Perdoem-me pela mensagem longa. É uma mensagem de motivação, então
peço que façam um esforço.

Esta mensagem se destina àqueles que ainda não aderiram a greve e aos
diretores da empresa que estão disfarçados entre nós, antes calados e
discrestos, agora emitindo opinião e participando.

Num passado recente nossos pais e mesmo alguns de nós, viviam sob o
braço forte e impiedoso de uma ditadura militar. Naquela época homens
e mulheres que tinham a coragem de contestar a órdem estabelecida eram
perseguidos, torturados e até mortos. Mas aqueles brasileiros não
puderam ser calados, e após 21 anos provaram que quanto mais forte o
tirano, mais obstinada é a resistência. Hoje nossos temores são
outros: perder o emprego, a comissão ou a estima do chefe. Os
verdadeiros heróis de nossa pátria deram a vida ou padeceram nos
porões dos quarteis. Para aqueles que pouco sabem sobre este tempo de
luta, sugiro Brasil Nunca Mais de D.Paulo Evaristo Arns. Naquela época
jornalistas contrários ao regime passavam suas mensagens disfarçadas
em receitas de bolo no caderno de culinária. Arriscavam mais que o
emprego ou um cargo.

Hoje vemos no poder alguns daqueles que arriscaram suas vidas na luta
contra a ditadura. Homens como Genuíno e  Dirceu, hoje caídos em
desgraças. Nosso Presidente foi forjado no caudeirão das greves e
manifestações que clamavam o fim do regime de exceção. É certo que a
palavra ideologia só veio a fazer sentido para ele muitos anos depois
daqueles acontecimentos. Vocês Srs. Diretores, também viveram aquele
tempo. Confesso que não conheço suas biografias, mas arrisco dizer que
se não militaram contra o regime, foram fortemente influenciados por
aqueles que o fizeram. Portanto sinto me confortável em chamá-los à
razão e pedi que re-avaliaem seus atos na direção desta empresa.
Talvéz Vossas Senhorias não nos julgue merecedores do que pedimos,
pois não temos a coragem dos homens e mulheres de sua época, mas isso
só o tempo e os desafios nos mostrarão.

Quanto a nós amigos, peço que olhemos para nós mesmos, como se
fossémos nossos próprios filhos, como se já não vivêssemos mais e
façamos-nos algumas perguntas: O que eu fiz na vida que possa ser
motivo de orgulho? Qual a contribuição que eu dei pro meu País? O que
eu fiz pra manter as conquistas daqueles heróis que moreram pelo
direito de liberdade?

Ainda é tempo, sempre é tempo! Mesmo que não seja aderindo a esta
greve. Pense melhor em suas ações. Quando você diz, e muitos dizem: Eu
odeio política. Não me envolvo com sindicato. Pense nas palavras de
Lord Byron: Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto
que plantei.



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Emmanuel Ferro
Analista de Sistemas - Desenvolvimento
SERPRO / Ministério da Fazenda
Fones: (85) 4008-2853   (85) 9927-2334
e-mail: [EMAIL PROTECTED]
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