Gabriel
   
  O único cavaquinhista que eu sei que toca nessa afinação é o Marcão, do Jorge 
Aragão. Aqui em Salvador, não conheço ninguém. Aílton Reiner, cavaquinhista do 
É o tchan, e um puta bandolinista - quase lendário, no meio do choro baiano, 
leciona os dois instrumentos, mas não sei se ele toca cavaco em Mi Lá Ré Sol ou 
Ré Si Sol Ré. Fora Aílton, não conheço ninguém. Na verdade apesar de existirem 
inúmeros cavaquinhistas por aqui, são poucos os que se dão ao trabalho de pelo 
menos estudar um pouco mais o instrumento. É uma pena. Acaba sendo queimado o 
filme de todo mundo (e até do instrumento).
   
  Um abraço

Gabriel Gomes <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  
Aproveitando o gancho do Samba de Roda, o Marcelo = talvez possa me ajudar.
Na Bahia, o pessoal costuma tocar cavaquinho com a afinação de bandolim. O 
próprio bandolim muitas vezes é utilizado como = instrumento
de acompanhamento.
Já no Rio, esse tipo de afinação é mais comum nos = sambas-enredo.
Enfim, eu gosto muito da batida de samba de roda com a afinação de bandolim, 
marcante em algumas gravações de Clara Nunes e de Roberto Ribeiro. Pergunto: 
Alguém poderia indicar algum grupo que faça samba bom nesse estilo atualmente?
Abraços,
Gabriel Gomes
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] em nome = de Aline M. Mac Cord
Enviada: sáb 2/9/2006 = 15:12
Para: [email protected]
Cc:
Assunto: [S-C] = Etnomusicocentrismo rolando solto na Tribuna
O Marcelo tem bons pontos...
Organizando tanto assunto:
1 - samba x axé
2 - bairrismos x cultura brasileira
3 - Rio x Bahia
4 - Pop x raiz
5 - Cumpadre Washington x Noel x MM
6 - timbales do CW x lápis batendo no dente do Braguinha
7 - Beth x Ivete... etc
Uhm... Será que estou sentindo o cheiro de um certo *etnomusicocentrismo* na
discussão..?
Tribuneiros, atirai a primeira pedra!
(se alguém desviar o assunto para "outras discussões = etnicas", quem
atira a
pedra sou eu!)
.....
Em tempo, já que acabei de inventar a palavra (que deve ter algum hífen aí
no meio):
Etnomusicologia:
[De etn(o)- + musicologia.] S. f.
1. Estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus = aspectos
formais (os sons e as maneiras de combiná-los) ou socioculturais (usos = e
comportamentos relativos à música, o papel desta, etc.).
Etnocentrismo:
[De etn(o)- + -centr(o)- + -ismo.] S. m.
1. Tendência do pensamento a considerar as categorias, = normas e
valores da
própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais.
Beijinhos
Aline - colocando lenha na fogueira.
On 9/1/06, Marcelo Neder wrote:
>
> Sabe Caio, essa sua frase "O samba carioca tem mais é que se = dar ao
valor,
> e manter suas raízes, sem timbales", me soa curiosa. = Explico. Sou um
> cavaquinhista carioca que mora em Salvador e vive cercado desses = dois
> universos o "samba carioca que a gente toca aqui" e o = samba de roda que
> alguns grupos fazem uma adaptação na letra (apelativa) = transformando
num
> outro gênero: a quebradeira (do verbo quebrar, mexer, rebolar), = entre
outros
> pois o universo do choro aqui também é riquíssimo, apesar da agenda do samba
> e choro não comentar. É engraçado pelo seguinte, aqui em = Salvador
tem uma
> casa de samba bem gostosa (quem for tribuneiro e morar aqui pode confirmar -
> quer ver uma coisa: quem conhece o Bêco de Gal aí dê um oi!), chamada Beco
> de Gal. Gal do Bêco, como é conhecida a sambista dona do lugar = (que
eu
> guardo no meu coração num cantinho muito especial, por sinal = minha
madrinha
> no samba e na vida), detesta quebradeira, e é sambista baiana (fluminense
> pra falar a verdade, mas com
> quase 30 anos de Salvador). Eu tive o privilégio de poder tocar = lá
com
> muita gente boa, e era interessante notar a divisão do público = em
gostos: os
> mais novos, quebradeira; e os mais velhos (ou não!) samba - que = vc
quer
> chamar de carioca...(pra mim samba é samba, seja aqui, aí ou em Marte). Os
> mesmos músicos que tocavam músicas do Ilê, passavam pra Zeca Pagodinho e
> cantavam samba de roda (além de se aventurarem no chorinho e se acabarem na
> quebradeira). Tocar samba de roda (samba-de-roda mesmo, sem apelação, de
> Santo Amaro, no improviso quase...) com Cumpadre Washington (cantor = do
é o
> tchan), é uma aula de cultura. Claro, não me cobre harmonias rebuscadas ou
> versos filosóficos, de um gênero que nasceu numa Bahia Semi-rural.Mas é
> bonito. Ás vezes chega a emocionar pela pureza. Sem contar nas baixarias de
> violão que ficam duelando com o cavaco. Agora, cultura mesmo é = um
conceito
> muito amplo. Seria muito interessante se todo mundo pudesse ter = acesso a
uma
> matéria chamada
> etnomusicologia. Ela fala mais ou menos isso: Tudo o que o ser = humano
faz
> é cultura. Existe todo um contexto sócio-cultural, uma série = de
valores (por
> sinal o problema axiológico - dos valores, em filosofia está = aí
para ser
> resolvido: quem se aventura a definir os valores corretos para = a
> humanidade?), que determinam o que é agradável para cada nicho populacional
> pertencente a determinada = "célula-socio-economica-cultural".
> Mas voltemos ao Bêco de Gal. É engraçado o seguinte: não = existe
diferença
> alguma na condução técnica (harmonia-rítmo-melodia) que diferencie o samba
> de roda (patrimonio da humanidade), para a quebradeira ("gen = defeituoso
do
> micróbio do verme do cocô do cavalo do bandido" aqui na = tribuna):
só muda a
> letra. E outra viu? Não me esbarro só com Cumpadres Washingtons = por
lá não,
> tem muito sambista carioca e paulista que vai até lá tomar uma = em
paz e dar
> uma palhinha (ou só curtir. Se manifestem por favor, não deduro ninguém pra
> esposa!). Outra coisa engraçada é o termo timbales (instrumento = de
percussão
> com timbre agudo - ás vezes é bom ás vezes é chato pra = cacete,
igual
> tamborim).
> No box de 14 CDs de Noel Rosa tem uma gravação em um deles = (estou
com sono
> e cansado não vou me levantar pra saber qual o número do CD ou = qual
é a
> música) cuja base é feito - se não me engano por Braguinha - = com
um lápis
> batendo no dente. PORRA! Um lápis batendo no dente! Pegue um cd = aí
de Marisa
> Monte, no caso "Verde, Anil, etc..." (tá aqui do meu = lado, por isso
vou
> falar dele). Tem na percussão:
>
> Surdo virado
> Lata de lixo
> Fundo de panela
> pulseira
> Vagem
> Sem contar nos pratos, facas, caixas de fósforos (que = possivelmente me
> dirão que são cariocas) junto com trompas, cellos, bandolim, clarineta,
> violão e um tal de flugel horn (que se não morder e o som for = bão
nóis
> góizta)...
> Aí eu coloco o dedo na ferida. O CD tem músicas completamente diferentes.
> Qual é o rótulo desse som? Por quê? Se eu jogar num balaio = escrito
> "Brazilian Music", colocar pra vender a 1,99 em Paris? = Qual é o
problema?
> Aguardo Respostas.
>
> Marcelo Neder
> Cavaquinhista OMB/BA 10.180/05
> Caio Pontual escreveu:
> Oi Aline,
> é possível que o grupo sitado não seja realmente um grupo de Axé, eu sitei
>
> um exemplo de o que se faz de ruim na Bahia, e na minha opinião o "gênero"
> axé não fica muito atrás, volto a perguntar o que a = Timbalada,
Olodum,
> Daniela Mercury (enquanto axé), Ivete (agora tb sertaneja) = contribuem
para
> a
> melhoria da nossa discografia (enquanto divulgadores de = cultura)?....
Eles
> se preocupam apenas em fazer um ritmo gostoso, uma levada diferente = e
é só
>
> ..... Não acho que a Beth Carvalho vá acresentar nada de = positivo ao
> trabalho dela, se o resultado for mais uma batucada com dendê = (só
pra dar
> um
> tempero da moda ....). Não acho mesmo. O Samba carioca tem mais = é
que se
> dar
> ao valor, e manter suas raízes, sem timbales.
>
> Caio Pontual.
> = __________________________________________________________________
>
>
> Oi Caio!
>
> Eu entendi exatamente ao que você quis se referir.
> Mas ainda assim, continuo a pergunta: você CONHECE o axé?
>
> Diga-se de passagem, que quando o "É o Tchan" surgiu, o = axé já
existia há
> muitos anos, com o Olodum, o Timbalada, Daniela Mercury... Você = pode
até
> não
> gostar, mas nem na Bahia isso é considerado no mesmo patamar que = essas
> músicas de baixaria a que você se refere.
>
> E como eu disse, a maioria dos baianos considera o "É o = Tchan" como
uma
> banda de pagode, e não de axé. Pra isso, basta lembrar que o = nome
original
>
> da banda, antes do sucesso estrondoso da música do "segura o = tchan",
era
> "Gera Samba". E que a tal banda que cantava "na = boquinha da garrafa" se
> chamava "Cia. do Pagode".
>
> Enfim, eu posso garantir a você que em todos os estilos musicais = há
> produtos
> de qualidade.
> (Que é muito diferente de gosto pessoal. Eu mesma DETESTO rock'n = roll,
mas
> não posso deixar de assumir que um ou outro = "barulhento" tem o seu
> valor...)
> :-)))
>
> Se eles vão chegar na mídia, são outros 500.
> Se vão chegar a nós sem que busquemos por eles... acho = difícil.
>
> Beijinhos
> Aline
>
>
>
> On 8/29/06, Caio Pontual wrote:
> >
> >
> > Cara Aline,
> > eu não me referí a música baiana, mas sim a exurrada de músicas que se
> > convencionou chamar de axé-music. Considero a música = baiana (a que
tem
> > conteúdo) como das melhores (vide Caymmi, Caetano, Gil, = Raul,
Elomar,
> > Tomzé
> > e tantos menos votados), esse grupo É o TChan foi sitado = como um
> exemplo,
> > pois eles foram um dos pioneiros dessa leva, aí eu também = poderia
> incluir
> > os
> > pagodeiros/sertanejos da nova era. Não excluo tb os bregas = do Pará
que
> > estão
> > divulgando o que há de pior nesse gênero, há quem goste, = mas o
que me
> > causa
> > maior preocupação é quanto ao conteúdo dessas = músicas (se
é que podemos
> > chamar isso tudo de música), temos aqui tb uma mina de = vulgaridade e
> > baixarias em letras e músicas, que são os ditos forros = "modernos".
> > E em tudo isso a minha crítica vem se somar àquelas que = dizem da
> ganância
> > das gravadoras e mídia televisiva que só vai aonde se = vende
fácil, sem
> > levar
> > em conta a contribuição que esse "artistas" = podem estar dando ao
povão
> > (tão
> > cheios de vida de gado - vide Zé Ramalho).
> >
> > Bjs. Caio Pontual.
> >
> > PS. Gostaria que vc autoriza-se a divulgação dessa = conversa para
os
> > demais.
> >
> > = __________________________________________________________________
> >
> > Poxa, Caio.
> >
> > Sem querer entrar em detalhes, você realmente CONHECE = música
baiana ou
> > só viu o que chegou a tocar no Domingão do Faustão?
> >
> > Acontece a mesma coisa com o samba. Quem CONHECE sabe o = valor.
> > Mas a maioria das pessoas acha que samba se resume a um campo = nebuloso
> > entre o próprio "É o Tchan" (que, na Bahia, = não é considerado
axé) e
> > aqueles pagodes enlatados...
> >
> > Em todos os gêneros há produções interessantes.
> > A questão é que a mídia TENDE a nivelar tudo por = baixo...
> > ...e de vez em quando, só de vez em quando mesmo, = acerta.
> > :-)
> >
> > Eu estou passando por uma experiência muito interessante, = fazendo
> > parte de um grupo onde só existem 2 pessoas do Rio e as = outras todas
> > vem das mais diversas cidades do Brasil. Todos = interessantíssimos,
> > fazem parte da elite cultural e intelectual do país. Estou aprendendo
> > a apreciar maravilhas regionais que estavam longe do meu = universo - e
> > vice-versa.
> >
> > É muito interessante relativizar a visão cultural que = existe em
outros
> > cantos do país...
> > :-)
> >
> > Beijo!
> > Aline
> >
>
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