Serpro em greve
Os servidores do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) entraram em greve por tempo indeterminado ontem, em todo o País. Eles estão insatisfeitos com o andamento das negociações da data-base com o governo federal, em Brasília. No Pará, o sindicalista Humberto Monteiro, analista de sistemas do Serpro, afirma que a adesão supera 80% entre os 280 servidores de Belém. O movimento também alcança algumas unidades do interior do Estado, bem como afeta diretamente a atuação de todos os cerca de 400 trabalhadores do Serpro no Norte, que são subordinados à regional de Belém. Praticamente 90% do Serpro está parado em todo o Brasil.
O Serpro é responsável pela administração das redes informatizadas locais e de longo alcance que interligam o governo federal no País inteiro. Nessas redes trafegam dados de administração tributária, de comércio exterior, de gestão - como a folha de pagamento do funcionalismo público federal -, do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) interligado com os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detran), entre outros.
'Sem o Serpro, as redes ficam desassistidas, de forma que em qualquer incidente que possa ocorrer, como uma queda de linha ou mau funcionamento de computadores, não haverá suporter para resolver e o sistema para', disse Humberto. Outro prejuízo será o atraso nos prazos para o desenvolvimento de novos sistemas.
Os servidores do Serpro exigiam aumento salarial de 16,67% e reajuste do tíquete-alimentação, dos atuais R$ 408 para R$ 600. A direção do Serpro oferece apenas 4,63% de reajuste no salário e no tíquete, o que significa a reposição da inflação dos últimos 12 meses, pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados no Pará (Sindpd-PA), Fátima Silva, o Serpro apresentou nova proposta ontem, que dá reajuste de 35% apenas aos servidores concursados, e mais 4,63%. 'Essa proposta fragiliza a greve, são 1 mil concursados no Brasil, sendo 40 no Pará. O número é suficiente para pôr a rede no ar', admitiu a sindicalista.
Na assembléia de ontem, em Belém, os trabalhadores decidiram baixar a proposta do reajuste do tíquete para R$ 528. Também ontem, Humberto disse que a direção local do Serpro pediu que 30% do efetivo retomasse as atividades, inclusive, apontando quem deveria trabalhar. Mas o pedido foi negado pelos grevistas, em assembléia.
Em Belém, o efetivo do Serpro está distribuído, principalmente, no prédio-sede do órgão, na avenida Perimetral, onde os grevistas estão se concentrando e fazendo assembléias diariamente; bem como na Receita Federal, no prédio do Ministério da Fazenda, na rua Gaspar Viana com a avenida Presidente Vargas.
Dataprev vai parar
A
greve na Empresa de Tencologia e Informações da Previdência Social
(Dataprev) já tem data para começar: será a 6 de junho. Segundo a
presidente do Sindpd-PA, o movimento está sendo planejado apenas para
as regiões Sul e Sudeste do País, onde o efetivo de trabalhadores é
maior e, por isso, tem mais poder de pressão sobre o governo federal.
No Pará há apenas 35 servidores na Dataprev e, portanto, as atividades
não serão interrompidas. Mas, segundo Fátima, a greve por tempo
indeterminado no Sul e Sudeste já é suficiente para causar prejuízos ao
sistema informatizado da Previdência Social em todo o País.
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