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----- Original Message -----
From: Antonio Martins
Sent: Monday, October 01, 2001 8:11 PM
Subject: [outraspalavras] OUTRAS PALAVRAS -- N� 9 --
01/10/2001 OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE ATUALIZA��O DO
PORTAL PORTO ALEGRE 2002 --
E se os estrategistas interessados em prolongar a supremacia pol�tica, econ�mica e militar de Washington estiverem, no fundo, satisfeitos com os desdobramentos pol�ticos dos atentados de 11 de setembro? Quem levanta a hip�tese, no editorial do Monde Diplomatique que acaba de sair na Fran�a, � Ignacio Ramonet. "Velhas raposas da guerra fria", diz ele, "os homens que circundam o presidente George W. Bush n�o est�o, sem d�vidas, descontentes com a virada da conjuntura. Talvez considerem at� que tiveram uma sorte grande. Porque, milagrosamente, os atentados lhes restituem um trunfo estat�gico, que o desmantelamento da Uni�o Sovi�tica lhes havia tirado: eles agora t�m um inimigo". Caso as sociedades n�o se mobilizem, "todas as derrapagens perigosas podem agora ocorrer. Inclusive uma moderna vers�o do macartismo, que teria por alvo os advers�rios da globaliza��o". Ramonet lembra os resultados da "cruzada" anterior promovida pelos EUA, contra o comunismo: Eles "participaram de a��es pol�ticas violentas, ilegais e freq�entemente clandestinas na Am�rica Latina, na �frica, no Oriente M�dio, na �sia". As a��es "assumiram em alguns casos car�ter de guerra de exterm�nio". Na �poca, segundo Washington, "apoiar terroristas n�o era necessariamente imoral"... (em franc�s).
Tarso Genro compara a l�gica de Washington � do nazismo "Ao dizer que atacar� os pa�ses que d�o "abrigo" aos terroristas, o presidente dos EUA est� dizendo, na verdade, que poder� matar inocentes", nota o prefeito de Porto Alegre. Ele mesmo estabelece o paralelo �tico: "Hitler quis legitimar a chacina de um povo imputando a toda uma comunidade racial e cultural caracter�sticas negativas de indiv�duos, que podem ser origin�rias de qualquer etnia, ra�a ou religi�o". Tarso n�o deixa de notar, por�m, que, assim como a dos nazistas, a persegui��o desencadeada pela Casa Branca tende a ser seletiva: "Quando Timoty Mc Viegh – um patr�cio fan�tico de Bush – explodiu um edif�cio em Oklahoma, jamais algu�m pensou em ataques indiscriminados contra culpados 'em geral' (...) Por que? Porque na verdade, nesta ca�a ao terror, [Bush] persegue outros fins: os interesses econ�micos e geopol�ticos naquela regi�o da �sia, em benef�cio do Imp�rio e supostamente do povo estadunidense". (em portugu�s)
Hip�tese inc�moda: a CIA por tr�s dos atentados? A manipula��o dos atentados pelo Imp�rio tamb�m � o tema de um texto do brasileiro Luis Fernando Novoa. "Amado inimigo esse, que permite o enquadramento brutal de todas as zonas de instabilidade do planeta. Esperado inimigo esse, apocal�ptico, extra-territorial e invis�vel, que inaugura a necessidade de um sistema de controle e vigil�ncia compat�vel, um panopticum. (...) Nada mais conveniente aos puritanos e fundamentalistas do que um bode expiat�rio para projetar seus erros e eliminar todo o dissenso". Impressionado com a complexidade da opera��o necess�ria para o sucesso dos atentados do dia 11, e ao mesmo tempo os benef�cios pol�ticos que Washington parece disposta a tirar deles, Luis Fernando lan�a uma especula��o arrepiante: n�o ter� havido, em alguma etapa do planejamento e da execu��o dos atos terroristas, participa��o dos pr�prios �rg�os de seguran�a dos EUA? Ele lembra que "os atentados e as incrimina��es e desdobramentos posteriores pertencem a uma l�gica terrorista n�o alheia � da CIA e de seus grupos anexos, as mil�cias de Montana e de Michigan, o movimento neonazista estadunidense, a Ku Klux Klan e aliados "oficialistas" no interior do Partido Republicano, como o vice-presidente Dick Cheney (em portugu�s).
Sob a lideran�a de Washington, uma coaliz�o contra os povos Por que R�ssia, China e �ndia – pa�ses cujos interesses estrat�gicos na �sia Central s�o not�rios – n�o se op�em � ofensiva estadunidense na regi�o? Quem se atreve a responder � o escritor anglo-paquistan�s Tariq Ali, numa entrevista ao jornal franc�s Rouge. Para ele, a Casa Branca est� sendo capaz de oferecer aos dirigentes desses tr�s pa�ses, a possibilidade de liquidar, no rastro da prov�vel campanha contra o Afeganist�o, suas pr�prias dissid�ncias internas. "Os tr�s est�o encantados pela 'guerra contra o terroriosmo'. Eles s�o todos estadunidenses, agora! A �ndia quer esmagar a oposi��o na Cachemira; Putin j� destruiu a Chech�nia e a China tem luz verde para fazer o que quiser. Isso acomoda todos, mas tudo depende da forma como terminar� a aventura". Tariq Ali refere-se, com a �ltima frase, ao risco de Washington perder o controle sobre sua ofensiva contra o Afeganist�o e se envolver numa guerra de muitas v�timas. Nesse caso estaria aberta, segundo ele, a possibilidade de uma revolta ampla no mundo �rabe, contra o derramamento de sangue mu�ulmano (em franc�s).
O encanto afeg�o Por que eleger um pa�s �rido e desimportante, perdido entre o Oriente M�dio, a China, a R�ssia e o Paquist�o, como principal inimigo do temido Imp�rio planet�rio? Ana Ester Cece�a escreve, para a Ag�ncia Latino-americana de Informa��o (Alai), que � justamente essa localiza��o que coloca o Afeganist�o como uma pe�a importante no jogo da Casa Branca. Depois de garantir seu mando dos limites da Europa (Iugosl�via) ao Oriente M�dio (Israel, Ar�bia Saudita e outros aliados), ter um governo afeg�o subserviviente aumentaria o controle sobre uma �rea que concentra 75% das fontes mundiais de petr�leo, al�m de grandes reservas de ur�nio, g�s natural e metais estrat�gicos. Um pa�s subordinado aos EUA, entre China, �ndia e R�ssia, tamb�m colocaria sob press�o na��es que Washington v� como inimigos potenciais. Por meio de sua influ�ncia sobre o Afeganist�o, a Casa Branca assumiria o papel de novo agente nos conflitos regionais, at� ent�o administrados apenas pelas pot�ncias locais. A an�lise de Cece�a inclui as a��es mais recentes do Imp�rio na Am�rica Latina. Plano Col�mbia, Plano Puebla Panam�, Tratado Interamericano de Assist�ncia Rec�proca (TIAR) e acordos como o da base de Alc�ntara, no Brasil, devem ser vistos, segundo ela, como novas jogadas na mesma dire��o: consolidar a rede imperial de controle militar sobre o planeta no momento em que sua hegemonia financeira arrisca-se em uma recess�o interna. (espanhol)
Bilh�es para a guerra, sem dinheiro para comida Centenas de milhares de afeg�os est�o sob risco de morrer nas pr�ximas semanas, de fome ou sede, em virtude do corte dos programas de ajuda humanit�ria. Para salv�-los, seria preciso muito pouco: segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), 252 milh�es de d�lares -- menos de 1/10 do que os EUA entregaram, ao longo dos anos 80, aos terroristas que lutavam contra a domina��o sovi�tica. No entanto, o Acnur recebeu at� o momento apenas US$ 6 milh�es, ou 3% do necess�rio. Em contraste, Washington e seus aliados continuam a liberar todos os dias novas enxurradas de dinheiro para a guerra. Um artigo de Juan Carlos Galindo, do Centro de Colaboraciones Solidarias, da Espanha, explica por que a ajuda humanit�ria � indispens�vel. A maior parte do territ�rio afeg�o � montanhosa e impr�pria para agricultura. Os cultivos nos vales, redutos de fertilidade, foram destro�ados por vinte anos de guerra. Ela tamb�m destruiu os sistemas de irriga��o existentes. A Acnur estima que os estoques de comida s�o suficientes para apenas tr�s semanas. S� na prov�ncia de Fariab, norte do pa�s, h� 500 mil pessoas � m�ngua. Com a chegada do inverno, o flagelo do frio vai se somar ao da fome. As temperaturas chegam a 25 graus abaixo de zero, e um milh�o de indiv�duos vivendo em tendas de campanha. (em espanhol) -- Para assinar Outras Palvras, basta visitar www.portoalegre2002.net e digitar seu endere�o eletr�nico na janela apropriada; ou ent�o enviar email para [EMAIL PROTECTED] N�o � preciso registrar nada, nem no t�tulo nem no corpo da mensagem. Se voc� n�o deseja mais receber o boletim, envie um e-mail para: [EMAIL PROTECTED] ----------------------------------- Endere�os da lista: Para entrar: [EMAIL PROTECTED] Para sair: [EMAIL PROTECTED] -----------------------------------
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