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N�o tenho nada
contra tais not�cias....
Mas, esta lista n�o
� TRABALHISTA ????!!!!!
----- Original Message -----
Sent: Monday, September 17, 2001 11:57
AM
Subject: [Direito Trabalhista] OUTRAS
PALAVRAS - N� 4 - Sexta, 14/9/01 - A historia proibida
----- Original Message -----
Sent: Saturday, September 15, 2001 11:04 AM
Subject: [Direito_Saude] OUTRAS PALAVRAS - N� 4 - Sexta,
14/9/01
OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE
ATUALIZA��O DO PORTAL PORTO ALEGRE
2002 -- SEXTA, 14 DE SETEMBRO DE 2001 -- N� 4
Veja nesta edi��o:
Quem criou Bin
Laden pode combater o terrorismo?Outras Palavras conta, com
base em textos da revista norte-americana The Nation, a hist�ria
proibida da alian�a entre Washington e Osama Bin Laden.Veja no final desta
mensagem.
Portal Porto Alegre 2002 abre se��o
especial sobre a crise: Leia, em
O Imp�rio procura um inimigo , uma cole��o de an�lises sobre o mundo
ainda mais violento, desigual e antidemocr�tico que os EUA querem criar -- e
sobre como resistir a ele. Textos de Noam Chomsky, ATTAC-Fran�a, Norman
Salomon, Robert Fisk e muitos outros. Entrevista com Adolfo Perez
Esquivel.
Noam Chomsky v� um outro lado do
atentado: "Este crime � um favor para a extrema direita, aquela que
anseia usar a for�a", diz
o ling�ista e ativista pol�tico norte-americano. Uma nota
do ATTAC-Fran�a frisa: "Os ataques que atingiram Nova York e Washington
s�o parte de um terrorismo cego, que n�o saberia encontrar justificativa em
causa alguma".
As raz�es secretas por tr�s da
nova cruzada: Ben Cohen explica
que o or�amento de 344 bilh�es de d�lares para gastos militares, proposto pela
Casa Branca ao Congresso dos EUA, � rigorosamente in�til para combater o
terrorismo. Para justific�-lo, ser� preciso "encontrar" um novo
inimigo.
A S�ndrome de Carlos Massa:
Norman
Solomon e Geov
Parrish mostram que imprensa norte-americana trata os atentados com o
mesmo sensacionalismo usado pelo apresentador "Ratinho" para as ocorr�ncias
policiais. As marcas principais da cobertura s�o o incitamento � revanche, a
demoniza��o dos n�o-brancos e o acobertamento da viol�ncia praticada pelos EUA
contra outros povos.
A hist�ria proibida da alian�a
entre Washington e
Osama Bin Laden Contra a barb�rie dos
extremistas e do Imp�rio, a �nica sa�da � a constru��o de um mundo
novo
"Procura-se inimigo para um or�amento de 344
bilh�es de d�lares". H� alguns dias, ao comentar as despesas militares
in�ditas propostas pela Casa Branca ao Congresso dos Estados Unidos --
inclusive para o programa de militariza��o do espa�o --, a revista
norte-americana Z-Net usou a frase acima para comentar a despropor��o
entre os gastos e a aus�ncia de amea�as que os justificassem. A julgar pelas
not�cias dos dois �ltimos dias, o governo dos EUA j� encontrou o inimigo. O
escolhido � o milion�rio saudita Osama bin Laden, refugiado h� anos no
Afeganist�o dirigido pelos talib�s. Jamais ser� poss�vel combat�-lo, ou evitar
novas carnificinas como a de ter�a-feira, com o novo programa "Guerra nas
Estrelas" -- mas isso n�o importa. Humilhado pelos ataques, Washington precisa
mostrar ao mundo -- e em especial aos mercados financeiros -- que n�o perdeu
capacidade de iniciativa, nem disposi��o para levar adiante seus projetos. A
m�dia oficial evitar� que transpare�a o desencontro entre os riscos reais
representados pelo terror e o que ser� feito a pretexto de combat�-lo.
Sintomaticamente, os jornais j� come�aram a esquecer uma hist�ria cuja
import�ncia para a pr�pria seguran�a norte-americana � crucial, a ser
verdadeira a hip�tese de culpa de Bin Laden. Trata-se da alian�a que
Washington manteve ao longo de anos com seu atual "inimigo n�mero 1", e que
foi indispens�vel para dar-lhe tanto a capacidade de articula��o de desfruta
hoje quanto a aura de suposto "vingador" de mundo �rabe.
No abrigo anti-m�sseis constru�do com dinheiro
americano
Os fatos, quase proibidos na imprensa alinhada ao
sistema, est�o dispon�veis em algumas publica��es alternativas
norte-americanas, entre as quais destacam-se, al�m de Z-Net, a revista
The Nation. Para esta escreve Robert Fisk, um rep�rter veterano e
especializado em quest�es de Oriente M�dio. Seu texto pode ser lido no portal
www.portoalegre2002.net, na nova
se��o O
Imp�rio procura um inimigo Fisk fala com a autoridade de quem se
encontrou v�rias vezes, na condi��o de jornalista, com Bin Laden. A �ltima
delas, conta, foi em 1997, nas montanhas do Afeganist�o. Avistou o saudita na
pose e nos trajes em que aparece costumeiramente na imprensa ocidental. Roupas
afeg�s tradicionais, refestelado em sua caverna, ar tranq�ilo. Bin Laden
aparentou um conhecimento muito superficial sobre a situa��o do mundo.
Atirou-se sobre o jornal que Fisk tinha consigo. Deu a entender que a leitura
lhe trazia muitas novidades, mas abandonou a atividade depois de meia hora.
Preferiu falar sobre sua cren�a na prote��o que lhe seria assegurada por Al�.
Relatou os muitos epis�dios em que, ao enfrentar os ocupantes sovi�ticos do
Afeganist�o, salvou-se porque os foguetes que foram atirados sobre seus
esconderijos deixaram de explodir. Afirmou n�o temer a morte, porque "como
mu�ulmano, acredito que, quando morremos em combate, vamos para o Para�so".
Mas n�o deixou, nem por um instante, o abrigo em que se encontrava. Fisk
registra: era "uma rel�quia dos dias em que combateu os sovi�ticos: um nicho
de oito metros de altura escavado na rocha, � prova at� mesmo de ataques de
m�sseis".
Em nome da vit�ria sobre os sovi�ticos, acordo com os
extremistas
Num outro texto -- um artigo anal�tico assinado
por Dilip Hiro, intitulado "O custo da ‘vit�ria’ afeg�" e tamb�m dispon�vel
(em ingl�s) no portal -- The Nation revive as circunst�ncias da alian�a
que acabaria envolvendo Washington e Bin Laden. O cen�rio � o Afeganist�o; a
�poca, a �ltima fase da Guerra Fria. Em 1979, um golpe militar havia levado ao
poder grupos ligados � Uni�o Sovi�tica (URSS). Anticomunista fervoroso,
Zbigniew Brzezinsky, assessor de Seguran�a Nacional do ent�o presidente Jimmy
Carter, vislumbra uma oportunidade de passar da defesa ao ataque. N�o quer
apenas reinstalar em Kabul um governo aliado ao Ocidente. Pretende disseminar,
entre as popula��es mu�ulmanas da URSS, um tipo de pensamento religioso capaz
de incit�-las ao m�ximo contra o governo de Moscou. The Nation frisa:
havia alternativas, mesmo para os que, como o assessor de Seguran�a Nacional,
estavam empenhados em promover a Guerra Fria. Exitiam no Afeganist�o "diversos
grupos seculares e nacionalistas opostos aos sovi�ticos". Ao inv�s de
apoi�-los, no entanto, a Casa Branca parte para o que julga ser uma cartada
genial. Impulsiona as organiza��es afeg�s mais fundamentalistas, reunidas,
desde 1983, na Alian�a Isl�mica do Mujahedin Afeg�o (IAAM, em ingl�s).
Estimular o fundamentalismo e a Jihad, em favor
dos interesses dos EUA
Washington n�o se contenta em apoiar
diplomaticamente a IAAM. Costura uma alian�a capaz de oferecer-lhe condi��es
financeiras, militares e ideol�gicas suficientes para derrotar os sovi�ticos.
Al�m dos EUA, participar�o da iniciativa o Paquist�o, governado pelo general
golpista Mohammad Zia ul-Haq, e a Ar�bia Saudita, controlada por d�cadas por
uma fam�lia real nababesca e corrupta. O extremismo religioso � o cimento
utilizado pelos norte-americanos para consolidar seus interesses estrat�gicos.
Milhares de afeg�os e paquistaneses s�o atra�dos para campos de treinamento de
guerrilheiros anti-sovi�ticos. Eles s�o dirigidos pelo ISI, servi�o secreto do
Paquist�o. Os instrutores valorizam ao m�ximo a guerra santa (Jihad)
contra Moscou. A Casa Branca quer matar dois coelhos com uma s� paulada. A
suposta defesa do islamismo contra os ateus sovi�ticos serve para consolidar,
no Paquist�o, o poder de Zia ul-Haq, fiel aliado do Ocidente. O terceiro elo
da coaliz�o � a Ar�bia Saudita, onde outro governo pr�-americano, embora muito
rico, necessita de refor�o ideol�gico. Ao longo de alguns anos, os pr�ncipes
sauditas ser�o convidados a "doar" 20 bilh�es de d�lares para a cruzada da
IAAM. Atrav�s da CIA, os Estados Unidos comparecer�o com mais US$ 20 bi. Os
rios de dinheiro verde servir�o para recurtar e formar guerrilheiros
fanatizados e arm�-los at� os dentes. Fazem parte de seu arsenal m�sseis
anti-helic�pteros que ser�o decisivos para enfrentar e vencer tanto o governo
pr�-URSS quanto as pr�prias tropas sovi�ticas, que, em favor de seu aliado,
ocuparam o pa�s em 1979.
Um milion�rio saudita adere a estranhos "lutadores da
liberdade"
� esse clima de extremismo e intoler�ncia
suscitado por Washington que atrair� o saudita Osama bin Laden ao Afeganist�o.
No in�cio dos anos 80, quando chegou ao pa�s, ele era apenas o jovem herdeiro
milion�rio de uma fam�lia de empres�rios do ramo da constru��o. Estava
fascinado pela jihad patrocinada pelos EUA. Foi o primeiro saudita a
aderir a ela, e levou consigo, ao longo do tempo, pelo menos 4 mil
compatriotas. Tornou-se l�der dos "volunt�rios" no Afeganist�o. Aproximou-se
dos dirigentes do IAAM, que, gra�as ao apoio recebido da Casa Branca,
constituiriam anos depois o governo Taliban. Construiu abrigos refor�ados para
dep�sito de armas, participou de a��es guerrilheiras. Jamais lhe faltou apoio
moral do Ocidente. O rep�rter Robert Fisk relata: "Estava no Afeganist�o em
1980, quando Laden chegou. Ainda tenho minhas notas de reportagem daqueles
dias. Elas recordam que os guerilheiros mujahedin queimavam escolas e cortavam
as gargantas das professoras, porque o governo tinha decidido formar classes
mistas, com meninos e meninas. O Times de Londres os chamava de
‘lutadores da liberdade’. Mais tarde, quando os mujahedins derrubaram (com um
m�ssil ingl�s Blowpipe) um avi�o civil afeg�o com tripula��o e 49 passageiros,
o mesmo jornal os chamou de ‘rebeldes’. Estranhamente, a palavra ‘terroristas’
nunca foi usada para qualific�-los"
A partir de 1989, com o colapso do
governo pr�-sovi�tico no Afeganist�o e da pr�pria Uni�o Sovi�tica, os
"volunt�rios" come�aram a voltar a seus pa�ses. Ao retornarem ao mundo �rabe,
explica Dilip Hiro, formaram um grupo � parte, que se tornou conhecido como os
"afeg�os". Tinham marcas muito caracter�sticas. A intoler�ncia e o desprezo
pela vida humana eram os mesmos cultivados sob comando e por determina��o
consciente dos Estados Unidos. Haviam adquirido, nos anos da luta
anti-sovi�tica, alta capacita��o em pr�ticas terroristas. Eram, contudo, menos
inexperientes do ponto de vista pol�tico. Passaram a observar que pa�ses como
a Ar�bia Saudita e o Egito eram governados por elites t�o submissas aos
Estados Unidos quanto era subordinado aos sovi�ticos o governo afeg�o contra o
qual lutaram.
A cobra volta-se contra o ninho em que se
criou
A guerra do Golfo os voltou de vez contra Washington.
Encerrada a campanha contra o Iraque, em 1991, a Casa Branca descumpriu a
promessa de retirar da Ar�bia Saudita -- pa�s onde est�o as cidades sagradas
de Meca e Medina -- as bases militares e os milhares de soldados mobilizados
contra Saddan Hussein. Bin Laden e seus liderados lembraram que isso contraria
a Sharia , lei isl�mica. Em 1993, o rei Fahd, talvez o mais fiel aliado
dos EUA no mundo �rabe, ainda cortejou o milion�rio, chegando a ponto de
nome�-lo para um Conselho Consultivo real. Em 94, depois de novos
desentendimentos, Bin Laden foi expulso da Ar�bia Saudita. Em 96, declarou
uma jihad contra a presen�a norte-americana no pa�s. Afirmou ent�o que
"expulsar do ocupante americano � o mais importante dever dos mu�ulmanos,
depois do dever da cren�a em Deus". Dois anos depois, uma declara��o conjunta
assinada por uma frente de organiza��es fundamentalistas formada por Bin Laden
exortava: "A determina��o de matar os americanos e seus aliados -- civis e
militares -- � um dever individual para todo mu�ulmano que possa faz�-lo em
qualquer pa�s onde isso for poss�vel, com objetivo de libertar de suas garras
a Mesquita de Al-Aqsa [em Jerusal�m] e a Mesquita Sagrada [Meca]. Isso est� em
conson�ncia com as palavras de Deus todo poderoso".
Uma rela��o de amor e �dio com o
terror
Em seu relato para The Nation, Robert Fisk
lembra que Bin Laden n�o � o primeiro aliado com quem a Casa Branca se
relaciona intimamente durante certo tempo, para mais tarde, quando j� n�o
necessita de seus servi�os, acus�-lo -- com ou sem motivos -- de terrorista.
Ele cita os casos de Saddan Hussein, visto como her�i quando atacou com armas
qu�micas o Ir�; ou de Iasser Arafat, considerado "super-terrorista" quando
liderava a luta pela liberta��o da Palestina e mais tarde "respeit�vel homem
de Estado", ao firmar com Israel acordos de paz jamais
cumpridos.
Bastaria olhar para a Am�rica Latina para encontrar outros
m�ltiplos exemplos de rela��es privilegiadas entre Washington e terroristas,
praticantes de golpes de Estado, governantes tir�nicos, corruptos,
torturadores. Num outro sentido, menos direto, por�m mais amea�ador, a alian�a
com o terror est�, ali�s, sendo reeditada neste exato momento. Bin Laden usa a
opress�o dos EUA e de Israel contra o mundo �rabe como pretexto para
justificar sua intoler�ncia e atos criminosos. Todas as declara��es dos
governantes norte-americanos feitas ap�s os atentados indicam que a Casa
Branca pretendem apoiar-se no risco real do terror para desencadear uma
ofensiva militar e pol�tica que, se n�o for barrada, transformar� o planeta
num local muito mais violento, antidemocr�tico e desigual. Talvez por isso, as
sociedades tenham o direito de dizer que, contra a barb�rie dos extremistas e
do Imp�rio, a �nica sa�da � a constru��o de um mundo novo.
Outras Palavras � o boletim de atualiza��o do portal www.portoalegre2002.net. Para
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