From: Celso Galli Coimbra
Sent: Tuesday, May 15, 2001 10:06 AM
Subject: [Direito_Saude] ORGAOS HUMANOS, UM BOM NEGOCIO ?

Direito_Sa�de -- 15.05.2001
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As informa��es desse grupo
s�o livres para divulga��o.
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O artigo seguinte refere-se
a epis�dios de 1998.
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SCIENCE PRESS - ARTIGO JORNAL�STICO


�RG�OS HUMANOS, UM BOM NEG�CIO ?

Por qu� a nova lei de doa��o de �rg�os n�o "pegou" no Brasil? Porqu� milh�es de brasileiros ao tirar ou renovar sua carteira de identidade fizeram quest�o de deixar explicitamente: "N�o doador".

Ser� que o povo brasileiro perdeu a sensibilidade? Onde foi parar nossa caracter�stica de religiosidade; nossa solidariedade, mesmo que motivada apenas pela como��o coletiva; onde est� aquele nosso sentimento mais nobre para com o pr�ximo, que pelo nosso simples ato de doa��o pode faze-lo voltar a uma vida normal atrav�s de um transplante de rim ou c�rnea? Se voc� quer uma resposta, eu ouso dizer que pode existir.

O povo brasileiro ainda preserva tudo isso, sim. Ent�o porque negar um �rg�o que, com a morte oficializada, a terra ir� de comer?  Mesquinhez?  Burrice?  Ego�smo?

Talvez essa hist�ria, que contarei agora – e que gerou uma desconfort�vel, por�m saud�vel pol�mica - ajude a conhecer um pouco do como e porqu� um povo pode agir. Na sua ignor�ncia ou na sua sabedoria. Se certo ou errado, n�o sabemos. Mas toma suas decis�es.

No final do ano passado o  "Jornal Nacional"  fez uma reportagem que ningu�m assistiu.  Nem eu, nem voc�.  Quem revela � o articulista do "Observat�rio de Imprensa",  Victor Gentilli.

Foi mais ou menos assim: a fam�lia de um doador de �rg�os, que n�o conseguia ter o seu desejo satisfeito, devido � inefici�ncia do sistema de capta��o, encontrou naquele programa jornal�stico um �timo parceiro para a solu��o do caso.

A equipe foi pra l�.  E veio a surpresa. O hospital que diagnosticara morte cerebral, portanto apto para a retirada de �rg�os, anunciava na manh� seguinte que o paciente manifestou sinais vitais. "O morto estava vivo!", escreve Gentilli. O "JN" anuncia com discri��o e passa pelo caso sem aprofundar-se. Mais um dia se passa e vem outra nota do hospital: "o diagn�stico do dia anterior estava errado: o paciente tivera mesmo morte cerebral".

A quest�o da morte cerebral est� longe de ser uma unanimidade. Segundo o advogado Celso Galli Coimbra, em coment�rio sobre o caso, informa que at� a comunidade cient�fica tem suas d�vidas e merece "revis�o dos crit�rios �diagn�sticos� da morte encef�lica, absolutamente carentes de fundamentos providos da menor seriedade com a vida humana".

O racioc�nio � simples: se eles n�o se entendem, que diremos de n�s, doadores de carteirinha, com motivos de sobra para n�o confiar no nosso sistema de sa�de. Sobre o tema, ainda segundo Galli, o Conselho Regional de Medicina do Estado de S�o Paulo (Cremesp) legitimou a discuss�o p�blica do assunto. O conselheiro da entidade, neurologista C�lio Levyman, em longo debate na TV Cultura afirmou que o teste de apn�ia – desligar o aparelho respirador para confirmar ou n�o a morte do paciente- n�o durava dez minutos, mas sim dois ou tr�s. "Se durasse dez –tempo estipulado pelo CFM - seria um desastre para a vida do paciente".

Mesmo, em sua imensa maioria, existindo bons, importantes e �ticos servi�os de transplantes, a quest�o da doa��o de �rg�os no Brasil n�o passa pela falta de solidariedade de um povo, mas sim pela gritante aus�ncia de credibilidade de um sistema.

S� lembrando que os �rg�os humanos s�o bem cotados no mercado negro internacional. �ndia e Brasil est�o entre os importantes fornecedores dessa mat�ria-prima.  O filme "Central do Brasil" d� um toque legal, embora n�o o priorize, sobre esse tipo de tr�fico. Crian�as s�o, geralmente, as maiores vitimas deste com�rcio duplamente criminoso. Est� mais do que na hora de discutirmos isso.

 

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