Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/usei-o-twitter-com-permissao-da-presidencia-19022010-30.shl

SÃO PAULO - O hábito de tuitar o tempo todo colocou o coordenador do
projeto Software Livre Brasil e por três anos o principal nome por trás
da Campus Party Brasil, Marcelo Branco, no centro de uma polêmica.

Após tuitar pelo celular durante um encontro com o presidente Lula,
Branco foi acusado de vazar informações privadas e influenciar a cotação
das ações da Telebrás, empresa pública que deve receber pesados
investimentos este ano em função do Plano Nacional de Banda Larga.

A forte oscilação dos papéis da Telebrás na Bovespa, causada pela
expectativa de pesados aportes na empresa, faz a CVM, órgão regulador da
Bovespa, investigar as ondas de investimentos na companhia pública.

Branco, que não possui aplicações em bolsa, participou de um encontro
com Lula e técnicos do governo acompanhado de profissionais ligados ao
Comitê Gestor da Internet, como Demi Getschko, pesquisadores como o
professor Sérgio Amadeu e representantes de movimentos de inclusão
digital no início de fevereiro.

De férias em Santa Catarina, após anunciar que não vai organizar a
Campus 2011, Branco deu sua versão para a polêmica, defendeu
investimentos públicos em banda larga e pediu a reforma de leis de
direitos autorais e a regulamentação do marco civil da internet no
Brasil.

O Twitter anda lhe dando dores de cabeça?

Não exatamente. Como se sabe, participei de uma reunião pública com
várias personalidades da sociedade civil e com representantes do
governo, inclusive o presidente Lula. O encontro era para discutir o
Plano Nacional de Banda Larga. Antes de começar a reunião, pedi para
usar meu smartphone e tuitar. Obtive permissão da presidência para isso
e fiz algo inovador, a primeira cobertura em tempo real pelo Twitter de
uma reunião da Presidência.

Mas não era uma reunião privada?

Essa história de reunião privada é uma ficção que inventaram. O encontro
sempre foi público. Na Campus Party, semanas antes desse encontro, a
ministra Dilma Roussef (Casa Civil) comentou sobre o encontro, disse que
o governo ouviria todas as partes envolvidas, etc.

Há meses que se fala que a Telebrás receberá investimentos, isso não fui
eu quem disse. Ao participar do encontro, o que eu fiz foi divulgar
informações sobre banda larga pelo Twitter, algo muito pertinente,
aliás. Quer melhor plataforma para discutir banda larga que o Twitter?

O senhor foi acusado de vazar informações?

Isso é invenção de alguns péssimos jornalistas. O que eu tuitei foi mais
ou menos o que outras pessoas disseram, em entrevistas, ao sair da
reunião. A diferença é que eu escrevi sobre isso um pouco antes,
cobrindo o encontro via Twitter. Como não sou jornalista nem tenho
diploma de jornalista, isto pode ter irritado algumas pessoas.

O senhor saiu otimista do encontro?

Eu acho positivo que o Governo Federal se preocupe em levar internet a
lugares onde ela não chega hoje. Acho muito positivo também a ideia de
baratear os custos da banda larga nas localidades onde ela já chega,
aumentar a competição entre as teles. Nesse sentido, como um militante
da inclusão digital, não há como ser contra a ideia.

Há críticas de que o governo só pensou na banda larga porque 2010 é ano
eleitoral...

Bom isso é da dinâmica da política. Se você fosse candidato, talvez
também agisse assim. Eu acho que a sociedade deve aproveitar esses
momentos para pressionar os políticos por respostas. Eu quero saber o
que os políticos vão fazer para melhorar nossa banda larga, que opiniões
eles tem sobre direitos autorais, o que eles pensam sobre um novo marco
civil para internet no Brasil.

Eu quero saber tudo isso antes de decidir que posição política eu terei
nas eleições. Acho que a sociedade deve aproveitar esses momentos para
discutir os temas que lhes importa. Não falo só do Governo Federal.

Em São Paulo, por exemplo, o governador Serra apresentou um plano de
banda larga – que eu chamo de banda média, pois a velocidade dos pacotes
é de 256 Kbps – em que há isenção de ICMS. Acho todas as medidas que
ajudam a baratear o custo da internet no Brasil algo positivo.

A definição de preços e cobertura de banda larga não ficaria melhor sob
controle do livre mercado e da livre concorrência?

Veja, até os Estados Unidos, que são o país mais liberal do mundo,
possuem um Plano Nacional de Banda Larga. E lá, o plano do Obama é bem
mais agressivo que o brasileiro. Há fortes investimentos do Estado para
levar a internet a pontos em que a iniciativa privada não pode ou não
teve interesse em levar o acesso.

Então o senhor é a favor então da atuação de uma Telebrás estatal no
mercado de banda larga?

Pelo o que eu pude perceber no encontro com Lula, a ideia não tem nada a
ver com reestatização de serviços. O fato é que a Telebrás possui uma
rede com milhares de quilômetros de fibra óptica que estão ociosos. Isto
é um desperdício em um país que precisa tanto de infraestrutura.Dizem
que o Brasil é a bola da vez na economia global. Mas como ser uma
potência se a população não tem acesso à web?

Seja como gestora de uma nova rede, seja em parceria com empresas
privadas, a Telebrás deve dar sua contribuição para a inclusão digital.
Acredito, aliás, que é um dever do Estado garantir banda larga a seus
cidadãos. Se a iniciativa privada levasse, por conta própria, o acesso à
web até os pontos remotos do Brasil, não precisaríamos discutir isso
agora, né?

Não seria melhor fomentar a competição entre as teles a recriar uma
estatal?

O que o Lula afirmou na reunião é que vai sempre avaliar o que for
melhor para o Brasil em cada situação pontual. Se a iniciativa privada
for eficaz em determinadas regiões, então o Estado não precisa investir
lá. Mas o fato é que as teles não fizeram esse trabalho.

Banda larga é um produto muito caro no Brasil, há pouca concorrência e
em pequenas cidades do Brasil os consumidores simplesmente não tem opção
nenhuma. Afinal, onde há poucos consumidores não há interesse econômico
em montar uma rede. Nesse cenário, acho positivo a atuação do governo.

O governo tem recursos para cumprir as metas que propõe de inclusão? (O
plano prevê levar banda larga até 68% dos domicílios brasileiros até
2014 e levar conexões a mais de 4100 municípios)

Bem, após seis ou sete anos de brigas judiciais, o governo conseguiu
tomar posse de milhares de quilômetros de fibra óptica. Este é um ativo
que já existe. Além disso, há os recursos do Fust (Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicações).

O Fust tem R$ 10 bilhões em caixa e arrecada R$ 1 bilhão ao ano. Há
dúvidas jurídicas sobre se estes recursos podem ou não ser usados para
fins de ampliar o acesso à web no Brasil. Eu torço para que esses
recursos sejam liberados. Acho um desperdício todo esse dinheiro parado
e a Telebrás com fibras ópticas ociosas ao mesmo tempo em que a banda
larga custa tão caro e não chega em tantas localidades.



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