Sobre o último cd do Arranco de Varsóvia, publicado no Jornal Correio
Braziliense, em 26.08.2005 (6ª feira).
http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_65.htm
LANÇAMENTO
Caymmi e outras jóias
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Naiobe Quelem
Da equipe do Correio
Na cadência do samba
Disco do Arranco de Varsóvia. Dubas. 14 faixas. Preço médio: R$ 25.
O estilo inimitável de compor e cantar do baiano Dorival Caymmi influenciou
várias gerações de brasileiros. Ele é único. Nada parecido foi feito antes
e dificilmente será feito depois, avalia o músico e fundador do grupo
Arranco de Varsóvia, Muri Costa. Rezo todas as noites para que os anos de
convívio com Caymmi tenham me influenciado, brinca o violonista, que
acompanhou o mestre por quase 11 anos, em cerca de 70 shows. A convivência
com os Caymmis Muri é amigo de Danilo, foi discípulo de Dori e tocou com
Nana (todos filhos de Caymmi) trouxe mais que experiência. A amizade
coroou o novo trabalho do Arranco de Varsóvia com duas composições inéditas
do patriarca. As canções Falou com a moça? e O que me importa se eu tiro o
domingo para sambar? são as grandes atrações do terceiro álbum do grupo
vocal carioca, Na cadência do samba (Dubas), que será lançado dias 7 e 8, no
Rio.
O trabalho demorou a vir a público. O resgate das duas obras se deu numa
tarde de 1999, no apartamento de Caymmi, em Copacabana. A convite de Danilo,
Muri chegou lá devidamente munido de equipamento de gravação. Danilo disse
que seu pai havia se lembrado de umas músicas que tinha feito há muito tempo
e pediu ajuda para tirar as harmonias, lembra Muri.
As recordações foram motivadas por fragmentos de letras encontrados pela
neta Stellinha, que na época escrevia a biografia do avô. Eram três letras:
um foxtrote, uma marchinha de carnaval e um samba. Durante o processo,
Caymmi se lembrou de mais uma O que me importa se eu tiro o domingo para
sambar?. Na linha de outros sambas do compositor, como Você já foi à Bahia?
ou O que é que a baiana tem?, os títulos dos novos sambas também são
perguntas e a canção é o desenvolvimento, observa Muri.
Todos são da década de 30. O que me importa foi concluída na tarde de 1999.
O aparelho MD, que ficou ligado durante todo o processo, captou a voz da
Caymmi cantarolando. A gravação caseira é o mais recente registro da voz de
Caymmi. Abre e fecha a canção, devidamente autorizada pela família: E aqui
termino saudando as mulatas de todo o Brasil/ O que me obriga a uma rima
forçada com céu de anil (essa é demais, comenta Caymmi, aos risos). A
intenção inicial não era gravar. A idéia da gravação, até pela
compatibilidade com o Arranco de Varsóvia, veio depois. Foi uma sugestão do
Danilo, recorda-se Muri. O foxtrote Iracema e a marchinha Lucila continuam
inéditas.
As faixas de Caymmi não são as únicas inéditas. O CD traz Três dias de
ventania, com a faceta de poeta sambista do roqueiro Leoni em parceria com
Paulo Malaguti, e Não quero mais, com Marquinhos PQD, Acir Marques e
Sombrinha, além de participação do músico africano Ray Lema, que recita
versos na língua lingala. O álbum resgata preciosidades pouco conhecidas,
como Força da imaginação, de Dona Ivone Lara e Caetano Veloso, e a divertida
roda de samba Badêjo ou badéjo, de Ronaldo Barcellos e Charlles André.
Na formação atual, o grupo tem Andréa Dutra, Cacala Carvalho e Elisa
Queiroz, Muri e Paulo Malaguti. Mescla sambas novos e antológicos, de
Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho a Caetano e Leoni. Resgatamos a linha de
trabalho do nosso primeiro CD, ao misturar sambas de partido alto com o
pessoal da MPB influenciado pelo samba, ressalta Muri.
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