Direito_Sa�de e Bio�tica -- 19.09.2001
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Fritz Utzeri   
 
JB ONLINE -- 17.9.2001
 
 

'' Mam�ezinha, minhas m�ozinhas v�o crescer de novo? '' Jamais esquecerei a cena que vi, na TV francesa, de uma menina da Costa do Marfim falando com a enfermeira que trocava os curativos de seus dois cotos de bra�os. Era uma crian�a linda, de quatro anos, a face da inoc�ncia martirizada e que em seu sofrimento n�o conseguia imaginar a extens�o do mal que lhe haviam feito.
 
 

N�o entendia e ainda tinha esperan�as. E n�o era caso isolado.  Milhares de crian�as daquele pa�s foram selvagemente mutiladas por...  ( como qualificar quem faz isso? ) ... em conseq��ncia de mais uma guerra, resultado tardio do colonialismo, ao criar na �frica pa�ses
invi�veis abrigando etnias rivais, exacerbadas pelos colonizadores e massacrando-se com armas que sua gente n�o produz, vendidas por americanos, russos, europeus, israelenses e outros ''civilizados'' de boa consci�ncia e que avaliam seus lucros em lugares como o World Trade Center.    Isso para n�ofalar do Pent�gono.
 
 

Justifica-se um atentado terrorista como o de Nova Iorque? Jamais! Temos visto, dia ap�s dia, pela TV, cenas de destrui��o, tristeza e desespero. Os avi�es continuam entrando nas torres provocando uma esp�cie de anestesia e de vidogueimeza��o muito comuns � nossa era eletr�nica e voyerista.   Fala-se em ''ataque � civiliza��o'' e d� frio na espinha ouvir o semitonto
presidente Bush falar em ''eliminar'' na��es. Estamos todos tristes, mas tristeza e indigna��o s�o grandes porque os atentados ocorreram em Nova Iorque. J� estive v�rias vezes naquelas torres como turista ou a trabalho.
 
 
 
N�o gostava delas, mas eram uma refer�ncia.  � estranho imaginar que n�oest�o mais l�. D�i.
 
 

Mas veja uma foto de Cabul, a capital desse Afeganist�o m�rtir de guerras que n�o s�o suas e v�tima do mais terr�vel fanatismo religioso. � uma ru�na s�. Parece aquelas cidades arrasadas na Segunda Guerra, para n�o falar de Hiroshima e Nagasaki. Mas como em Cabul n�o h� Quinta Avenida nem Central Parque, e como ningu�m vai l� comprar t�nis, videogames ou dar uma esticada depois de passear na Disney, ningu�m se lixa para os milh�es de mortos que
quase 30 anos de guerras infringiram �quele triste lugar.

 

A verdade verdadeira � que n�o somos todos iguais. Uma bomba em Nova Iorque, em Londres ou em Paris desperta a dor do mundo. Mas quando tutsis e utus se trucidam em Ruanda, e morrem 1 milh�o de africanos numa guerra, o assunto � p� de p�gina dos jornais e os neg�cios das industrias de armas continuam de vento em popa.  Que tal fazer cadeia mundial da CNN para mostrar freiras e padres negros mandando homens, mulheres e crian�as entrarem em igrejas e depois darem gasolina para que soldados de etnia inimiga toquem fogo e assem todos vivos?  Quem sabe a� o sangue de um negro, de um afeg�o ou de palestino
possa se aproximar um pouco do valor do sangue ''civilizado''?

 

A grande verdade � que o mundo em que vivemos foi largamente forjado por essa ''civiliza��o'' que agora se diz atacada e clama contra a barb�rie.  Quem cria lobos n�o espere viver com ovelhas. Bin Laden � made in USA, treinado e financiado pela CIA.  O mesmo vale para o Talib�, mil�cia perversa e ginec�foba.  E quem criou Saddam Hussein, hoje inimigo mortal dos
americanos? Quando geraram esses lobos, durante a Guerra Fria, para lutar contra uma ideologia pol�tica, os alquimistas da intelig�ncia  ( ? )  americana alimentaram uma ideologia religiosa e soltaram o diabo da garrafa.   E agora?
 
 


Ao longo da hist�ria, o homem ''civilizado'' globalizou todas as suas mazelas.  A Europa nos explorou vergonhosamente. Ouro do Brasil e prata da Bol�via financiaram a revolu��o industrial a custo zero. Exterminaram povos que aqui viviam, escravizaram milh�es de africanos e chegaram a fazer guerra aos chineses para obrig�-los a fumar �pio. O s�culo 20 foi uma seq��ncia de genoc�dios. Em nosso continente uma sucess�o de ditaduras sangrentas,
sustentados pelo Big Stick, s� geraram morte, fome, injusti�a social, atraso e depend�ncia. No Oriente, essa pol�tica arrogante e predat�ria transformou o isl�, uma religi�o de paz e toler�ncia, dando origem a um fanatismo doentio e letal que n�o encontra guarida ou justifica��o no Cor�o, envolvendo parte dos mu�ulmanos numa ''guerra santa'' (Jihad) de pobres contra ricos, pessoas dispostas a imolar-se e que acreditam numa recompensa eterna por seus atos. Eles t�m uma f�, por mais doentia que seja, e d�o a vida por ela. O que temos n�s a contrapor a gente assim? N�s, hedonistas, materialistas, c�nicos e poderosos. Crist�os de nome, mas incapazes de aprender ou de seguir um s� vers�culo do que disse Jesus. O que nos tornamos?  Que mundo constru�mos?

 

Na era da globaliza��o, em que o neoliberalismo institui o deus mercado que tudo resolve, surgem os efeitos demonstra��o. Primeiro: o Estado � fraco, impotente. � poss�vel hoje a um grupo de indiv�duos determinados p�r de joelhos o maior poder sobre a Terra. Basta saber pilotar, arranjar alguns estiletes, armas vulgares, de revolta de cadeia e dar in�cio ao apocalipse.
 
 
Quem � o inimigo?  O que vai fazer Bush?  Arrasar o Afeganist�o?  Matar centenas de milhares de inocentes? Invadir o Indo Kush, onde se refugia Bin Laden e levar � morte milhares de jovens americanos? Indo Kush quer dizer matador de indianos. Ali, ao longo dos s�culos, desapareceram imp�rios inteiros. Foi nessas terras quase lunares que Alexandre enlouqueceu e morreu acreditando-se um deus.


O segundo efeito � a globaliza��o da guerra. Desde a batalha de Gettysburg, na Guerra Civil, que os Estados Unidos, n�o sabem o que � ter conflito em casa. Para eles a guerra s� chegava pelo cinema, pela TV, como no Vietnam, ou ainda pelas bandeiras envolvendo os caix�es dos jovens soldados mortos al�m mar. Cresci com minha m�e contando como corria para salvar-se de 1.500 bombardeiros americanos e ingleses que vinham despejar sua carga assassina contra Berlim em 1944. Tr�s vezes por dia!  Era horror puro. O mundo estava
em guerra, o nazismo era o mal absoluto e tinha de ser erradicado, mas os avi�es n�o queriam aniquilar chef�es nazistas, tropas ou objetivos militares. Queriam era matar a minha m�e e os milh�es de cidad�os de Berlim que nada tinham com os crimes do nazismo e que s� podiam correr e rezar.


Talvez estejamos apenas assistindo ao come�o de um ciclo que poder� nos levar de volta � barb�rie. Hoje o terror usa avi�es, amanh� poder� usar bombas at�micas ''esquecidas'' em cont�ineres. N�o h� limites para a irracionalidade humana. Mas entrando no caminho do ''olho por olho'' vamos todos acabar cegos, segundo dizia Gandhi.  E n�o nos iludamos.  A hist�ria da humanidade n�o � uma linha ascensional cont�nua em dire��o � luz ou � raz�o.
Podemos muito bem caminhar para tr�s, apesar  ( ou talvez por causa )  de nossa imensa tecnologia e nosso poder.   Roma e o mundo romano em seu auge eram muito melhores do que a Europa em grande parte da Idade M�dia.
 
 

Como manter a paz num planeta onde boa parte da humanidade n�o tem acesso �s necessidade b�sicas mais elementares? Como impedir que os que vivem um cotidiano de guerra e destrui��o, de sangue e �dio, sentindo-se oprimidos e injusti�ados, n�o comemorem?
 
 
Como reduzir o abismo entre o campon�s afeg�o, a crian�a faminta do Sud�o, o Severino da cesta b�sica e o corretor de Wall Street? Como explicar ao menino de Bagd� que morre por falta de rem�dios, bloqueados pelo Ocidente, que o mal se abateu sobre Manhattan? Como dizer aos chechenos que o que aconteceu nos Estados Unidos � um absurdo? Vejam Grozny, a capital da Chech�nia, arrasada pelos russos. Algu�m se incomodou com o sofrimentos e as milhares de v�timas civis, inocentes, desse massacre?
 
 
Ou como explicar � menina da Costa do Marfim o sentido da palavra ''civiliza��o'' quando ela descobrir que suas m�os n�o crescer�o jamais?


Fritz Utzeri � jornalista

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ENDERECOS  E  INSTRUCOES:
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Nao se deixe enganar
pela propaganda transplantista.
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INFORME-SE:    
apenas a *Medicina Preventiva* de baixo custo
ja seria suficiente para evitar a necessidade de
transplantes previsiveis, com origem em declaracoes
de mortes encefalicas  *antecipadas*
para fins de retirada de orgaos vitais.
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ARTIGO: 
"Falhas no Diagnostico da Morte Cerebral",
publicado  na  Revista  CIENCIA HOJE,
n�mero 161, junho de 2000:
http://www.uol.com.br/cienciahoje/chmais/pass/ch161/morte.pdf
===
ARTIGOS
cientificos no site da UNIFESP:
http://www.unifesp.br/dneuro/textos.htm
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ARTIGO:
"Morte Encefalica"
http://www.unifesp.br/dneuro/mortencefalica.htm
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DEMONSTRACAO
cientifica dos efeitos mortais do teste
da APNEIA,   imposto pelo CFM para
declaracao  da  morte  encefalica que
pretende diagnosticar:
http://www.unifesp.br/dneuro/apnea.htm
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ARTIGO:
em ingles sobre a importancia da 
*Penumbra Isquemica*  para a declaracao
da morte encefalica:
http://www.unifesp.br/dneuro/brdeath.html
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MANIFESTACOES PUBLICAS
da comunidade neurocientifica internacional
contraria aos criterios declaratorios
da morte encefalica.
NAO EH VERDADE QUE HA CONSENSO
internacional na declaracao de morte encefalica,
confirme o que dizem os neurocientistas em:
http://www.unifesp.br/dneuro/opinioes.htm 
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DEBATE
internacional da comunidade neurocientifica
sobre os erros declaratorios da morte encefalica
na Revista Cientifica BMJ:
http://www.bmj.com/cgi/eletters/320/7244/1266
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