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Despesa com pessoal vai aumentar R$ 7 bi por ano
Reajustes
para os servidores do Executivo podem levar a gastos ainda maiores se
reivindicações dos outros Poderes também forem atendidas
Sérgio Gobetti
Os reajustes de salário negociados e anunciados pelo governo para
beneficiar os servidores do Executivo devem aumentar a despesa com
pessoal da União em R$ 7,6 bilhões anuais. Se as reivindicações dos
demais Poderes também forem atendidas, como pedem os chefes do
Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União
(TCU), a conta sobe para R$ 11,2 bilhões - mais do que todo o
investimento feito no ano passado pelo governo.
No
Orçamento da União para 2006, o governo já reservou R$ 5 bilhões para
os reajustes, e esse gasto já foi programado pela equipe econômica ao
divulgar há duas semanas o bloqueio de R$ 14,2 bilhões nas despesas de
investimento e custeio. Ou seja, o reajuste não deve afetar a meta de
superávit primário (economia para pagamento de juros), mas vai inibir o
esperado salto nos investimentos.
Em média, o governo Lula tem
investido 25% a menos do que o de Fernando Henrique Cardoso, segundo
estudo da assessoria técnica do PSDB. Desde que iniciou seu mandato,
Lula tem esbarrado (às vezes voluntariamente) em obstáculos que inibem
os investimentos: em 2003 foi a crise econômica, em 2004 o crescimento
das despesas com o Bolsa Família, em 2005 o déficit da Previdência e,
em 2006, o fantasma parece ser os gastos com pessoal.
Além das
carreiras de servidores já contempladas pela medida provisória de
terça-feira, o governo é pressionado por pelo menos mais quatro
categorias que estão em greve. Uma delas, formada por 50 mil servidores
administrativos de vários ministérios e chamada de PCC (Plano de
Classificação de Cargos), deflagrou paralisações no Incra, no Ibama, na
Funai e nos Ministérios da Agricultura e de Desenvolvimento e Comércio.
A
greve mais longa em andamento é a dos auditores da Receita Federal, que
começou há um mês e tem a adesão de 70% dos 7.644 funcionários do País.
Hoje, eles devem parar as atividades de alfândega no Porto de Santos.
Os 30 mil servidores do INSS, por sua vez, encerram hoje o terceiro dia
de paralisação. A maior parte das categorias cobra do governo o
cumprimento dos acordos feitos em 2005.
Neste ano eleitoral, o
governo tenta se mostrar simpático com os servidores, mas nos três
primeiros anos de gestão do PT o salário dos funcionários públicos do
Executivo federal foi achatado, o que faz o reajuste de agora parecer
maior. |