Falando em guerra

Por Newton Carlos
 
 

Com os atentados terroristas a alvos no cora��o dos Estados Unidos, especialistas levantaram a hip�tese de uma terceira guerra. Os que acham isso um desprop�sito argumentam que guerra incorpora o convencional, emprego de tropas, tanques, canh�es, avi�es, inimigo conhecido, arsenais de regras negociados em Genebra, e o atentado foi n�o convencional, embora ato de guerra.

 

Meras especula��es numa hora em que perguntar � a �nica atividade aceit�vel e afirmar � desperd�cio. H� uma pergunta maior, que se coloca de modo majestoso diante de montanhas de palpites. Como isso foi poss�vel? N�o faz muito se soube que os Estados Unidos e parceiros menores, como Inglaterra e Austr�lia, constru�ram uma rede planet�ria de vigil�ncia

 

Ela tem condi��es, em seus detalhes mais surpreendentes, de interceptar telefonemas privados, meus, seus, de toda a esp�cie humana. Houve inqu�rito a respeito no parlamento europeu. Echel�n, seria o nome. Talvez uma das raz�es do desabafo do senador democrata Christopher Dodd. Impens�vel. O senador falou em "novo tipo de guerra" e recomendou que os Estados Unidos revejam sua estrat�gia de seguran�a.

 

A 28 de julho, o "Los Angeles Times" noticiou que o secret�rio da Defesa, Donald Rumsfeld, apresentou projeto de constru��o de um "bombardeiro espacial". Ele permitir� aos Estados Unidos executarem "r�pidos ataques globais". Qualquer objetivo no universo seria alcan�ado em no m�ximo 30 minutos, com bombas de alta precis�o lan�adas do espa�o, a 100 quil�metros da terra. A volta � base, nos Estados Unidos, n�o excederia uma hora e meia.

 

N�o se trata de militarizar o espa�o, justifica-se o Pent�gono, porque os alvos est�o em terra. Mas o pr�prio Pent�gono confirma que "a for�a a�rea e espacial se transforma em for�a espacial � a�rea". Dominar o espa�o para dominar em terra. Os militares americanos, empurrados pelo governo Bush, se embriagam com guerras das estrelas, enquanto se fala em guerra aqui na terra. Em seu discurso aos americanos Bush, incluiu agradecimentos aos chefes de Estado e de governo solid�rios com os Estados Unidos.

 

 

O atentado pegou o isolacionismo e o unilateralismo de Bush, a id�ia de uma na��o poderosa, cheia de si, a salvo num "bunker", fechada numa fortaleza inexpugn�vel. E afinal se constata que n�o � bem assim. O resto do mundo existe, aprende Bush, numa tr�gica li��o, e os Estados Unidos, mais do que nunca, precisam relacionar-se com esse fato. J� se fala em reuni�o de emerg�ncia do Grupo dos Oito, os sete mais fortes e a R�ssia, por condescend�ncia.

 

Um �nico assunto na agenda, terrorismo. Tamb�m em pauta uma confer�ncia internacional. Depois que a comunidade de intelig�ncia dos Estados Unidos comeu uma tonelada de moscas, instalou-se na Washington de Bush a convic��o de que a luta contra o terrorismo exige compromissos s�lidos ao largo do universo. O senador Dodd dos Estados Unidos deve pedir a ajuda do mundo e saber a quantas andam seus relacionamentos.

 

Afinal Bush persiste em passar ao largo de acordos internacionais, de prote��o do meio ambiente, contra armas biol�gicas, anti-minas terrestres, ABM etc. O recado dos terroristas, admitiu Dodd, foi recebido e a inseguran�a penetrou no �ntimo de cada americano.

 
 
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Edi��o 262 - Correio da Cidadania
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