Já passou algum tempo sobre o início desta discussão, mas gostava de deixar
a minha opinião.


O Márcio deixou alguns pontos importantes, mas permite-me discordar alguma
coisa.

O valor certo não é o que achares justo considerando o sacrifício que
fizeste para realizar o trabalho (mais ou menos, sim e não). Gostava de
pensar que seria sempre assim, mas as realidades de cada programador variam
demasiado para ser algo pessoal. Existe alguma razão de forma abstracta, mas
também existe uma fasquia geral que todos devemos ter em conta. Antes que me
insultem, deixem-me explicar.

Tenho outros interesses e hobbies para além da programação, e não posso
nunca avaliar um trabalho pelo tempo que me vai tirar das tais outras coisas
que preferia estar a fazer. Caso contrário, quem não tiver vida social,
hobbies, familía, esposa, um cão e 1.3 filhos, vai ter sempre preços muito
baixos em relação ao meu.

É tudo uma questão de avaliar o trabalho em si, a sua complexidade, tempo de
desenvolvimento, e factor insanidade. Uma grande empresa cobra diferente de
uma pequena empresa, uma pessoa diferente de uma equipa, mas estas situações
têm contrapartidas e vantagens/desvantagens diferentes. Como exemplo, um
amigo consegue fazer um site completo, back-office, newsletter, cores,
bandeiras e tudo mais, por um preço ridículo, bastante diferente do que eu
cobro, no entanto tem bases sólidas da empresa onde trabalha, com recursos
imensos, enquanto eu faço a maior parte especificamente para o cliente e
nada que um outro cliente já tenha. Serviço personalizado, digamos. Tudo
isto se reflecte no preço. Mais importante, a qualidade reflecte-se no
preço, o problema é que normalmente o cliente só vê a qualidade no final.
Tarde demais...

Como o Márcio referiu, também não acredito em valores tabelados. Ainda mais
conhecendo o trabalho medíocre que anda por aí fora, de amadores e burros em
geral que se metem a fazer sites e aplicações, que o cliente paga, e fica
terrivelmente mal servido. Muitas vezes sem sequer o saber.

Para dares um preço, e não vou considerar a tua situação especial de ser uma
amigo, tem consciência da complexidade do trabalho e o tempo que te vai
tomar, assim como o valor "habitual" para tal situação. Parece algo
contraditório em relação ao que escrevi, mas temos de ter consciência que
existe uma área confortável para preço de uma aplicação de tipo X. Pode ter
uma margem generosa, mas tem sempre limites superiores e inferiores.
Concordo com a Dica 1 do Márcio.

Fasear o projecto pode servir em algumas situações, para projectos de alguma
dimensão. Embora o possas sempre fazer apenas para ti - back-office fica por
X, front por Y, etc. O cliente vai querer sempre o total, mesmo que pague
faseadamente.

O Márcio tocou em alguns pontos sensíveis do assunto, que poucas pessoas
tomam em conta. Normalmente o que se pensa imediatamente é em ganhar
dinheiro.
Sempre que começo um projecto novo a nível pessoal, o que mais me aborrece é
dar preços. Faz pensar, calcular muita coisa, considerar imensos factores.
Isto porque já tive a minha quota parte de trabalhar para aquecer, o que nem
te dá satisfação, nem te aplicas convenientemente no trabalho. Actualmente,
não realizo nenhum trabalho em que paguem abaixo do que considero justo para
mim. Não vale a pena. Descobri algo engraçado que me faltava há muito tempo
- qualidade de vida. Embora não tenha atingido o estado completo, estou a
aprender a caminhar lentamente para lá. Quando descobrir o segredo, o mais
certo é já ser velhote e durar pouco tempo, mas enfim, vou vivendo na
ilusão. ;-)

Dá um preço que consideres justo para o tempo que vais dispender, para os
neurónios que nunca mais vais conseguir recuperar, e para, durante o
desenvolvimento, principalmente nas alturas de maior pressão, teres a
satisfação de saber que, apesar do stress, e de ficares careca antes da
devida altura, no final vais receber um valor adequado.

Com a prática vais achando valores confortáveis para ti. Vai demorar, vais
fazer asneiras, mas só assim se evolui. :-)

Para o Márcio: A minha classe tem de ser valorizada, eu devia ganhar bem
mais para o que trabalho aqui na empresa. ;-)

Discussão um pouco OT, mas considero essencial para consciencializar novos
programadores que tentam a carreira a *solo*. E para não estragarem o
serviço aos veteranos que andam por aí. ;-)

Escrevi demais e não vou rever. Qualquer questão, favor responder.


Miguel Vaz





2009/3/20 MEM <[email protected]>

>  Bom, não sei nada de RIA’s mas disso eu sei.
>
>
>
> O valor certo, é o valor que achares que é justo, tendo em conta as horas e
> o sacrifício a que te dedicaste, tendo em conta o tempo que o
> desenvolvimento dessa aplicação te tira, em relação àquilo que gostarias DE
> FACTO, de estar a fazer. :)
>
>
>
> A partir daqui, é simples perceber o ridículo de valores tabelados, para
> este tipo de trabalho. Porque ele depende de vários factores que SÓ TU
> saberás equacionar. :)
>
>
>
> Dica 1:
>
> O preço será, nem tão alto que digas: “Sou mesmo esperto, consegui enganar
> este gajo, tenho uma guita fixe, eheheh, estou feliz e sou altamente”. Nem,
> “Acho que estou a trabalhar para aquecer, isto está-me a dar trabalho a
> mais, onde é que me fui meter”.
>
>
>
> Dica 2: Como nem sempre é fácil, sobretudo para os inexperientes, saber
> quão trabalho vamos ter com um projecto, o melhor é obter o pagamento
> faseado. Fase 1 recebo X. Está feito. Agora fase 2. Recebo Y. Agora fase 3.
> … Pois se um grande projecto é muito difícil de imaginar o trabalho que dá,
> vários pequenos, poderão tornar-se mais fáceis de imaginar.
>
>
>
>
>
> Lamento não te dar preços mas, parece-me, sinceramente, que isso, vais ter
> que ser tu a decidir, colocando na balança, trabalho que me dá VS prazer que
> tiro em executar esse trabalho. Basicamente, sê honesto e encontrarás o
> valor justo. :)
>
>
>
>
>
> Ps 1 – Esta dica é a melhor que poderás obter, face àquelas que te forem
> dadas com valores, no entanto,
>
> se se acha que isto é só “blá blá” então, leia-se outra vez, e aprenda-se a
> pensar.
>
> Pensar é difícil, mas vale a pena.
>
>
>
> Ps 2- dispenso críticas do tipo: “A nossa classe tem que ser valorizada e,
> como tal, tem de haver preços que valorizem o nosso trabalho”. Porque é tão
> fraquinha logicamente, que nem me darei ao trabalho de refutar.
>
>
>
>
>
> Cumps,
>
> Márcio
>
>
>
> *From:* [email protected] [mailto:[email protected]] *On Behalf
> Of *Bruno Gomes
> *Sent:* sexta-feira, 20 de Março de 2009 02:46
> *To:* [email protected]
> *Subject:* [riapt] E-store em PHP e MySQL: quanto?
>
>
>
> Caros amigos,
>
>
>
> Já há algum tempo que venho seguindo esta mailing list, pois as RIAs têm um
> grande interesse para mim.
>
> Curiosamente, o primeiro post que faço não é propriamente sobre RIAs, razão
> pela qual peço desde já as minhas desculpas mas, preciso de um pequeno
> conselho vosso.
>
> Foi-me proposto fazer, para uma pessoa muito minha amiga, uma loja online
> (e-commerce) em PHP e MySQL.
>
> A loja, em termos de código (Frontend e Backend) é muito semelhante a uma
> que eu fiz para mim próprio. Apenas requererá alguma personalização no
> design e talvez nalgum código (pouco).
>
>
>
> Basicamente, o loja tem um sistema de login para os clientes, listagem de
> produtos por categorias, com uns thumbnails, páginas de produtos com título,
> descrição, informação técnica, imagens, relacionamento eventual com outros
> produtos e download de ficheiros relacionados com o produto em causa,
> carrinho de compras, sistema de finalização do processo de compra,
> newsletter em HTML (com imagens, CSSs, toda xpto. lol), várias notificações
> das encomendas, registos de utilizador e de inscrição na newsletter, também
> em HTML, produtos em destaque, produtos com preço promocional, vários links
> com informação sobre a loja, contactos, etc, tudo e a parte frontal tem
> sempre notícias com as mais recentes novidades (novos produtos), sendo tudo
> isto bilingue (Inglês e Português). Em termos de processamento de
> encomendas, estão todas organizadas por data, com uma notificação quanto ao
> seu processamento, tendo cada encomenda várias opções quanto ao estado dos
> produtos (stock, observações sobre cada item, campo de inserção de código de
> registo da encomenda), observações/informações genéricas sobre a encomenda
> em si, respectivos contactos do comprador, possibilidade de alteração,
> remoção e adição de produtos à encomenda e aviso contra a remoção acidental
> da encomenda.
>
> Espero não me ter esquecido de nada…
>
>
>
> O serviço irá requerer da minha parte que eu arranje um novo local de
> alojamento (que em principio será onde tenho o meu actual site e será pago
> pelo meu amigo/cliente) e a contínua inserção de produtos e outras coisa
> (ex: notícias), bem como a manutenção de todo o site.
>
>
>
> Peço desculpa pelo “testamento” mas, quero passar-vos toda a informação
> possível para que me possam ajudar com conhecimento de causa.
>
>
>
> O que se pretende é cobrar *um valor inicial pelo site e receber todos os
> meses uma determinada quantia pela sua manutenção*.
>
>
>
> Ora, apesar de já ter trabalhado profissionalmente na área durante alguns
> anos, nunca me passou pelas mãos qualquer tipo de informação relativamente a
> valores.
>
>
>
> Peço-vos portanto, tendo em conta que é para uma pessoa muito amiga, não
> querendo eu cobrar uma quantia exagerada, que me *dêem sugestões quanto ao
> valor inicial e à mensalidade*.
>
>
>
>
>
> Agradeço desde já a vossa disponibilidade e despeço-me com os melhores
> cumprimentos,
>
>
>
> Bruno Gomes
>
>
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> >
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