Olá,
   
  o Jornal do Brasil publicou na terça-feira (13 de junho) uma matéria de capa sobre o 
lançamento do primeiro disco da Velha Guarda do Samba Capixaba. O telefone que saiu na 
matéria para comprar o CD está errado. Os corretos são esses: (27) 3222-7015, 
9933-6140 ou 3382-6265.

  Em seu primeiro disco, a Velha Guarda do Samba Capixaba apresenta três músicas 
inéditas dos portelenses Monarco e Mauro Diniz.
   
  Confira a matéria que também foi publicada no jornal Século Diário (Espírito Santo).
  http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2006/junho/19/cadernoatracoes/cultura/01.asp
   
  ou aqui:
   
  http://photos1.blogger.com/blogger/7959/2777/1600/MateriaJBSambaPequenaMenor.jpg
   
  ==
   
  Nova tradição do samba capixaba 
   
  Vítor de Azevedo Lopes
   
  VITÓRIA. Reunidos em um bar à margem do canal que cerca parte da capital do Espírito 
Santo, dois sambistas da Velha Guarda do Samba Capixaba observam uma folha que cai da 
árvore. O mais velho. Edson Papo Furado, segura-a com as pontas dos dedos e, olhando 
para o companheiro Carlos Augusto Lajota. sussurra:

- Este é meu amuleto do dia. Ficará ao meu lado.

A cena faz lembrar Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito em "Folhas secas", canção 
que evoca o passado e a nostalgia de um tempo em que a raiz do samba estava presente 
na história de vida dos sambistas. História e vida que sempre estiveram à margem no 
Espírito Santo. Falar dos primórdios da cultura musical local passa habitualmente 
longe do samba e cncontra raizes populares nas festas de congo e na celebração da 
folia de reis. O samba foi introduzido maciçamente nas vidas dos capixabas como no 
resto do país, com a popularização das rádios na década de 40.

Nesta nova era de identidades e revisões, finalmente chega um CD (Velha Guarda do 
Samba Capixaba) com a música daqueles que semearam o ritmo no estado. A tiragem, 
financiada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, é pequeníssima, apenas mil 
cópias. A distribuição independente em lojas locais e em apenas um bar de Vitória.

- O CD é uma tentativa de mostrar a música e os sambistas que estavam escondidos nos 
morros e bairros daqui - explica Lajota, 59 anos.

A história da Velha Guarda do Samba Capixaba - assim mesmo, em maiúsculas, já que eles 
formaram um grupo e converteram a condição de velha guarda na instituição Velha Guarda 
- passa por Lajota e Edson Papo Furado. Os dois, como outros nomes do CD, entre eles 
Altamar dos Santos, entraram em contato com a música na Vitória dos anos 50, 
movimentada pelo comércio portuário, mas ainda com costumes interioranos.

- Minha avó era negra jongueira e aos poucos fui conhecendo o samba - lembra-se 
Lajota. - A nossa proximidade com o Rio fez o movimento ficar natural.

Papo Furado, sem querer revelar a idade ("sinceramente, só sei que envelheci um 
pouco"), lembra da época em que se fazia tamborim com couro de gato.

- Viver no samba era bem difícil. Se no Rio os sambistas não eram bem vistos, imagine 
em Vitória. Achavam que sambista era vagabundo. Sentíamos a discriminação na pele.
As coisas começaram a mudar com a criação das escolas de samba em meados da década de 
60. Papo Furado foi um dos construtores da Unidos da Piedade, a primeira escola de 
samba do estado.

-Antes, o carnaval daqui era só batucada e congo. Não havia samba. - diz o ainda hoje 
intérprete da escola. - Aqui sequer havia cavaquinho. Na década de 60, começamos a ir 
para o Rio e ver o funcionamento do carnaval carioca. Trouxemos, então, a preocupação 
com as alegorias, a organização e introduzimos no Espírito Santo a estrutura do 
samba-enredo para os desfiles - relembra Lajota.

Atualmente, as escolas contam com o apoio da prefeitura e levam milhares de pessoas 
aos ensaios e desfiles oficiais. Mesmo com a badalação durante o carnaval, os 
primeiros sambistas capixabas percebiam que a valorização do samba de raiz não lhes 
batia à porta. Em 2001, Lajota e o colega Tonico do Cavaco resolveram subverter um 
costume bastante carioca: em vez de cada escola montar sua velha guarda, eles 
selecionaram sambistas de várias agremiações locais para montar apenas uma, a Velha 
Guarda do Samba Capixaba.

- Dói muito chegar nas escolas daqui e não ver nenhuma informação sobre os fundadores. 
Ninguém mais cultua isso - reclama Lajota.

Para agregar valor e tradição ao trabalho do grupo capixaba, a Velha Guarda conseguiu 
colocar em seu disco três sambas inéditos dos portelenses Monarco e Mauro Diniz, "Nem 
pensar", "Algo Estranho" e "Força da Paixão".

- Foi em um show que fiz com o Manacéa em um clube em Vitória, na década de 70 que 
conheci o Lajota - relembra Monarco. - Depois ele foi algumas vezes ao Rio e tocávamos 
juntos.

  Enquanto Lajota e Papo Furado evocam a relação com os grandes nomes do samba 
carioca, no rádio do bar a tradição cede espaço à mistura de rap com samba do carioca 
Marcelo D2.

- Esses novos músicos tiram coisas do fundo do baú e apresentam para a nova geração do 
jeito deles. - diz Lajota. O D2 tem uma história com o samba, assim como a Marisa 
Monte, que por um lado também está preocupada com a preservação da memória do gênero.

- Uma vez me chamaram para fazer um show com uma banda de música eletrônica num teatro 
bacana aqui de Vitória. Fui e adorei. O problema é que não me pagaram até hoje - ri 
Papo Furado.

Mas ele fica sério logo depois, para, entre a fumaça do cigarro, tentar citar suas 
influência musicais:

- Me espelho nos amigos mesmo e vou cantando. Se agradar, bom; se não, eu paro. Quero 
viver no samba.

Para comprar o CD, entre em contato com Ângela pelos telefones (27) 3222-7015, 
9933-6140 ou 3382-6265.

                
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