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OUTRAS PALAVRAS -- BOLETIM DE ATUALIZA��O
DO PORTAL PORTO ALEGRE 2002 --
28 DE SETEMBRO DE 2001 -- N� 8
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I. O MUNDO ENTRE A GUERRA DO IMP�RIO E A LUTA PELA PAZ
Tr�s manifesta��es no Brasil pedem um planeta justo e sem guerras
Uma paz constru�da com o fim da desigualdade, que alimenta tanto
a viol�ncia terrorista dos Estados quanto os atentados extremistas.
� o que pedem as pessoas que estar�o presentes a tr�s manifesta��es
que ocorrer�o entre sexta-feira a domingo, em S�o Paulo.
Leia texto ao final desta mensagem.
Bush ataca direitos b�sicos e j� quer licen�a para torturar
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Uma nova iniciativa da Casa Branca deu raz�o,
esta semana, aos que viam na mobiliza��o militar decretada
pelo governo estadunidense uma grave amea�a � pr�pria
democracia.
No dia 22, o advogado-geral dos EUA, John Ashcroft,
prop�s ao Congresso, em regime de urg�ncia m�xima,
um pacote de medidas que amea�a o direito de ir e vir,
_as liberdades dos imigrantes_, o sigilo de correspond�ncia
e o pr�prio _direito � vida_.
Entre outros pontos, a proposta da Casa Branca permite
deter estrangeiros por tempo indeterminado; basear a deten��o
em "provas secretas", _n�o apresentadas sequer a ju�zes e advogados_;
violar correspond�ncia, chamadas telef�nicas e mensagens
via internet e usar como prova, em processos judiciais,
grava��es e provas obtidas por meios ilegais
- inclusive tortura,
desde que n�o praticada em territ�rio estadunidense...
Uma coaliz�o de movimentos em defesa dos direitos humanos
iniciou imediatamente uma campanha contra as medidas.
Pressiondo, o Congresso decidiu, na ter�a-feira � noite,
adiar a vota��o. O presidente George Bush apressou-se em
sustentar as propostas, afirmando que
"s�o exig�ncias ponderadas".
Apesar das d�vidas do Legislativo, presos pol�ticos conhecidos
nacionalmente - entre eles o sacerdote e ativista cat�lico
Phillip Berrigan e o dirigente ind�gena Leonard Peltier -
foram colocados em celas solit�rias, sem contato com o mundo.
Leia relatos dos jornalistas Jim Cason e David Brooks
(para La Jornada, em espanhol) e de S�rgio Rodrigues
(para o Jornal do Brasil, em portugu�s).
Documentos comprovam: Washington usa �gua
para matar crian�as iraquianas
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Um exemplo do que pode ser a guerra suja da Casa Branca
est� em um artigo revelador publicado por www.portoalegre2002.org.
"A principal causa de morte de crian�as com menos de 5 anos
no Iraque, a diarr�ia, ganhou propor��es epid�micas e foi multiplicada
por 5 depois do embargo da ONU ao pa�s".
O trecho acima foi extra�do de uma s�rie de relat�rios
da Casa Branca, elaborados pela Ag�ncia de Intelig�ncia
da Defesa. Os documentos foram trazidos � tona por Thomas
Nagy, da revista Progressive, e comprovam: Washington sabe
que o embargo econ�mico ao Iraque
provoca a morte de milhares de crian�as.
"Os iraquianos s�o muito dependentes de equipamentos
especializados e alguns produtos qu�micos para purificar
os seus suprimentos de �gua", afirma um dos relat�rios,
de 22 de janeiro de 91. "Com a falta desses produtos e equipamentos,
provocada pelo embargo da ONU, o pa�s entrar� em uma escassez
de �gua pot�vel para a maioria da popula��o.
Isso levar� a incidentes graves, de epidemia e doen�a",
conclui o relat�rio.
"Particularmente as crian�as" s�o v�timas de diarr�ia,
giardia, rotav�rus e salmonella. (em ingl�s)
Ofensiva militar dos EUA poderia ir muito al�m do Afeganist�o
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Quais os limites de uma guerra cujos inimigos n�o foram nomeados?
O s�tio eletr�nico Alternet publica artigo em que Michael T. Clare,
especialista em estudos sobre guerra e paz do Hampshire College,
sugere uma resposta tenebrosa. T. Clare baseia-se nas declara��es
p�blicas feitas at� o momento por autoridades - entre elas, o discurso
em que o presidente George W. Bush fala num conflito que n�o terminar�
"at� que cada grupo terrorista com alcance global
tenha sido encontrado, paralisado e destru�do".
Vislumbra uma ofensiva militar que poderia atingir,
al�m do Afeganist�o, diversos pa�ses do Oriente M�dio
(em particular, Iraque e L�bano), a �sia Central (Uzbesquist�o
e Tajiquist�o) e a �frica (Sud�o).
Considera pouco prov�vel o desembarque maci�o de soldados
do Imp�rio em batalha terrestre -- mas muito poss�vel a atua��o
em conjunto com pa�ses subalternos, como Israel e R�ssia.
N�o descarta a cria��o, por Washington, de outros teatros
de guerra, j� que o secret�rio da Defesa, Donald Rumsfeld,
fala num conflito que s� terminar� quando
_"pudermos garantir nosso modo de vida"_. (em ingl�s)
Uma hip�tese perturbadora:
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e se os atentados forem o inc�ndio do Reichstag
de nossa �poca?
Embora o FBI tenha mobilizado milhares de agentes
na ca�a aos terroristas, mais de duas semanas se passaram
ap�s 11 de setembro, e n�o apareceu nenhuma pista capaz
de apontar com precis�o como foi montada a opera��o
que conduziu aos atentados, nem quem o comandou,
e de que forma. Apoiado em fatos estranhos como este,
o soci�logo russo Boris Kagarlitsky levanta, num artigo para
o jornal Moscow Times, uma hip�tese perturbadora:
_*e se os atentados forem, como o inc�ndio do Reichstag alem�o,
um crime cujos autores s�o propositadamente trocados,
para obter fins pol�ticos precisos?*_
Kagarlitsky lembra que h� uma contradi��o not�vel
entre certas caracter�sticas dos atentados e a estrutura
das organiza��es terroristas que se dizem associadas
ao islamismo.
Estas caracterizam-se por um estrutura extremamente
simples e pulverizada. Os atentados do dia 11, em contrapartida,
foram "muito cuidadosamente coordenados, os m�nimos detalhes
foram examinados e n�o houve falhas em nenhum est�gio importante.
Aparentemente, a opera��o foi organizada e executada por gente
que tinha
_livre passagem em todo o pa�s e era considerada insuspeita"_.
O soci�logo sugere a hip�tese de um atentado promovido
por grupos estadunidenses de extrema direita, que podem ter usado,
para execut�-los, indiv�duos de nacionalidade �rabe. (em ingl�s)
II.ORIENTE M�DIO, FOCO DE CONTRADI��ES
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Governos �rabes s�o autorit�rios, mas vulner�veis
Um dos principais intelectuais de esquerda do mundo �rabe,
o economista eg�pcio Samir Amin, d� uma dica sobre os poss�veis
desdobramentos da desestabiliza��o pol�tica gerada no Oriente
M�dio a partir das constantes amea�as de
terror da Casa Branca ao Taleb�.
Em uma entrevista anterior aos epis�dios de 11 de setembro,
Amin faz uma an�lise ampla da hist�ria e da perspectiva
dos movimentos sociais no mundo �rabe.
E afirma que o equ�librio regional � extremamente delicado,
envolvendo diversos personagens
(gigantes do petr�leo, popula��es expropriadas
de sua terra, judeus, conflitos por �gua, grupos
religiosos extremistas, ...).
Uma altera��o qualquer poderia facilmente,
segundo ele, desestabilizar os sistemas pol�ticos
autorit�rios que administram a regi�o,
_com apoio estadunidense_.
Para Amin, apesar de autocr�ticos,
esses governos s�o vulner�veis a agita��es internas.
O economista, que dirige o F�rum do Terceiro Mundo,
lembra que h� ainda outro fator que soma-se a este quadro:
a ascen��o, ainda incipiente,
da esquerda �rabe. (em espanhol)
III.DEPOIS DOS ATENTADOS,
O MUNDO QUESTIONAR� SEU MODO DE VIDA?
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Mega-edif�cios versus apropria��o social da cidade
O desastre das torres g�meas - assim como tantas outras
trag�dias envolvendo edif�cios, em terremotos e furac�es --
obrigam-nos a pensar na "sociedade de risco", representada
pela aglomera��o de trabalhadores em grandes pr�dios.
Eduardo Gudynas, do Eco Portal, defende, em vez disso,
a apropria��o social das cidades. (em espanhol)
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S�o Paulo contra a guerra
Fim de semana ter� ato pol�tico e cultural na sexta-feira,
teatro de rua no s�bado e Forr� Social Mundial no domingo
J� n�o est�o sozinhos brasileiros que repudiam
os atentados terroristas cometidos contra a popula��o de Nova York
e Washington, mas que n�o
se conformam em assistir passivamente � guerra
de revide preparada pela Casa Branca.
Come�a sexta-feira, em S�o Paulo, uma s�rie de manifesta��es
populares contra os planos militares do Imp�rio.
As atividades v�o se estender por todo o fim de semana.
Reunir�o trabalhadores, estudantes, sem-terra e sem-teto,
partidos progressistas, batalhadores pelos direitos humanos,
pela igualdade, contra o racismo e os preconceitos.
Somar�o discursos pol�ticos e interven��es art�sticas.
Transmitem uma mensagem de esperan�a: est� se espalhando
pelo mundo a id�ia de que a luta contra o
neoliberalismo
por um novo mundo estar� associada, ap�s 11 de setembro,
� batalha pela paz.
E servem como alerta: haver� resist�ncia em muitos pa�ses,
se o governo estadunidense levar adiante a id�ia de promover
uma guerra cujos objetivos - a cada dia fica mais claro -
_*s�o ampliar a supremacia militar do Imp�rio,
salvar sua economia periclitante e atingir o movimento
nascente contra o neoliberalismo*_.
Sexta-feira de luta e de arte
A primeira manifesta��o est� marcada para sexta-feira,
na Pra�a Ramos. ATTAC, MST, CUT, UNE, movimento
dos sem-teto, Uni�o de Negros pela Igualdade, F�rum Regional
do Movimento Hip-Hop do ABC, gr�mios estudantis e outras
entidades promovem, das 15 �s 18 horas, um ato pol�tico e cultural.
Como de costume, os organizadores falar�o � popula��o,
apresentanto seus argumentos e propondo ades�o � campanha
contra a guerra.
Ter�o a companhia de artistas que sonham
com a trasnforma��o da sociedade.
A banda de reggae Le�es de Israel cantar� m�sicas de Bob Marley,
entre elas War. O Centro Universit�rio de Cultura e Arte (CUCA-UNE),
formado por atores e atrizes, far� apresenta��es de dan�a.
O forr� ficar� por conta da banda Macamba, constitu�da
por trabalhadores do Centro Cultural Elenko-KVA. Dar�o
seu recado em seguida as posses de hip-hop Rota��o 1 e
NegroAtividades. Quando o ato estiver chegando ao fim,
integrantes delas pr�prias grafitar�o uma enorme faixa
contra a guerra, que ser� em seguida assinada por todos
os presentes, para constituir um s�mbolo do posicionamento
pacifista da cidade. �s 18 horas, os manifestantes seguir�o,
em passeata, rumo ao Largo de S�o Francisco,
onde ir�o se encontrar com estudantes da Faculdade de Direito
da USP. Lan�ar�o de l�
o Movimento S�o Paulo contra a Guerra.
S�bado ter� teatro na avenida
A s�rie de atos pela paz continua s�bado.
Grupos de jovens inspirados pela A��o Global dos Povos,
um movimento internacional de tend�ncia autonomista,
v�o quebrar a rotina da Avenida Paulista para uma apresenta��o
de teatro coletivo. O local de encontro � o pr�dio da Caixa Econ�mica
Federal, pr�ximo ao MASP. Divididos em dois grupos,
os manifestantes simular�o uma guerra. Querem chamar aten��o
para o car�ter de barb�rie e irracionalidade dos conflitos militares.
Pretendem, al�m disso, lembrar que o espa�o urbano
n�o se presta apenas, para o transporte de mercadorias:
as ruas, pra�as e avenidas precisam ser tamb�m,
e acima de tudo, palcos para a manifesta��o dos cidad�os,
o lazer, a arte, a confraterniza��o.
Ter�o a companhia de integrantes
do ATTAC e de gr�mios secundaristas.
Domingo, F�rum Social Mundial e forr�
Um festival de pol�tica e arte fechar� o fim-de-semana pacifista.
A partir das 14 horas, o Centro Cultural Elenko-KVA
(Rua Cadeal Arcoverde, 2978 - Pinheiros) promove, mais uma vez,
o Forr� Social Mundial. O evento ser� inteiramente dedicado � batalha
contra a guerra. A atra��o principal � o lan�amento do semin�rio
internacional
Um mundo sem guerras � poss�vel,
que ocorrer� durante o II F�rum Social Mundial.
A iniciativa � do soci�logo Emir Sader, que pretende
reunir em Porto Alegre, no in�cio do pr�ximo ano,
movimentos e personalidades que lutam pela paz
nas diversas regi�es de conflitos - Oriente M�dio, Col�mbia,
Cor�ias do Norte e do Sul, Caxemira, Pa�s Basco, entre outros.
Ao longo de quatro dias, elas apresentar�o solu��es pol�ticas
para a resolu��o pac�fica destas disputas.
O semin�rio tamb�m debater� propostas para atingir alguns
dos fatores que mais alimentam os conflitos -- entre eles,
a produ��o maci�a de armamentos, concontrada nos pa�ses ricos,
e a toler�ncia em rela��o aos para�sos fiscais.
Emir falar� em detalhes sobre a iniciativa durante o debate.
Dialogar�o com ele Edna Rolan (presidente da ONG Fala Preta!
e relatora da Confer�ncia de Durban), Michel Haradon
(do movimento Shalon Salan Paz) e Antonio Martins (do ATTAC).
Est� prevista a presen�a de Gilmar Mauro
(da coordena��o nacional do MST).
Feira de movimentos sociais e ONGs, shows pela paz
Uma das atra��es do Forr� Social Mundial � uma Feira de Movimentos
Sociais e ONGs (inscri��es pelo fone 11- 3816.8000.
Durante a tarde e a noite haver� sete apresenta��es de bandas
e grupos contra a guerra: Rud a Dub (reggae),
Conclus�o (rap), Lamparina Laser (forr�),
Os Opalas (samba-rock), Somba (rock tropicalista),
Os Charles e Cia. (blues e folk) e Arrumadinho pela paz
(uma jam session). Uma mostra de curtas
(O dia em que Dorival encarou o guarda, de Jorge Fortunato
e Jos� Pedro Goulart; A matadeira, de Jorge Furtado;
O trabalho dos homens, de Fernando Bonassi e
Os outros, de Fernando Mozart), completa o domingo.
O mote escolhido pelo KVA para a jornada n�o poderia ser melhor:
Contra a barb�rie dos terroristas e do Imp�rio,
uniremos nossos esfor�os e id�ias pela paz.
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