[Cristiane]   "Quando nasci e depois cresci, feito cega e crian�a, porque n�o percebia a desumanidade das pessoas, n�o imaginava que o comando do mundo � ego�sta. E que ele, este comando ego�sta e "desconhecido" investe em tudo o que pode se traduzir em lucros.
[Claudius] O ego�smo, travestido de progressismo, tem sido o regente da involu��o humana atrav�s dos mil�nios;
Houve um dia infeliz e m que um macaco resolveu descer de uma �rvore para obter mais comida. Foi o primeiro passo; e foi um grande sucesso.
Imagino que tal gesto deva ter levado este macaco ao posto de "governador do cl�".
Isso despertou a inveja de um outro macaco, que podia n�o ser o mais forte, mas era o mais ardiloso.
Este macaco criou a Pol�tica e tentou depor o Primeiro Governador; mas o Primeiro Governador gozava de algum prest�gio e percebeu - se que n�o seria poss�vel tira - lo de seu posto sem um Derramamento de Sangue.
Houve ent�o o Primeiro Golpe de Estado e muito sangue tem sido derramado desde ent�o, em nome da Lei, da Ordem e do Progresso.
A Lei e a Ordem, em nome do Progresso, j� naqueles tempos, criaram um mito chamado Propriedade (na �poca possu�a - se as f�meas e algumas �rvores; desde ent�o isso t�m mudado e muito, alguns dizem que para melhor. possui - se im�veis, j�ias e contas numeradas em para�sos fiscais); este mito criou a figura do Propriet�rio (que � quem se alimenta das Posses). 
O Propriet�rio, desde aqueles tempos, habituou - se a Possuir. Gosta da Posse. E busca Possuir cada vez mais.
E, se para isso, � preciso que muito sangue seja derramado, muitas lagrimas encham incont�veis vales e muitas vidas sejam ceifadas cruelmente, pouco importa.
O que importa � a Lei, a Ordem e o Progresso.
Muito sangue ainda h� de ser derramado, em nome da Lei.
Muitos vales ser�o preenchidos, em nome da Ordem.
Muitas vidas ainda ser�o ceifadas, em nome do Progresso.
E o Propriet�rio ainda vai Possuir muitas coisas ind�bita e prazerosamente.
Nada tenho contra a posse; pois a posse � justa se decorrente de trabalho, esfor�o e sacrif�cio. H� muitas outras posses perfeitamente justas e, mais uma vez, repito, nada tenho contra a posse, se ela n�o vem de meios esp�rios que me recuso a enumerar.
Ocorre que a posse � muitas vezes obtida �s custas do sofrimento de outros e ainda � aplaudida como Um Grande Feito, Uma Grande Vit�ria.
Um exemplo claro disso ï¿½ o "remanejamentos de pre�os" dos rem�dios para controlar a infec��o por HIV, depois que "algumas patentes" (posses) foram <QUEBRADAS>. Alguns deles sofreram uma redu��o de 80% em seus pre�os.
N�o � preciso ser um g�nio da economia para traduzir este montante em <USURA>.
Esta <USURA> era cobrada para que vidas humanas fossem mantidas em funcionamento e para que servissem, indevidamente, de pec�lio.
Eu sou um pec�lio. Enquanto viver serei uma garantia de algum faturamento para alguns laborat�rios.
Chego a pensar que devo ser agradecido aos laborat�rios...
Por outro lado, h� uma infinidade de dramas de sa�de, de etiologia obscura e complexa, que atingem poucas pessoas e n�o d�o <MUITO LUCRO>.
Estes dramas permanecem "esquecidos", porque n�o afetam <MUITAS PESSOAS> e n�o s�o <UM GRANDE MERCADO>.
Os antigos mercados �rabes vendiam de tudo: Incenso, mirra, alguns cabritos, bodes, especiarias etc. N�o comercializavam com a sa�de humana.
Os antigos mercados ï¿½rabes faliram por falta de clientes, sufocados pelos grandes propriet�rios, que muitas vezes ***perdem*** algum dinheiro (posse) apenas para levar ï¿½ fal�ncia seus competidores honestos e inc�modos; depois, o Grande Mercado de Vidas Humanas compensa a perda, imolando mais uma d�zia em sacrif�cios pungentes.
O mesmo Janota que aparece na TV fazendo apologia � Moral e aos Bons Costumes enriquece gradativa e paulatinamente com a venda de �lcool em botecos espremidos entre barracos onde se alojam os degredados do Grande Mercado. Se questionado sobre as conseq��ncias do alcoolismo, dir� que s�o seres perdidos, indignos de alguma aprecia��o.
Usar� um belo terno e bons sapatos enquanto faz este discurso. E ser� admirado e aplaudido. Amanha, certamente ser� engolido por outro mais h�bil, mais cruel, mais sagaz... A�, ser� esquecido. Talvez se mate de tristeza, e a id�ia n�o me parece de toda ruim, muito embora eu o prefira vivo e sofrendo, porque � justo que sofra, e muito, as conseq��ncias de sua crueldade.
Aquele que o engoliu viver�, cedo ou tarde, drama semelhante, e eu terei muitas palavras �cidas para cada um deles, pois meu mister tem sido este, o de apontar o �bvio e n�o ser ouvido; ou, se ouvido, me tornar alvo de achaques e remoques... 
Isso tudo � aquilo que alguns loucos soltos pelo mundo chamam de "viol�ncia estrutural".
Conceito abstrato, sem relev�ncia nenhuma diante da Lei, da Ordem e do Progresso, que esta mesmo interessada em paradigmas...
 
 
 
 
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