SEGUNDO CADERNO
Rio, 18 de abril de 2006
O frescor e a inventividade de dois violonistas
Pintando o set
Rogério Caetano
Um violão na roda de choro
Zé Paulo Becker
João Pimentel
Zé Paulo Becker e Rogério Caetano são dois dos melhores representantes de
uma geração que deu novos ares ao
choro com um tempero de criatividade, inovação, desprendimento e talento. Em
"Um violão na roda de choro"
(Biscoito Fino), de Becker, e "Pintando o sete" (Rob Digital), de Caetano,
os dois violonistas registram em
disco a maturidade de suas carreiras, não apenas como brilhantes
instrumentistas que são, mas também como
compositores de primeira grandeza. Os dois CDs são de extrema importância
por mostrarem que temos compositores, e não são poucos, produzindo, criando
pérolas à margem do mercado, das rádios e das grandes gravadoras. Mas isso,
com raras exceções, tem sido sempre assim.
Curiosamente, os dois traçaram caminhos completamente distintos. Rogério
Caetano começou a estudar música em
Goiânia, onde nasceu, mas foi ao se mudar para BrasÃlia, cidade onde o choro
é muito difundido, que ele abraçou
o violão de sete cordas. Integrou grupos como o Dois de Ouro, a convite do
bandolinista Hamilton de Holanda, e
o Trio BrasÃlia Brasil. De BrasÃlia, seguiu caminho já trilhado por
Hamilton, pelo gaitista Gabriel Grossi e
pelo percussionista Amoy Ribas. Ou seja, veio para o Rio engrossar as hostes
do choro.
Em "Pintando o sete", o violonista homenageia as duas maiores referências do
instrumento: Raphael Rabello e
Dino Sete Cordas.
Com a participação do violonista Yamandú Costa, da dupla Zé da Velha e
Silvério Pontes, do saxofonista Marcelo
Bernardes, entre outros, ele apresenta valsas, sambas, maxixes de sua
autoria. A exceção é a segunda faixa,
"Rogerinho no sete", uma homenagem de MaurÃcio Carrilho.
Apesar de ser um exÃmio violonista, requisitado também por toda a turma do
samba, em apenas duas faixas, a
valsa "Milena" e "Pintando o sete", em que dá uma aula de execução do
instrumento, ele se apresenta sozinho.
No registro da parceria com Hamilton de Holanda, "Valsa de Mãezinha", ele
dialoga com o violão inconfundÃvel de
Yamandú Costa. Para a filha de Hamilton, Rafaela, Caetano fez "Carioquinha
da gema".
Sua música é repleta de referências sutis ao universo do choro e seus
personagens. Não por acaso reuniu várias
gerações em "Amigos". Estão ali os companheiros de primeira hora como os já
citados Gabriel Grossi e Hamilton
de Holanda; os professores desta turma, a cavaquinista Luciana Rabello e o
violonista MaurÃcio Carrilho; e o
pandeirista do Ãpoca de Ouro, Jorginho.
Na valsa "Milena", ele flerta com o universo lÃrico e prepara o ouvinte para
o maxixe "SaÃda pela esquerda", em
que, como na linguagem dos músicos, "quebra tudo", com Silvério Pontes e Zé
da Velha. O CD de Caetano termina
com uma espécie de duelo musical do violão de sete com o bandolim de
Hamilton de Holanda em "Correr com medo".
Becker abraçou o choro após 12 anos de violão clássico
Já Zé Paulo Becker tinha 12 anos de violão clássico quando resolveu dar uma
guinada e abraçar o choro. Saiu da
sala de aula formal para a sala de aula das rodas, dos botequins. Juntamente
com Marcello Gonçalves e Ronaldo
do Bandolim criou o Trio Madeira Brasil. Paralelamente desenvolveu sua
carreira solo em discos como "Sob o
Redentor" e "Lendas Brasileiras".
"Um violão na roda de choro" é a visão pessoal de Becker sobre o gênero. Seu
violão desempenha uma função
essencialmente melódica, normalmente executada por outros instrumentos. No
ótimo repertório, músicas criadas
com o pensamento único de serem tocadas nas rodas. Segundo ele, "fáceis de
serem acompanhadas, mas com uma ou
outra armadilha".
Acompanhado por uma banda-base formada por músicos como o cavaquinista
Márcio Almeida, o clarinetista Rui Alvim
e o violonista Marcello Gonçalves, também produtor do disco, ele presta
homenagens a Carmen Miranda ("Choro da
Miranda"), Guinga (as "Guinguianas" 1 e 2) e Jacob do Bandolim
("Endiabrado"). O CD com cara de "aula de violão
para alunos avançados" será lançado amanhã, com um caderno de partituras,
à s19h, no Teatro do Centro Cultural
Justiça Federal.
Fonte:
[1]http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/segundocaderno/246854570.asp
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1. http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/segundocaderno/246854570.asp
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