Olá David,

Eu entendo perfeitamente a questão, acho que até deveria ter colocada a
forma por esse angulo...mas devido a discussões anteriores sobre o assunto
estágio/bolsa, eu quis colocar o ponto de vista "cada um pega o que achar
melhor pra si".

Eu mesmo já peguei bolsa baixas quando fazia graduação(Laboratório do LCC) e
alguns estágios, mas o que acontece com muita frequência é que o
bolsista/estagiário é apenas tratado como uma mão-de-obra barata e com as
mesmas responsabilidades de um funcionário/pesquisador da instituição. A
primeira evidência disso é colocado nos pré-requisitos, onde exige-se muito,
o que não dá muita margem aos que sabem pouco e desejam aprender.

A questão não só de um estágio/bolsa mas também de um emprego eu vejo muito
como uma decisão estratégica...as vezes vale muito mais ir trabalhar num
canto ganhando menos onde você possa alimentar sua carreira de uma forma
muito mais condizente com seu futuro, do que simplemnte ganhar dinheiro...eu
mesmo já recusei trabalhar em lugares que pagavam melhor pois simplesmente o
meu trabalho não era visto como fim e sinceramente eu sou uma pessoa muito
movida a desafios e reconhecimento, o que não acontece muito quando seu
trabalho é apenas "uma engrenagem de um motor".

Concordo plenamente com tudo com o que você disse e queria até falar de algo
que vem acontecendo no IFRN. Alguns professores tem estimulado aos alunos a
contribuirem com o software livre, como forma de avaliação. Então em vez de
pedir pro aluno fazer uma calculadora em Java, ele pede para ele "patchear"
algum problema existente em um software. Isso sim é realmente contribuir e
ao mesmo tempo você ensina vários conceitos interessantes ao aluno(trabalho
em grupo/colaborativo, conceitos de versionamento, melhores práticas de
programação). Acho que um grande passo que está sendo dado é com o Metrópole
Digital, onde os talentos serão "minerados" desde de cedo.

Concluindo, eu acho que realmente esse tipo de bolsa tem que ser encarado
pelo aluno e PELA INSTITUIÇÃO que está oferecendo a bolsa, como uma
oportunidade de aprendizado para o aluno. Era desistimulante quando um
coordenador repassava para a lista de alunos uma "oportunidade" de estágio
onde você tinha certeza que ali você iria trabalhar tanto ou mais que os
funcionários do estágio, que a realidade de uma forma em geral dos estágios.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos.

Gustavo Ribeiro

2009/12/24 David Deharbe <[email protected]>

> Gustavo,
>
> No caso, é uma bolsa do CNPq, cujo valor é tabelado em nivel nacional.
> Certamente o pessoal do INPE adoraria poder pagar uma bolsa maior, mas sendo
> um organismo publico, é sujeito a restrições legais.
>
> Esse tipo de atividade não deve ser encarado como uma atividade lucrativa e
> sim como uma oportunidade para adquirir experiência profissional e montar um
> portfolio e valorizar o seu curriculo. E a considerar como um investimento
> pessoal.
>
> E um pouco como treinar para participar de competicoes de programação ou
> contribuir para projetos de software livre: não paga nada, mas se você tiver
> umas medalhas no seu curriculo, ou tiver patches aceitos em projetos de
> grande visibilidade, pode ter certeza que, uma vez formado, você pode
> escolher onde vai fazer a sua pos-graduação ou onde você quer trabalhar.
>
> Boas festas a todos,
>
> David.
>
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