Claro que não. Não tenho a menor idéia de como as leis de Honduras são
no que se trata de um presidente que passa por cima da lei, mas eu
penso que deveria haver um método melhor de resolver o problema do que
um golpe militar e o exílio do péssimo presidente (que aparentemene
esqueceu que ele não é o cargo que ocupa e que o mandato dele não é
nem mais nem menos legítimo do que os dos representantes no
legislativo).

Também não tenho idéia - e duvido que alguém na lista tenha - de quem
é o novo presidente interino e se ele vai ou não cumprir a palavra de
que presidirá sobre as próximas eleições e entregará a presidência ao
candidao eleito nelas. De qualquer modo remover um presidente que
provoca uma crise institucional como essa parece ser o mais seguro a
se fazer - lembre-se de que ele simplesmente passou por cima do
congresso e tentou assumir o controle das forças armadas quando seu
ministro da defesa se insubordinou contra o que me parece uma ordem
ilegal - e na ausência de um vice-presidente (é uma boa pergunta -
onde está o vice?) parece coerente que o líder do legislativo assuma a
presidência até o final do mandato. Aqui é assim. E parece ter sido
mais ou menos isso o que aconteceu. Pessimamente conduzido, verdade,
mas, ainda assim, estranhamente parecido com o que eu esperaria que
acontecesse.

É meio cedo pra emitir julgamentos. E ameaças, como a de Chávez, só
servem para aumentar o risco de uma ruptura institucional ainda maior.
Da minha parte, acho tudo isso muito interessante - é um teste para
Honduras e suas (frágeis?) instituições - e não temos muito mais o que
fazer além de protestar, esbravejar e nos chamarmos de fascistas e
hipócritas. A menos que os mais exaltados estejam dispostos a pegar em
armas e entrar ilegalmente em Honduras. Não vou impedí-los.

Saberemos mais na quinta.

E quanto a eu defender a letra da lei, é bem por aí que tem que ser.
Se começarmos a tentar seguir as leis conforme nós as interpretarmos
em conflito com a palavra delas, bem... isso abre uns precedentes
muito ruins. Melhor corrigir a letra errada do que piorar o erro
colocando interpretações de ocasião por cima da base frágil. Somos
humanos e falíveis e não precisamos desse tipo de tentação.

2009/6/30 Alexandre Oliva <lxol...@fsfla.org>:
> On Jun 30, 2009, Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com> wrote:
>
>> É muito claro que ele não deveria ter sido expulso do país, mas é
>> igualmente claro que, se havia uma lei proibindo o plebiscito e ela
>> foi ignorada pelo presidente, ele provocou uma crise institucional
>> seríssima.
>
> E a forma que você está defendendo para colocar as coisas nos trilhos é
> um golpe militar.  Por acaso essa é a solução especificada nas leis
> daquele país?  Ou será que há algum processo dentro da lei que deveria
> ter sido seguido?
>
> (As perguntas estão baseadas no meu entendimento de que você, legalista
> que é, tende a privilegiar a letra da lei, mesmo quando ela entre em
> conflito com o que é moralmente correto)
>
> Ou você está dizendo que um erro justifica outro?
>
> --
> Alexandre Oliva, freedom fighter    http://FSFLA.org/~lxoliva/
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