E pensar que tem agente contra a CPI.
 


M�e relata luta para manter a posse do filho em depoimento � CPI do Judici�rio.
Fonte: Senado Federal
12/05/1999

Em depoimento � CPI do Judici�rio, a taxista Cristiane Lopes, de 23 anos, disse ontem que o seu filho foi arrancado de suas m�os um dia depois de nascer, durante o aleitamento, por ordem do juiz Lu�s Beetowen Giffoni Ferreira. Desde ent�o, m�e e filho nunca mais se viram novamente, conforme ela contou, �s l�grimas, aos integrantes da comiss�o.

Cristiane foi a primeira das "M�es da Pra�a do F�rum" a prestar esclarecimentos � CPI sobre o tr�fico internacional de crian�as com origem em Jundia� (SP).

Segundo ela, na �poca do parto, em 24 de novembro de 1997, estava desempregada e quis evitar que a fam�lia soubesse da gravidez. Diante da oferta, Cristiane pediu ajuda a assistentes sociais do Hospital S�o Vicente de Paula. Por�m, ela disse que nunca pensou em doar seu filho para ado��o. "Eu j� tinha enxoval e nome para ele (Leonardo). N�o pensei em dar meu filho em nenhum momento", afirmou.

Mesmo diante das negativas, Cristiane disse que recebeu duas inje��es que a deixaram sonolenta e foi solicitada a assinar um documento, cujo teor disse n�o ter condi��es de identificar. Ela contou que depois de acordar, pediu �s enfermeiras que trouxessem seu filho para amament�-lo. Descobriu, ent�o, que j� havia determina��o do juiz Beetowen, titular da 2.� Vara C�vel de Jundia� para afastar a crian�a dela.

Segundo Cristiane, a �nica pessoa de quem recebeu solidariedade foi a m�dica Marisa Viotti, que, com base no direito de a crian�a ser amamentada, enfrentou a ordem do juiz e permitiu que a m�e tivesse contato com o filho. Durante o aleitamento, disse a depoente, �s 15h do dia 25 de novembro, uma enfermeira arrancou seu filho de seus bra�os. Nesse momento, Cristiane chorou ao dizer que resistiu o quanto p�de.

Enquanto isso, mesmo sem saber da gravidez, Cristiane disse que sua m�e foi levada ao f�rum de Jundia� para assinar documento atestando que a filha, m�e de dois meninos, n�o tinha condi��es de criar uma terceira crian�a, por estar desempregada.

SUSTO

Cristiane declarou que depois de deixar o hospital tentou de todos os modos falar com o juiz Beetowen e, quando conseguiu, ouviu dele que "pobreza era doen�a" e que ela n�o poderia criar seu filho. "Acima de mim, s� Deus", teria dito o juiz, segundo a depoente. Dessa forma, Cristiane entrou no Movimento das M�es da Pra�a do F�rum.

O processo em que pede para ter seu filho de volta, afirmou, est� parado na Corregedoria de Justi�a de S�o Paulo. Quanto a seu filho, Cristiane disse n�o saber onde est�.

– � inacredit�vel que tudo se tenha passado poucas horas ap�s o nascimento da crian�a. Isso n�o poderia ter acontecido nunca – avaliou o relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA).

A depoente declarou a Souto que o juiz designou um advogado, que a aconselhou a n�o entrar com processo "para n�o irritar o juiz", dizendo que, se ela fosse com calma, Beetowen iria lhe devolver a crian�a. Segundo o advogado, relatou, o juiz s� estaria querendo lhe dar um susto. Mais tarde, Cristiane disse ter pedido a revers�o do processo de doa��o e que at� mesmo seu pai teria entrado com pedido de ado��o do neto.

AMEA�AS

Ao senador Carlos Wilson (PSDB-PE) a depoente disse que, pela sua rea��o � retirada de seu filho, a m�dica que lhe deu apoio sabe que n�o queria dar o beb� para ado��o. "O que ouvimos aqui � deprimente", disse a senadora Luzia Toledo (PSDB-ES) depois de ouvir o relato de Cristiane.

Respondendo pergunta do presidente da CPI, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), Cristiane revelou que, diante da sua rea��o, o juiz Beetowen teria amea�ado retirar de sua guarda seus dois outros filhos, Rafael, de cinco anos, e J�nior, de tr�s.

Para o senador Djalma Bessa (PFL-BA), houve a��o conjunta entre o juiz e pessoas no hospital. Entre as pessoas envolvidas nas ado��es irregulares, Cristiane citou as assistentes sociais Fav�ola e Eliane, al�m da mulher que levou o papel para que ela assinasse, �ngela, que seria secret�ria do juiz.

O senador Geraldo Althoff (PFL-SC) disse que sua atitude seria a mesma da m�dica que atendeu a depoente por entender que "o melhor lugar para a crian�a era no carinho e no afago de sua m�e".

Cristiane informou que, ao ajud�-la, a m�dica foi processada por desobedi�ncia � Justi�a. Althoff sugeriu que a CPI busque as informa��es necess�rias no prontu�rio m�dico, onde, obrigatoriamente, todos os procedimentos do parto e momentos seguintes devem estar presentes.

O relator da CPI leu ainda um documento, assinado por Beetowen, em que s�o dadas orienta��es para processos de ado��o de crian�as doadas pelas m�es biol�gicas. "A minha sensa��o � que se armou uma m�quina para essas ado��es irregulares", disse.

 
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