ideológica do neoliberalismo  foi tão grande, ainda
> exite pessoas no planeta terra (cada vez menos)  que continuam repetindo o
> palavrório e os valores  neoliberais como receita.
>
>
>  Me mostre um período de prosperidade que
> tenha sido causado pela regulamentação de um mercado.
>
> acompanhe  a história....
>
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