From: "magellan" [EMAIL PROTECTED]
To: [EMAIL PROTECTED]
Sent: Monday, October 08, 2001 3:48 PM
------------------------------------------------------------


Ver a mensagem de ontem, n� 5866, denominada "CIA planejou terror no
Brasil sob regime militar", que traz a reportagem inicial do "Jornal do
Brasil".


http://www.jb.com.br/

"Jornal do Brasil" 8 de outubro de 2001



CIA tinha licen�a para matar no Brasil

Acordo diplom�tico pode ser revisto

Arquivos ser�o reabertos

Mais mortes nos anos 70



CIA tinha licen�a para matar no Brasil


Cientista-pol�tica conta que, em troca de recursos para
treinamento, EUA tinham liberdade para agir em terras
brasileiras

AMAURY RIBEIRO JR, FABIANO LANA E RAPHAEL
GOMIDE

BRAS�LIA - O engenheiro qu�mico americano Robert
Hayes n�o foi o �nico agente da CIA (servi�o secreto dos
Estados Unidos) a desembarcar no Brasil para participar de
a��es de espionagem e repress�o contra militantes de
esquerda durante o regime militar (1964-1985), conforme
divulgado ontem pelo Jornal do Brasil. Especialista nas rela��es
entre a CIA e os governos latino-americanos, a cientista
pol�tica americana Marta Huggins confirma que outros
agentes do servi�o de espionagem vieram ao Brasil
com a mesma miss�o confiada a Hayes.


De acordo com suas pesquisas, nas d�cadas de 60 e 70 a CIA
doou recursos para o treinamento de 100 mil policiais
brasileiros. Em troca, a CIA tinha liberdade para agir no
Brasil. A cientista descobriu que, em palestra secreta a
senadores americanos, um diretor da CIA informou que a
pol�cia brasileira participava de torturas. O governo
brasileiro, argumentou o diretor, justificou o uso da tortura
para evitar o risco de os comunistas tomarem o poder.


As pesquisas de Martha apontam que as liga��es da CIA com
o Brasil foram intermediadas por um organismo denominado
Office of Public Safety (OPS), que oferecia t�cnicas de uso de
armamentos at� ajuda na forma��o de esquadr�es da morte.
Oficialmente, a CIA atuou no Brasil no intuito de
''democratizar os sistemas penais dos pa�ses benefici�rios''.
Por tr�s da fachada democr�tica, sustenta a brasilianista, os
agentes participavam at� de assassinatos.


Fachada- ''Esse tipo de colabora��o foi muito mais comum do
que se imagina. Por baixo da fachada de treinamento de
policiais, a CIA sempre conseguiu se infiltrar no Brasil'',
afirmou a professora, que est� em S�o Paulo ministrando um
curso para estudantes universit�rios americanos. Martha �
professora titular de sociologia do Union College, em
Schenectady, estado de Nova Iorque.


Martha investigou a atua��o da CIA no Brasil ap�s ter acesso
aos documentos secretos do governo americano que foram
liberados pelo presidente Bill Clinton. Suas conclus�es foram
reunidas no livro Pol�cia e pol�tica: Rela��es Estados
Unidos/Am�rica Latina, rec�m-lan�ado pela Cortez Editora.
De acordo com Martha, as autoridades americanas sempre
souberam que os agentes da CIA praticavam atividades ilegais
no Brasil. A popula��o americana, entretanto, ignorou o
assunto.


Os documentos reunidos pela professora comprovaram que a
CIA esteve por tr�s da montagem do Servi�o Nacional de
Informa��es (SNI) at� mesmo em quest�es como forma��o de
pessoal qualificado e organogramas. A OPS, escreveu Martha
em seu livro, elogiou uma s�rie de atitudes repressivas
promovidas pelo governo brasileiro como a institui��o da
pena de morte e a deposi��o do vice-presidente Pedro Aleixo,
em 1969.



Acordo diplom�tico pode ser revisto

A Comiss�o de Direitos Humanos da C�mara dos Deputados
vai enviar of�cio ao Minist�rio das Rela��es Exteriores para
pedir que cobre explica��es aos Estados Unidos sobre a
atua��o de agentes da CIA (servi�o secreto americano) no
Brasil, nos anos 70.



Segundo depoimento do ex-agente da CIA Robert Hayes ao
Jornal do Brasil, colaboradores da ag�ncia americana
praticavam seq�estros e assassinatos no Pa�s, durante o regime
militar. Hayes, que era dono de uma empresa de engenharia em
S�o Paulo, contou que eliminou militantes de esquerda e
chegou a ser convidado por outro agente da CIA - John Hull -,
em 1976, para promover um atentado a bomba em S�o Paulo e
culpar comunistas. Um dos poss�veis alvos era o consulado
dos EUA; os outros eram um teatro e a catedral. Hayes admitiu
ter operado para a CIA no Brasil e em outros pa�ses da
Am�rica do Sul, de 1972 a 1976.



O ex-presidente e atual integrante da Comiss�o de Direitos
Humanos da C�mara dos Deputados, deputado federal Marcos
Rolim (PT-RS), afirmou ontem que as revela��es mostram que
o Brasil deve rever a possibilidade da implanta��o de um
escrit�rio do servi�o secreto americano em territ�rio nacional.

Constrangimento - Para Rolim, se for comprovada a atua��o
de agentes da CIA no pa�s, cria-se ''uma situa��o de grande
constrangimento'' entre o Brasil e os EUA. ''Em um momento
em que os Estados Unidos querem propor uma coaliz�o para
combater o terrorismo, � constrangedora a acusa��o de que sua
pr�pria ag�ncia teria participado desse tipo de a��o aqui'',
disse.

De acordo com o deputado, a Comiss�o dos Direitos Humanos
vai protocolar um of�cio ao Minist�rio das Rela��es
Exteriores para que cobre explica��es oficiais junto ao
governo americano sobre o assunto. Outra medida ser� cruzar
dados com outras entidades na Am�rica Latina que estudam o
problema de pessoas desaparecidas, durante os anos 70,
per�odo de regimes autorit�rios na regi�o.

Na opini�o do presidente do Movimento de Justi�a e Direitos
Humanos de Porto Alegre (RS), Jair Krischke, ''n�o h� d�vidas
de que o depoimento de Robert Hayes � verdadeiro'', tendo em
vista que os estudos da institui��o em que trabalha confirmam
a presen�a de agentes internacionais no pa�s no per�odo em
quest�o.

Segundo Krischke, em suas viagens pelo continente, teve
contato com fam�lias de pessoas que vieram para o Brasil nos
anos 70 e desapareceram. Um dos casos � o de um chileno que
veio trabalhar em uma firma de engenharia e sumiu pouco
tempo depois. Krischke afirmou que o Brasil deveria
pressionar os Estados Unidos a abrir o mais rapidamente
poss�vel os arquivos confidenciais relativos aos anos 70, para
tentar esclarecer a atua��o da ag�ncia no pa�s.

Sem surpresa - Para deputados que atuaram como militantes de
esquerda no Brasil, a informa��o de que agentes da CIA
atuaram no Brasil durante a d�cada de 70 n�o chegou a ser uma
surpresa. Guerrilheiro na d�cada de 70, Jos� Geno�no (PT-SP)
lembra que, na �poca, as a��es desses americanos eram
comentadas em encontros de militantes de esquerda que se
opunham ao regime vigente. ''Eu n�o sei de nenhum fato
concreto, mas essa forte liga��o com o Brasil j� era
conhecida'', disse.

Geno�no defende a mobiliza��o imediata do Congresso
Nacional na tentativa de se descobrir mais detalhes sobre a
influ�ncia da CIA no Brasil h� 30 anos. Segundo ele, decis�es
diplom�ticas tomadas recentemente precisam ser revistas. ''O
Pa�s n�o pode escancarar suas portas como fez naquele
per�odo'', afirmou o petista, referindo-se � permiss�o dada
pelo presidente Fernando Henrique para que os Estados
Unidos abrissem um escrit�rio da Intelig�ncia americana em
S�o Paulo.

Quem tamb�m se recorda das conversa sobre a presen�a de
agentes da CIA no Brasil � do ex-militante do PCB Nilm�rio
Miranda (PT-MG). ''N�o era vis�vel, mas a gente sabia que
existia''. Miranda conta que, al�m de vasculhar a vida de
pol�ticos e sindicalistas classificados de ''suspeitos'', ouvia
falar que a ag�ncia americana tinha liga��es com
representa��es militares brasileiras. ''Falava-se em uma
rela��o qualquer com o Servi�o de Informa��o da Marinha'',
recorda-se Nilm�rio Miranda.


Arquivos ser�o reabertos

O desaparecimento de militantes de esquerda da
Am�rica-Latina poder� a ser esclarecido na pr�xima semana.
Esse � o prazo que governo americano estipulou para entregar
� Comiss�o da Paz, organiza��o de direitos humanos do
Uruguai, documentos secretos da CIA. Os dirigentes da
Comiss�o de Paz acreditam que os pap�is possam conter
informa��es sobre pessoas que desapareceram durante o
regime militar uruguaio.

''Temos interesse em todos os documentos, tanto do
Departamento de Estado, como da CIA e do FBI. Eles ficaram
de nos enviar esporadicamente as informa��es'', disse Carlos
Ramela, integrante da entidade uruguaia.

General - Ramela explicou, ainda, que o grupo de trabalho
analisou as declara��es do general uruguaio Manuel Cordero,
que justificou a viola��o de direitos humanos ocorridas
durante a ditadura em seu pa�s. Segundo Ramela, Cordero deu
pistas de que pode haver informa��es sobre o
desaparecimentos de uruguaios guardadas nos arquivos do
servi�o secreto americano.

''Todos membros conclu�ram que as informa��es favorecem o
clima de trabalho da comiss�o'', disse Ramela. Ele informou
que, na pr�xima semana, ter� encontro com parentes de 15
desaparecidos pol�ticos, a fim de colher informa��es que
possam ajudar no trabalho de descoberta do paradeiro de
militantes.

Para Jair Krischke, dirigente do Movimento Justi�a e Direitos
Humanos do Rio Grande do Sul, o governo brasileiro tamb�m
deveria solicitar aos Estados Unidos a divulga��o de
informa��es sobre o desaparecimento de militantes de
esquerda.

''� preciso que o governo brasileiro fa�a press�o. Caso
contr�rio, n�s continuaremos atr�s da Argentina e do Uruguai
na libera��o de arquivos do regime militar'', afirmou Krischke.


Mais mortes nos anos 70

Cec�lia Coimbra, presidente do grupo Tortura Nunca Mais,
que investiga e acompanha informa��es relacionadas �s
v�timas da repress�o pol�tica durante a ditadura militar,
acredita que a atua��o do agente da CIA Robert Hayes no
Brasil, entre 1972 e 1976, possa estar relacionada ao aumento
do n�mero de militantes de esquerda desaparecidos no Pa�s
naquele per�odo. Ela lembra que entre o golpe militar, em
1964, e 1971, houve 30 desaparecimentos, de acordo com
dados oficiais. Nos cincos anos seguintes, a lista salta para
136.

''A partir de 1972, o regime brasileiro come�ou a sofrer
cr�ticas crescentes no exterior por causa dos seus m�todos, e
isso produziu altera��es t�ticas.'' As t�cnicas para arrancar
informa��es dos presos mudaram, diz. ''A tortura f�sica
come�ou a ser substitu�da pela tortura psicol�gica. Ainda
havia o pau-de-arara, o afogamento e os choques, � claro. Mas
a desestrutura��o emocional e mental passou a ser usada cada
vez mais. Muita gente enlouqueceu por causa disso''.

Outra mudan�a estaria relacionada ao aumento de
desaparecimentos. ''Com a press�o internacional, a repress�o
ficou mais exposta. Passou a ser menos arriscado dar sumi�o
aos advers�rios do que mant�-los sob guarda. O plano era
pegar, extrair o que fosse poss�vel, executar e fazer
desaparecer os corpos''.

O jornalista Cid Benjamin, que integrou o Movimento
Revolucion�rio 8 de Outubro (MR-8) - organiza��o
guerrilheiras que atuava no pa�s -, concorda que a prioridade
da repress�o a partir de 1970 passou a ser o exterm�nio dos
inimigos do regime.

Ele disse ter recebido o aviso de um militar que o acompanhou
at� a Arg�lia, aonde foi levado como um dos presos pol�ticos
trocados pelo embaixador alem�o Von Holleben, que havia
sido seq�estrado. O militar lhe recomendou a n�o voltar ao
pa�s porque a repress�o seria aumentada. ''Ele estava me
avisando que, a partir daquele epis�dio, a prioridade dos
militares era matar'', lembra. Mas Benjamin n�o relaciona o
assassinato de militantes brasileiros com poss�veis a��es da
CIA no Brasil. ''Quem sumiu, sumiu por causa dos militares e
agentes brasileiros mesmo''.

Cec�lia e Benjamin citaram os 28 membros do Movimento de
Liberta��o Popular (Molipo). A maioria deles continua
desaparecida. Entre 69 e 71, foram capturados � medida em
que voltavam de Cuba, onde recebiam treinamento para atuar
na luta armada. ''Esse � um dos maiores mist�rios de todo
aquele per�odo'', diz Cec�lia. Os integrantes da Molipo eram
chamados, nos relat�rios internos da repress�o, de ''cubanos''.


FIM DA NOTICIA




-----------------------------------
Endere�os da lista:
Para entrar: [EMAIL PROTECTED]
Para sair: [EMAIL PROTECTED]
-----------------------------------


clique aqui Grupos.com.br
p�gina do grupo diret�rio de grupos diret�rio de pessoas cancelar assinatura

Responder a