Fui um leitor semanal constante do Expresso por inerência familiar. O  
meu pai comprava-o, eu acabava por o ler antes dele. E assim foi até  
ter casa própria. Ainda por vezes ao fim de semana, quando ia visitar  
a familia, ficava com o suplemento de economia e a revista. O primeiro  
dava uma visão do estado da nação a nivel de contas, o segundo  
divertia com os textos do Paulo Querido e com as rubricas da "Gente".  
Era por assim dizer a banda desenhada de fim de semana. Recordo-me de  
na JSD se levar o Expresso para ter assunto de conversa.

Durante o meu curso de Civil no ISEL, comprava o Público durante  
alguns dias, não tinha tempo para os noticiários; com o trabalho de  
dia e curso de noite. Nessa altura, as minhas fontes já não eram  
nacionais, optando sempre por ler online e abrindo horizontes.

Desta forma o Expresso foi saindo da rotina, contudo via-me por vezes  
a compra-lo, só para ler os artigos de opinão e matérias mais  
profundas. Os primeiros passaram a ser um lavar de roupa suja, os  
segundos a palhaçada típica. Feitas as contas, os 3 euros semanais  
deram origem aos 7,5 euros mensais da LinuxJournal, bem mais  
interessante e intercalada com alguns números da Wired/SysAdmin,  
vindos da Tema no Colombo.

Hoje, comprei o Expresso. Já não o fazia e não o lia há 2 anos, nem  
mesmo a vertente online. Concluo que de facto não sou o público alvo.  
Num saco ainda promovido pela HP e Microsoft, veio um monte de  
publicidade não endereçada (aquela que meto no lixo e que não aceito  
na minha caixa do correio), um caderno de emprego minusculo (é  
natural, é verão) com anúncios de recrutadoras e não de empresas  
"normais", a revista com assuntos mundanos, o Cartaz sempre ilegivel e  
maçador, o primeiro caderno fraquinho, onde os assuntos de  
investigação são meros acertos politicos, como se de vingança tratasse  
e um caderno de ecónomia decepcionante, entre outros  
"cadernos" (universidade, sénior, etc) que nem li.

Feitas as contas, perdi quase 3 euros e 1h do meu tempo a ler coisas  
que não são noticia para mim. Como o RAP disse, Maria tem mais  
interesse; tem as perguntas de sexo, para nos mantermos actualizados,  
resumos das novelas, para ter assunto de interesse com elas e os  
horoscopos, para sabermos como vai ser a vida.

Pelo meio, o Expresso perdeu todas as áreas/noticias de tecnologia,  
assunto que lia sempre com pormenor.

//VD
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