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O povo que n�o se
v�
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Opini�o
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Rubem Azevedo Lima
Os festejos do Dia da P�tria t�m trazido a muitos brasileiros um travo de tristeza e nostalgia nos �ltimos anos. Comemora-se, na data, a soberania do pa�s, que, pelas voltas que aqui se deram e se d�o, � mais virtual do que real. Em tempos melhores, embora nossa independ�ncia tamb�m n�o fosse completa, ao menos proteg�amos o patrim�nio nacional da cupidez dos pa�ses ricos e seus banqueiros.
Firmaram-na, entre outros
constituintes, Ulysses Guimar�es, Severo Gomes, M�rio Covas, Delfim Netto,
Jarbas Passarinho, Bernardo Cabral, Lula, o ex-presidente Itamar Franco e o
atual, FHC. Severo inseriu na Constitui��o um dispositivo lapidar, o artigo 219:
‘‘O mercado interno integra o patrim�nio nacional e ser� incentivado de modo a
viabilizar o desenvolvimento cultural e socioecon�mico, o bem-estar da popula��o
e a autonomia tecnol�gica do pa�s, nos termos de lei federal’’.
Belas palavras, mas natimortas. FHC,
presidente de maior mandato que o pa�s j� teve pelo voto e um dos entusiastas
subscritores da Constitui��o, esqueceu o que devia defender. H� dias, ele cunhou
o lema ‘‘Exportar ou Morrer’’, depois mudado na forma, por�m n�o no conte�do,
que nos obriga a produzir para vender no exterior.
Sob FHC — sete anos de liberaliza��o
financeira fren�tica — vendemos 75% do patrim�nio estatal por US$ 100 bilh�es e
abrimos nossa economia, sem compensa��o alguma para o pa�s. Nossas d�vidas
passaram de 28% do PIB para 52,5%. Este ano, o d�ficit de transa��es correntes
ser� de US$ 27 bilh�es. O desemprego sobe, os sal�rios baixam e o mercado
interno, fragilizado, esboroa-se.
O governo, cujos feitos inesquec�veis
ser�o a conquista do direito de reelei��o e a crise de energia, aprovou o que
quis, no Congresso, com o apoio de sua legi�o de neobigorrilhos. Mas, sabedor do
poder dos mercados, FHC, sem explica��o alguma — talvez por miopia hist�rica e
pol�tica —, ignorou o potencial de nosso mercado interno, congelando-o, pois, na
baixa da crise atual.
No �ltimo Dia da P�tria faltou um pouco
de sentimento de p�tria. Foi como se essa tivesse morrido, por abulia, desleixo
ou sabe-se l� o qu�, dos que a governam olhando para o exterior. E, aqui, fora
de elei��es, mal v�em o povo e quanto ele vale.
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