Ricardo Bánffy escreveu:
> Você está dizendo que bancos comandam o narcotráfico? Em que filme
> ruim você vive?

A movimentação de dinheiro sujo é mais lucrativa que a de dinheiro
limpo, pela possibilidade do prestador embutir no preço do serviço
garantias paralegais ao cliente, garantias de que o cliente não vai ter
a grana confiscada pela ação fiscal de estados bisbilhoteiros no
caminho. Esse tipo de garantia só pode ter lastro em tráfego de
influência, pois não pode ser legal. Serviço e garantia serão, portanto,
ambos paralegais, e portanto caros (e lucrativos para quem os vende).

É claro que ninguém lerá nem verá sobre isso em Veja, Globo ou
congêneres, pois a eficácia de qualquer negócio envolvendo garantias
desse tipo deve incluir a imagem de sua implausibilidade frente à
opinião pública. Pois caso contrário o preço de cooptação dos aparelhos
de estado sairia do controle, e junto com ele a lucratividade do
negócio. Em juridiquês anglo-saxão, esta imagem se chama 'plausible
deniability'.

Tais coisas só aparecem, portanto, na mídia corportativa como
toerias-da-conspiração doentias na mente de paranóicos de plantão, ou
raramente, como fato, quando algum acordo é catastroficamente desfeito
(dissipando, assim, o risco de retaliação contra corporações midiáticas
representados por grandes atores envolvidos que transitam entre a
legalidade e a paralegalidade, e que podem incluir em qualquer delas
contas publicitárias).

Para aparições destas coisas através da investigação de seus rastros,
portanto, como teorias lógicas plausíveis na mente de quem sabe manusear
a lógica da ética utilitarista (a que busca responder questões do tipo
'quem poderia lucrar com isso, quanto, como, e a que custo?'), há que se
recorrer a fontes alternativas, não a fontes corportativas. Fontes
alternativas felizmente ainda existem, estão ao alcance na Internet,
pelo menos enquanto o cerco semiológico que a mesma está sofrendo -- via
ACTA, lei azeredo e congeneres -- não se completar.

A questão de dar ou não credibilidade a este ou aquele tipo de fonte já
é de outra natureza. É uma questão de fé ou de ideologia. Para se
decidir questões de fé ou de ideologia de forma não totalmente
dogmática, é necessário buscar conhecer alternativas. Que o Banffy não
estaria disposto a fazer isto (buscá-las), já se pode inferir da 'volta'
que fez, ao tomar "estar relacionado a", na mensagem que responde, como
equivalente a "comandar", no desafio cético que compõe em sua resposta.

Entretanto, para o caso dele mudar de idéia (a respeito de buscar
conhecer fontes alternativas de informação), ou para demais listeiros
porventura dispostos a conhecê-las, respondo incluindo fontes
alternativas que poderiam embasar a tese, por ele criticada, sobre o
plausível *envolvimento* (não necessariamente controle, pois "plausible
deniability" neste caso é útil e necessário) de megabancos em lavagem de
dinheiro do narcotráfico (que anda junto com o de tráfego humano e de
armas), sugiro pelo menos tres:

http://www.mikeruppert.blogspot.com/
http://www.waynemadsenreport.com/
http://solari.com/

A tempo: o filme ruim em que eu que vivo se chama vida social contemporânea.
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prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende /\
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