2009/10/23 Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com>:
> 2009/10/23 Pedro A.D.Rezende <preze...@unb.br>:
>> A democracia representativa (a moderna) tem suas vulnerabilidades, que
>> fazem com que sua implementação possa se distanciar da teoria; e era
>> disso que estava falando, pois o contexto do meu post era aquele da msg
>> a qual eu comentava, que dava a entender que nos dias de hoje se pratica
>> a democracia tal e qual na teoria, ou tal e qual na democracia
>> participativa originária da Grécia antiga, quando não é.
>
> Aquela em que cidadãos votavam, mas não suas esposas e escravos? ;-)
>
> Não vamos idealizar o passado. Andamos muito em direções certas desde
> então. Podíamos ter ido mais longe e feito melhor, claro. Em
> retrospecto, os erros ficam sempre bem mais óbvios.
>
> O que os faz um tanto quanto dolorosos de se ver repetidos.

A questão não é voltarmos a fazer democracia à grega, e sim perceber
que, no sistema atual de democracia representativa, o interesse da
população não é representado *de fato*. Apareceu esta semana uma
reportagem no Jornal da Globo mostrando sobre os profissionais do
lobby que atuam no Congresso Nacional. Comentou sobre a eterna
presença deles nos salões das duas Casas, a ponto de fazer
corredor-polonês com os parlamentares para forçá-los a votarem com
direcionamentos específicos em certos projetos de lei. Também, segundo
a reportagem, os lobistas costumam representar os interesses de
indústrias e organizações sociais, manipulando os parlamentares com
presentes, viagens e outros mimos. O lobby está tão forte no CN que
mostraram Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, falando
que apoia um projeto para regulamentar a atuação dos lobistas.

Deu-se a entender na reportagem que um representante de uma indústria
tem mais poder para influenciar um deputado que os eleitores do mesmo.
Isso é uma sabotagem da ideia de democracia representativa, e acontece
tão cotidianamente que ninguém na mídia pergunta se essa pressão sobre
o parlamentar é justa ou ética.

Não deve ser impossível pensar numa gestão de governo em que o
interesse da maioria da população seja de fato aceito, ainda mais com
os avanços da informática que permitam fazer isso. O que o Pedro quis
dizer é: se a democracia representativa não representa *de fato* os
anseios da maioria da população, então não é uma democracia. Pode ser
qualquer outra forma de governo, mas o governo da maior parcela do
povo, não.

Aqui o link para a notícia do Jornal da Globo:

http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1350264-16021,00-OS+PROJETOS+PARA+REGULAMENTAR+O+LOBBY+NO+BRASIL+E+A+PROFISSAO+LOBISTA+NOS+E.html

Abraços!
Tércio Martins
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista:
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
SAIR DA LISTA ou trocar a senha:
http://listas.softwarelivre.org/mailman/options/psl-brasil

Responder a