On Mon, 2010-02-15 at 14:51 -0200, Pablo Sánchez wrote:
> Em 15 de fevereiro de 2010 12:20, Luciana Fujii Pontello
> <luci...@minaslivre.org> escreveu:
> > On Mon, 2010-02-15 at 03:33 -0200, Pablo Sánchez wrote:
> >> Obs: eu sou BSD, vou continuar usando o Gmail, até porque não escrevo
> >> nenhum email que não seja o que eu sou, e para mim, tanto faz como
> >> tanto fez...
> >
> > O que tem a ver a licença BSD com Gmail? Você quer dizer que quem "é
> > BSD" não se preocupa com liberdade/privacidade?
> 
> Às vezes eu acho que você toma ácido ou algo assim...
> 
> BSD é uma licença mais permisiva, permite inclusive que o código seja
> fechado por quem o alterar, se quiser. Ou seja, eu quero software
> livre (DUH!) mas não me preocupo muito em obrigar/forçar os outros a
> manter livre o que eles criarem...

Mas o gmail não é livre. Não é o caso de o software ser livre e você não
se importar se criarem algo em cima dele que seja proprietário. Então,
minha pergunta permanece. Você é BSD e aí aceita usar software
proprietário? Qual a ligação?

> Traduzindo: eu não sou paranóico como o Stallman, por exemplo, que se
> recusa a ter celular ou a preencher uma ficha da Embratur ao entrar em
> um hotel por serem "sistemas de controle que permitem que você seja
> rastreado" (sim, eu tive que aguentar o cara falando isso quando fui
> deixá-lo no hotel, mas é a opinião dele, eu respeito, só que acho
> coisa de maluco chegar nesse ponto).

Você está ligando GPL a paranóia e BSD a ser como você, é isso? Não
existem só 2 tipos de pessoa no mundo.

Eu conheci pessoas defensoras da licença BSD que se preocupam muito com
liberdade de software que elas usam.

> Enfim, para você entender melhor, assim como com a licença BSD, tanto
> faz como tanto fez, para mim é a mesma coisa do Google.

Tanto faz tanto fez se o software livre for utilizado pra fazer software
proprietário é muito diferente de tanto faz tanto fez o Gmail é
proprietário, tem termo de serviço ruim, etc.

> Deu para ligar os pontinhos agora?

Na verdade não. Talvez se você parasse de achar que o que você escreve é
óbvio pra quem ler e parasse com as alfinetadas pessoais seria mais
produtivo.

> > E aliás, o que tem a ver a licença com a privacidade? No outro e-mail
> > você também comparou a política de privacidade do Gmail com a licença do
> > IRPF.
> 
> ...
> O que tem a ver? Essa eu vou deixar para algum dos universitários 
> responderem...
> 
> Aliás, não, respondo eu mesmo.
> 
> Simples: a questão toda do Gmail, do Buzz, do GTalk, do Docs, etc,
> gira em torno da licença de uso do serviço... Por não saber como o
> serviço é criado (você não tem o fonte dele), e por ter lá escrito as
> coisas loucas que às vezes o Google fala, vejamos... Vamos ligar os
> pontinhos? 

A licença do software é diferente dos termos de uso. Eu posso instalar
um servidor de e-mail que oferece um webmail livre e ter um termo de
serviço restritivo, que me permite guardar todos os seus e-mails e fazer
várias coisas com ele. No caso do IRPF, o contrato de interesse é a
licença do software. No caso do Gmail, o que estava sendo discutido era
o termo de uso, não a licença do software.

Se o google liberar o código do Gmail, só vai significar que você pode
instalar seu próprio cliente Gmail, modificá-lo, etc, mas o serviço
fornecido pelo google pode continuar com os mesmos termos de uso.

> Se você não sabe como o serviço é codificado, e aceita os
> termos de uso e privacidade dele (que são contratos, assim como a
> licença é um contrato - sempre que falar em licença, agora, lembre-se
> disso: contrato!), você aceitou abrir mão da privacidade.

Se eu tenho acesso ao código, mas aceito os termos de uso e privacidade
dele, que eu sei que são contratos, eu abri mão da privacidade mesmo
assim. Não confunda, não é só uma questão da licença de software.

Talvez se o termo de serviço não tivesse os problemas que tem, aí sim
você gostaria de auditar o software pra ver se ele cumpre o que fala.
Mas também teria que confiar que não vão utilizar outra versão no
servidor, não vão acessar seus dados no banco, etc. A questão é que
mesmo sem auditar você poderia processá-los se eles fizessem algo fora
do contrato.

> > Você está limitando os problemas do Gmail a questões de privacidade.
> > Também existe o fato de eles poderem terminar a sua conta a qualquer
> > momento. Como você utiliza inclusive como seu endereço de e-mail um
> > @gmail, você vai perder essa sua parte da sua identidade se isso
> > acontecer. Fora o fato de que vai perder acesso aos seus e-mails caso
> > não tenha feito backup de tudo.
> 
> Ainda em que @gmail é só um domínio, e não parte da minha identidade... :-D

Você diz que se sua conta for fechada hoje, você não vai perder e-mails?
Seus amigos não usam esse e-mail pra fazer contato com você, por ex?

Eu tenho um gmail que redireciona pra outro e-mail. Se não tivesse
redirecionado os e-mails, teria perdido e-mail até da minha antiga
faculdade que não sei como mandou e-mail pro meu gmail uma vez. Ainda dá
bastante trabalho convencer o pessoal que aquele não é mais meu e-mail.

> Qualquer coisa pode terminar a qualquer momento. Não é o domínio o que
> me importa. Qualquer coisa, vou lá, crio meu domínio (aliás, já tenho
> vários), e crio meu e-mail com meu domínio.

O contrato do meu servidor, do meu domínio, não permite que eles acabem
o serviço de uma hora pra outra sem justificativas. E eu nunca ouvi
nenhuma história de que isso tenha acontecido como já ouvi de contas do
google.

> Você realmente acha isso uma preocupação tão grande assim?

Claro. E-mail é uma ferramenta muito importante pra mim. Eu usei Gmail
por muito tempo porque acreditava que isso não ia acontecer, mas se
acontecesse eu teria passado maus bocados.

Um abraço,

Luciana Fujii

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