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O Globo 28/04
Nicolau teria fraudado concurso
Sandra Boccia


S�O PAULO

N�o � de hoje que o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP)
Nicolau dos Santos Neto est� na mira do Minist�rio P�blico. Denunciado por
improbidade administrativa e suspeito de enriquecimento � custa da
constru��o do F�rum Trabalhista de S�o Paulo, em outra a��o na 10� Vara da
Justi�a Federal, ele � acusado de ter promovido um concurso fraudulento em
92, que teria lesado o patrim�nio p�blico em aproximadamente R$ 1 milh�o e,
segundo o Minist�rio P�blico, beneficiado parentes de ju�zes.

A lista dos aprovados para o cargo de auxiliar judici�rio, publicada em
Di�rio Oficial, incluiu Paulo Henrique Caruso Pazzianotto Pinto, filho do
vice-presidente do TST, Almir Pazzianotto, aprovado em segundo lugar.
Atualmente, Paulo Henrique exerce o cargo de secret�rio-geral da presid�ncia
do TRT da 15� Regi�o, em Campinas, onde recebe sal�rio bruto, segundo ele
mesmo, de R$ 7,8 mil.


Na �poca, 39.077 candidatos se inscreveram para disputar 40 vagas naquele
cargo. O concurso tamb�m selecionou seis pessoas para o cargo de oficial de
Justi�a avaliador. Quatro aprovados eram parentes de pessoas ligadas �
Justi�a do Trabalho, entre eles as irm�s M�rcia Faria dos Santos (primeiro
lugar) e K�tia Farias dos Santos (quinto lugar). As duas ocuparam cargos de
confian�a junto a Nicolau na presid�ncia do TRT.

Para os procuradores respons�veis pelo caso (F�tima Borghi, Ana L�cia
Amaral, Jos� Le�nidas Bellem de Lima e Ros�ria de F�tima Almeida Vilela), h�
provas de que o concurso foi irregular. A procuradoria ressalta que n�o
houve licita��o para a realiza��o do concurso, e os s�cios que criaram o
Instituto Brasileiro de Sele��o P�blica (Ibrasp) haviam deixado a Funda��o
Carlos Chagas 13 dias antes de promov�-lo.

Segundo a procuradoria, o Ibrasp foi criado apenas para fazer a sele��o.
Assim que houve a homologa��o do concurso, ressalta a procuradoria, as
provas dos candidatos foram incineradas, inviabilizando a checagem das
respostas. Mais: o dinheiro arrecadado n�o entrou na contabilidade do
Tesouro, como manda a lei, e sim diretamente na conta da empresa.

Al�m disso, a procuradoria constatou que, num s� m�s, a empresa mudou de
endere�o quatro vezes. Per�cia realizada pelos procuradores na �poca mostrou
tamb�m que a empresa n�o tinha condi��es para realizar um concurso daquele
porte.

As provas colhidas pela Procuradoria da Rep�blica foram anexadas � a��o da
10� Vara Federal, solicitando, de imediato, a indisponibilidade dos bens de
Nicolau e de outros r�us: Waldemar dos Anjos Bernardi, Maria de Lourdes
Fieschi Carusi (ex-funcion�rios da Funda��o Carlos Chagas) e os servidores
p�blicos Cl�lia Checchia Carvalho de Miranda, que exercia o cargo de
diretora do Servi�o de Sele��o e Treinamento do TRT, e Itagiba Souza de
Toledo, que era diretor-geral na �poca e atualmente est� aposentado.

Hoje aposentada, Cl�lia � prima da mulher de Pazzianotto. Filha de Toledo,
Fernanda Godoy de Toledo passou em quinto lugar para o cargo de auxiliar
judici�rio nesse mesmo concurso p�blico e a nora de Miranda, Helenice
Carvalho Miranda, ficou em 11� lugar.

O juiz � acusado ainda de possibilitar aos s�cios do instituto a apropria��o
de receitas p�blicas, e de ter se associado a eles para burlar o or�amento e
a contabilidade p�blicos.

Um dos trechos grifados da a��o diz o seguinte: "(...) Todo o concurso
padece de m�cula grave. Esse v�cio contaminou todas as rela��es que se
estabeleceram a partir dele (...)"


Para tentar descobrir onde os recursos foram parar, a procuradoria contar�
com o apoio da PF na localiza��o de poss�veis laranjas usados por Nicolau na
compra de carros importados e de um apartamento em Miami avaliado em R$ 1,5
milh�o. Por enquanto, os nomes dos suspeitos est�o sendo mantidos em sigilo.
Mas sabe-se que um ex-funcion�rio do TRT e um vendedor de uma loja de
autom�veis estariam entre eles.




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