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Antonio Martins
Thursday, November 01, 2001 6:35
PM
[outraspalavras] OUTRAS PALAVRAS --
N� 15 -- 01/11/2001
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OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE ATUALIZA��O DO
PORTAL PORTO ALEGRE 2002 -- I –
INTERNACIONALISMO, ANT�DOTO � GUERRA
Mais de 50 movimentos sociais e
organiza��es ligadas � luta pela transforma��o social em todo o mundo abriram
neste dia 29, em Dakar (Senegal), a segunda reuni�o do Conselho Internacional do
F�rum Social Mundial (FSM). Nosso editor, Antonio Martins, participa da
reuni�o como representante brasileiro do Attac e nos traz um pouco do debate do
primeiro dia da reuni�o. Ler texto completo ao final da
mensagem.
II – ESCONDIDOS
EM QATAR
Nossa voz tem de ser ouvida em Doha “Dois anos depois de Seattle, parece que nossos l�deres n�o aprenderam nada”, reclama a pesquisadora e ativista canadense Maude Barlow, referindo-se aos senhores do com�rcio mundial. A preocupa��o de Barlow est� expressa em um documento fundamental para se compreender a import�ncia do quarto Encontro Ministerial da Organiza��o Mundial do Com�rcio (OMC), que ocorre em Doha, no Qatar, de 9 a 13 de novembro. Barlow faz uma avalia��o do significado de cada um dos principais pontos que estar�o na mesa de negocia��o em Doha, prontos a serem retalhados pela m�o grande do capital. Presidente do Conselho de Canadenses – ONG que conta com mais de 100 mil membros –, Barlow lan�a luz ainda sobre a proposta de cria��o de um Tribunal Internacional do Com�rcio. Mostra, com dados, quem seria o principal benefici�rio dessa proposta: das 117 disputas comerciais entre pa�ses dadas � OMC julgar, os EUA eram os interessados em 50 delas. Definida pela canadense como a “mais poderosa institui��o global de nossos tempos”, a OMC escolheu o Qatar como sede de sua reuni�o para evitar a presen�a de manifestantes como ocorreu quando da �ltima tentativa de acordo de liberaliza��o, em Seattle. Mas o clima ser� apenas em parte diferente do que foi na fracassada “Rodada do Mil�nio”. Barlow alerta que a falta de consenso entre os participantes pode ser uma arma muito mais violenta para um novo fracasso da rodada. Por�m, n�o � isso que deve deixar os ativistas tranq�ilos: “� mais importante que nunca que nosso trabalho continue e que nossas vozes sejam ouvidas”. “Os riscos aos agricultores e aos trabalhadores nunca forma t�o grandes; o roubo das culturas tradicionais � acelerado assim como se espalha o estilo ocidental de monocultura. Devemos exigir mais uma vez: ‘N�o � Nova Rodada’”. (ingl�s)
O que oferecer aos pa�ses subdesenvolvidos para que, em troca, assinem um tratado que em nada os beneficiar�? Esse parece que foi o teor de uma reuni�o realizada em setembro, no M�xico, entre representantes de Canad�, EUA, Jap�o e Uni�o Europ�ia, para definir uma estrat�gia comum durante a confer�ncia da OMC. O encontro no M�xico seria mais uma dessas reuni�es fechadas para tentar tra�ar parte do destino do planeta. No entando, a organiza��o ATTAC conseguiu fazer um relato bastante rico do que foi discutido ali. Segundo a organiza��o, os quatro grandes jogadores da OMC v�em como grande obst�culo para a aprova��o de uma nova rodada a oposi��o que os pa�ses subdesenvolvidos devem apresentar na �rea da agricultura. H� tempos, eles j� exigem uma liberaliza��o da �rea agr�cola que garantiria, em sua vis�o, maior acesso aos mercados consumidores do centro capitalista. Segundo o ATTAC, o mais prov�vel � que haja pequenas concess�es �s na��es do Sul, desde que o acordo n�o apresente restri��es aos milion�rios subs�dios que os pa�ses desenvolvidos concedem � exporta��o agr�cola. (franc�s)
Para tratar as v�timas de antraz, os m�dicos devem usar um rem�dio que custa U$ 1,83 por cartela ou outro, de mesma qualidade, pelo pre�o de U$ 0,12 cada 500 cartelas? Pelas regras atuais da OMC, n�o h� escolha. Para respeitar o acordo internacional de patentes, as v�timas de antraz s�o obrigadas a comprar o primeiro medicamento, chamado Cipro e vendido pela alem� Bayer. A segunda op��o – que usa o mesmo princ�pio ativo, a ciprofloxacina – � fabricada pela Ranbaxy, sediada na �ndia, pa�s que n�o aceitou totalmente o acordo de propriedade intelectual. Um caso, relatado em mat�ria de Ranjit Devraj para a ag�ncia IPS, que comprova que o fantasma do terrorismo n�o serve para justificar uma nova rodada de liberaliza��o em Qatar, como vem sendo argumentado pelos neoliberais. (espanhol)
III – ESPALHADOS PELO MUNDO
Reconstruir o planeta, a partir da sala de aula A educa��o p�blica tem, ao lado dos movimentos sociais, papel central na constru��o de um novo mundo, afirma a Carta de Porto Alegre. O F�rum Mundial de Educa��o, evento que reuniu cerca de 15 mil pessoas na capital ga�cha at� sexta-feira passada, culminou nesse documento. De vi�s claramente humanista, o texto destaca a import�ncia da educa��o p�blica na batalha pela paz e reafirma��o do respeito �s diferen�as: “Uma luta especial e necess�ria � exigida, para que entendamos que quaisquer que sejam suas cren�as, modos de viver, gostos, sentimentos, (...) o ser humano � sempre um ser humano sujeito de direitos. A educa��o, condi��o necess�ria para o di�logo e para a paz, tem um papel importante nessa luta”. A Carta faz uma importante avalia��o de conjuntura internacional, onde v� o momento atual como sendo “de ruptura”. Por isso, o grito de que outro mundo � poss�vel ecoa em todos continentes do globo, devendo ser cada vez mais amplificado por “for�as, organiza��es e setores que entendam a necessidade de uma radical mudan�a nas propostas econ�micas em realiza��o em escala mundial”. “Tanto o desequil�brio entre o Norte e o Sul e o fosso crescente entre ricos e pobres, quanto o perigo da viol�ncia origin�ria dos irracionalismos que amea�am toda forma de civiliza��o” ficaram mais claros ap�s os atentados de 11 de setembro, afirma a Carta. (portugu�s)
Coordenar os meios de comunica��o alternativos e comunit�rios j� existentes, formando uma rede que suplante o bloqueio mantido hoje pelas grandes cadeias de informa��o. Esta � a principal tarefa dos comunicadores hoje, segundo os participantes do Congresso de Jornalistas Latino-americanos e Caribenhos, que se realizou este m�s em Havana. Para alcan�ar esse objetivo, v�rias foram
as tarefas apontadas durante o encontro. Uma delas � exigir do poder p�blico que
garanta, como um direito b�sico, a comunica��o plural nas sociedades. E
estabelecer uma forma��o universit�ria que d� vis�o glogal aos jornalistas,
acabando com o mito do rep�rter t�cnico e imparcial. Esses e outros relatos
sobre o congresso est�o em uma mat�ria do jornal chileno El
Siglo. (espanhol)
Reuni�o do Conselho Internacional do F�rum Social Mundial Este � o pen�ltimo encontro do Conselho Internacional antes do pr�ximo F�rum de Porto Alegre, que ocorrer� entre 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Como se previa, o evento est� sendo marcado pelo debate sobre as conseq��ncias dos atentados de 11 de setembro e a guerra de revide desencadeada pelos Estados Unidos. No primeiro dia, esbo�ou-se uma unidade not�vel entre os presentes. A ampla maioria das interven��es concentrou-se no esfor�o de rearticular a resist�ncia global ao neoliberalismo e lutar por alternativas, na conjuntura dif�cil que surgiu ap�s o in�cio da guerra. Nos outros dias da reuni�o, foi discutir em detalhes a "arquitetura" do FSM 2002. Est�o presentes a Dakar alguns dos personagens mais destacados do nascente movimento global contra o neoliberalismo. Um deles, o franc�s Bernard Cassen, que preside o grupo ATTAC em seu pa�s, lembrou que a pr�pria caracter�stica internacionalista do movimento faz dele um ant�doto aos preconceitos e aos �dios �tnicos. "Aqui, �rabes e judeus, negros e brancos, latino-americanos e estadunidenses, mu�ulmanos e crist�os convivem e buscam juntos um mundo marcado pela solidariedade", frisou Cassen. Internacionalismo como ant�doto � guerra O filipino Walden Bello, do Focus on the Global South, advertiu que, apesar dos fracassos sofridos pelos EUA no terreno militar nos �ltimos dias, "n�o devemos subestimar a longa experi�ncia b�lica da Casa Branca, nem sua capacidade de aprender com os erros do passado". Recordou que, desde a primeira hora, estavam claros os objetivos imperiais da guerra: "O World Trade Center ainda estava em chamas quando o secret�rio de Com�rcio dos EUA afirmou que a melhor maneira de combater o terror � ampliar o ‘livre’ com�rcio". O mesmo Bello afirmou que, embora seja necess�rio adotar muita flexibilidade t�tica, ap�s 11 de setembro, o movimento n�o deve recuar de suas posi��es estrat�gicas: "s� mantendo acesa a esperan�a de um mundo novo, desmercantilizado, poderemos nos apresentar como alternativa aos projetos do Imp�rio". O belga Fran�ois Houtart, do F�rum Mundial das Alternativas, destacou um dos principais desafios dos que lutam por um internacionalismo da solidariedade: "� preciso articular os novos movimentos com as organiza��es dos trabalhadores, que se op�em diretamente ao capital. Precisamos compreender que se tratam de culturas diferentes de resist�ncia, e que portanto a tarefa n�o � f�cil – no entanto, continua indispens�vel". Bem mais pol�mica foi uma proposi��o apresentada por Francisco Whitaker, da Comiss�o Brasileira de Justi�a e Paz. Ele sugeriu que os movimentos que se re�nem em torno do F�rum Social Mundial iniciem, no pr�ximo ano, um di�logo com a ONU, FMI, Banco Mundial e governos dos diversos pa�ses, visando encontrar sa�das para o combate � fome e ao risco de "destrui��o do mundo". Disse ver na proposta uma forma de retomar a iniciativa e recuperar visibilidade, ap�s 11 de setembro. Foi contestado, entre outros, pelo belga Eric Toussaint, do Comit� pela Anula��o da D�vida Externa do Terceiro Mundo (CADTM). "Abrir este di�logo agora, quando estes senhores precisam se esconder atr�s de grandes e muros para realizar seus encontros, seria oferecer-lhes uma relegitima��o inaceit�vel", disse Toussaint. 50 mil contra o neoliberalismo em 2002 Come�ou a ser tocado ontem, e avan�ar� hoje, o debate sobre a pauta m�ltipla do FSM 2002, tratada pelos organizadores como a "arquitetura" do evento. Eles est�o diante de um "bom problema". Mais de 50 mil pessoas s�o esperadas em Porto Alegre 2002, e ser� preciso oferecer a elas oportunidade de participar ativamente dos debates. A primeira resposta dos organizadores � espalhar o II FSM por toda a cidade de Porto Alegre, e n�o mais apenas pela Universidade Cat�lica. As grandes reuni�es (confer�ncias) ocorreriam em anfiteatros para 2 mil pessoas, pelo menos. Seu n�mero passaria de 16 para 26. As oficinas e semin�rios devem se multiplicar, assim como os grandes debates com personalidades da resist�ncia ao capitalismo global. Esse ser� o tema do pr�ximo Outras Palavras.
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