2010/4/10 Cláudio Sampaio <pat...@gmail.com>:
> Como você saberá, Bánffy, se eles nunca tiverem opções legais para isso?

A IBM tem o direito de, onde a lei permitir, de vender a licença
castrada do jeito que ela achar que deve. Em alguns lugares, ela pode,
em outros ela não pode. No mercado em que a TH opera, fato, ela pode.

> De repente compensaria a um usuário de mainframe específico, mesmo com
> disponibilidade prejudicada, rodar certa aplicação de mainframe em um Dell.

Se as leis locais considerarem abusiva a restrição da IBM, sim.

> De repente compensaria a outro um pouco maior de disponibiilidade, com, sei
> lá, alta disponibilidade transparente implementada pelo Hércules em um
> cluster de Dells.

99,999%? É possível, mas improvável. Havia uma empresa que fazia
mainframes plug-compatible com processadores Itanium com microcódigo
alterado. Também foram soterrados pelos advogados da IBM (porque
operavam em um país onde a licença pode dizer que fulano não pode
rodar o software noutra coisa que não o mainframe IBM.

> Mas você não tem esse cenário porque ele nunca se tornou viável, por causa
> de ações como essa da IBM.
> Então você não pode simplesmente assumir que é "porque os clientes querem
> assim". Você simplesmente não sabe.

Ele poderia ter se tornado viável na Europa ou no Brasil e em um
sem-número de outros lugares.

> E mesmo que soubesse, mesmo que todos os clientes quisessem assim e
> continuassem querendo ao ter a opção, não é esse fato por si mesmo que
> invalidaria o direito daquela empresa de tomar uma direção diferente. Nesse
> caso, que falisse pela má idéia em si mesma, não por ações judiciais.

É inevitável que, seguindo esse caminho, os executivos responsáveis
pela divisão de mainframes da IBM acabem tornando-a irrelevante. É
óbvio que eles não estão mirando no longo-prazo. Eles sabem que tem
uns 10 anos de emprego pela frente e querem extrair todos os bônus
agora.

> OBS.: Por que se compraz tanto em defender o indefensável e tentar impor
> opiniões "estilo RIAA" como essa história de que direitos autorais são
> iguaizinhos a propriedade física? Imaginava que depois de um tempo aqui na
> lista você pelo menos já entendesse!

Não é um ponto-de-vista RIAA-like. Quando você compra um mainframe IBM
e o zOS, compra ciente das condições da licença. É uma opção
voluntária. Todos os clientes podiam ter saído do mainframe se
quisessem. Se eu, na posição de C[TIEO]O, fosse confrontado com a
decisão entre comprar um novo mainframe e portar as minhas aplicações
vitais para uma plataforma mais nova (ou parte delas, liberando carga
do mainframe que eu já tenho), eu preciso optar pela mais barata,
levando em conta o tempo que eu tenho para portar e validar, o custo
disso e o mico de comprar outro mainframe, eu não vou deixar minhas
preferências pessoais tomarem parte nessa discussão. É melhor para o
mercado que eu porte, mas essa decisão não funcionaria assim e não é
esse o critério que eu tenho que usar.

Violar os termos da licença _é_simplesmente_errado_ porque eu
concordei com eles. Eu não posso ficar só com a parte boa do contrato.
Se a IBM vier aqui com um contrato que tem uma cláusula ilegal, eu
mando o contrato pro jurídico. Eu não vou enganar meu fornecedor
dizendo que eu concordo com os termos abusivos da licença para depois
desrespeitar a parte que não me convém por ela ser considerada
abusiva.

Desculpas se isso ofende a sensibilidade dos presentes, mas o que a
TurboHercules se propos a fazer é moralmente errado.  Isso não
desculpa a IBM, que poderia simplesmente aumentar o preço da licença
do zOS e baixar as margens do hardware e simplificar os termos de
licenciamento que - acreditem em mim - são algo profundamente insano.
E, se nem isso funcionar, abraçar o Hercules e vendê-lo com suporte
oficial IBM. Também não desculpa a IBM de ter listado as duas patentes
que ela prometeu não usar contra projetos livres junto das outras 170.
É bem provável que, se a situação escalar para um "confronto armado",
elas não sejam mencionadas para não atrapalhar o processo.

Mais uma vez, acho uma pena que o Hercules esteja no meio disso é um
bom software e permite preservar se não o hardware, os processos e
tecnologias que definiram a computação por décadas. Felizmente, ele é
livre o suficiente para que possamos continuar mantendo-o e usando-o
em conformidade com as licenças do software que rodarmos nele. Não foi
contra o projeto que a IBM se moveu, mas contra a empresa que o mantém
e que cismou de adotar um modelo de negócios que já se mostrou fatal
para empresas maiores do que ela, com os cadáveres delas espalhados
pelo caminho.

Também não acho legal (nos dois sentidos quando aqui no Brasil e em um
só quando nos EUA) a IBM impor restrições sobre onde eu posso rodar
zOS ou a Apple sobre no que eu posso rodar o OSX. É por isso que eu
não uso nem zOS nem OSX. É uma questão de se limitar ao que se pode
fazer.

-- 
Ricardo Bánffy
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