É uma bate papo comigo. Respondo em privado.


Em 03/03/2010 às 11:34 horas, psl-brasil@listas.softwarelivre.org escreveu:


2010/3/3 Julian Carlo Fagotti <jul...@celepar.pr.gov.br>
Só um comentário. Não sou moderador, mas criei um sobre a Agência NAcional de Telefonia e Internet (acrescentando ao que existe).
E a discussão de vocês é sobre estatais, empresas privadas,, grandes, médios e pequenos.

Ou você não se deu o trabalho de ler a minha mensagem e está fazendo suposições, ou precisamos discutir ainda mais esse ponto para tornar bem claro que essa discussão não poderia estar mais dentro desse tópico e do tópico da lista.
 
Abram um tópico sobre isso (estatais e/ou empresas privadas), se acharem que vale a pena. Eu acho que ideologia é como algumas partes do corpo que cada um cuida do seu. Este rumo já degenerou em outro tópico. São visões de mundo diferentes que não vão mudar.

Se você acha que estou na tentativa de mudar alguma teoria, estou sendo mal interpretado. Não é do meu interesse mudar ou melhorar nenhuma teoria, cada teoria tem uma definição fixada e imutavel. Mas o julgamento de valor de determinada teoria pode ser mudado, e é de nosso interesse que mude.
 

Mas uma agência vai regular empresas públicas e privadas, ew cria alguma regulamentação da na nova trincheira do mundo que é o espaço virtual, nuvens e etc. É isso que eu acho que deveríamos estar discutindo neste tópico.

É exatamente isso que estou discutindo. Se existe algo sagrado para você que você não deseja tocar enquanto discuto esse assunto, me avise, porque posso fazer isso de outra maneira, é só avisar. Mas isso é apenas porque eu posso evitar alguns assuntos para chegar a determinado ponto de acordo com quem eu debato, para não evitar mais problemas.

Mas acredito que seja bom para a discussão prestar atenção no que uma pessoa diz antes de achar que ela está mudando de assunto. Leia com cuidado o que eu escrevi abaixo, e você verá que o que eu escrevi não poderia estar mais dentro do tópico.
 



Em 03/03/2010 às 08:53 horas, psl-brasil@listas.softwarelivre.org escreveu:


2010/3/2 Ricardo Bánffy <rban...@gmail.com>
2010/3/2 Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <glauber.rodrig...@gmail.com>
>> Você alguma vez teve contato com a montanha de burocracia que separa o vencedor de uma licitação do pagamento pelos serviços prestados?
>
> B2G ao resgate...

É lindo, em teoria. Ainda não vi funcionar.

Nem eu, mas até um certo tempo ninguém tinha visto B2B funcionando também, e aí está.

Faz todo sentido um B2B voltado para o governo, preocupando-se com a burocracia adicional ao fazer negócios com o governo. Isso me leva a crer que tanto estatais quanto empresas privadas serão ineficientes quando sofrem de incivilidade.

 
Como se o estatismo não tivesse problemas.

Claro que tem. No geral, acho que a falta de educação é a causa dos dois problemas.
 

Não sou eu o proponente de capitalismo desregrado. Ao contrário - eu
desde cedo nessa improdutiva discussão martelei a idéia de que seria
mais barato regular o mercado do que fazer uma estatal. Aparentemente,
na impossibilidade de refutar essa idéia simples, refutam outras mais
ou menos parecidas.

Chega a ser engraçado.

Entendi. Acredito que eu esteja aqui justamente para argumentar o seu ponto de uma forma que espero que você entenda. Mas também quero entender o seu ponto, senão vou pisar em falso.

Eu acho que há um problema fundamental nessa idéia: o estado não é maduro o suficiente para prover determinado serviço essencial para a sociedade, mas é maduro para controlar a atuação de prestadores desses serviços. Acredito que se o estado imaturo tem o poder de intervir tão fortemente nas atividades de uma empresa privada sem conhecer a sua operação e fundamentos econômicos, vai acabar atrapalhando o seu funcionamento, tornando-a ineficiente da mesma forma a longo prazo.

Acredito que serviços que deveriam ser públicos deveriam ser implementados por um estado capacitado, e serviços que não são públicos deveriam ser implemetados por empresas privadas capacitadas, reguladas por estados capacitados. Acho que a discussão deveria ser se um determinado serviço deve ser público ou privado, e o que levaria ao seus implementadores a fazer um bom trabalho.


> Assim como a cultura de uma empresa supera as técnicas de controle, tornando-as ineficases, a cultura de uma nação imoral como a nossa encontra seu caminho para chegar ao mesmo resultado insatisfatório. A burocracia é justamente todo esse controle que não leva a nada.

E tem gente que propõe, de cara limpa, fazer mais uma estatal, com
toda a sua burocracia associada, para resolver um problema que poderia
ser resolvido imprimindo-se 20 parágrafos no DOU.

Se isso for resolver o problema, depende do que você chama de problema resolvido. Acredito que as soluções temporárias não deveriam nos desviar da solução permanente. Uma solução permanente é aquela que elimina o risco, qualquer outra solução é transitória. Algumas soluções temporárias geram novos problemas que elevam o nível geral de insatisfação do sistema.

Mas nada impede de aplicar uma solução temporária enquando a solução permanente está a caminho, se isso aumentar a qualidade geral do sistema.
 


> Você não acha que o SL seja um risco à propriedade intelectual?

Claro que não é. Sem a noção de propriedade intelectual, como você
impõe as licenças? Como ficaria um produto sob GPL se tudo fosse,
magicamente, colocado em domínio público? Como ficaria um livro
licenciado com uma CC? Sem propriedade intelectual, as licenças,
todas, perdem os dentes.

Ficaria tudo bem. Nesse sentido, a GPL só serve para impedir alguém de fechar o código por direito.

Não havendo o direito de fechar o código, sendo que a natureza foi muito generosa fornecendo os mecanismos para os que buscam conhecimento, mesmo que alguém tentasse manter o monopólios das alterações seria simples fazer a engenharia reversa, ou fazer a informação vazar de outra maneira.
 

> Você não acha que uma vez que o mundo tenha a prova do que Thomas Jefferson já suspeitava em 1813, vão começar a questionar a legitimidade da propriedade intelectual:

Não confunda propriedade intelectual com abusos dela.

A propriedade intelectual em si já é um abuso.
 

> Mas querer que o estado interfira no uso das idéias em favor de alguém mesmo isso sendo tão ilegítimo quanto impossível de implementar na realidade

Imagine a empresa E se apropriando do seu lindo produto P e
subvertendo-o e usando-o de formas com a qual você, o autor, discorda
e que violam as condições que você estabeleceu. Mas nenhum governo
pode fazer nada porque, afinal, são só idéias.

Como fica?

Fica como lição para eu parar de inventar direitos para mim de forma ilegítima, e procurar minha felicidade em outra coisa.

--
Existe mais de uma maneira de chegar lá

Glauber Machado Rodrigues

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