Diamantino... que legal... Morei oito anos em Cuiabá.
  Primeiro: erga a cabeça. toda mensagem merece resposta e a sua mensagem me 
deixou muito feliz.
  Segundo: não precisa ser músico para gostar de música, é preciso apenas ouvir 
e gostar.
  Terceiro: Se alguém lhe discriminar por qualquer motivo, siga um conselho que 
um cara muito legal me ensinou uma vez em que eu estava deprimido:
  Apenas tenha consciência do que você é.
   
  Solte o verbo, não se acanhe. A música é riquíssima e não é só no samba e no 
choro não. O show mais bonito que eu já assisti até hoje foi de música caipira. 
Pena Branca & Xavantinho e Renato Teixeira no Ginásio de Esportes do Colégio 
São Gonçalo.
   
  Abraço caipira
   
  Marcelo (com r matogrossensse)

[EMAIL PROTECTED] escreveu:
  Concordo com vs quanto ao preconceito, ele deve ser erradicado de vez, e na 
música também, muitas vezes ele vem disfarçado, e dizer que ele existe só de um 
lado é bobagem, sou branquelo e muitas vezes me senti discriminado, ou seja, a 
estupidez galopante é de todos os lados. Nesta lista me sinto discriminado por 
mão ser músico ou letrado musicalmente, somente gosto de samba-choro, e é 
verdade que minhas mensagens nem respostas merecem. Um abraço, José Genro de 
Diamantino-MT.

----- Mensagem Original -----
De: Marcelo Neder 
Data: Sexta-feira, Setembro 1, 2006 1:45 am
Assunto: Re: Re: [S-C] Raiz do Samba
Para: Artur de Bem , [email protected]

> Sou mais Cartola interpretando alvorada com sua voz e uma 
> caixinha de fósforo, do que todos os grupos juntos com seus 
> cavacos e banjos acompanhando orquestralmente. A raiz do 
> samba, e de qualquer outra música - principalmente as de 
> origem africana, é o rítmo, ou melhor: sua célula rítmica (que 
> alguns também chamam de clave rítmica). Por exemplo:
> tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
> tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
> tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
> 
> Á propósito, brincadeira não: o batuque do candomblé tem 
> muito mais a ver com o samba do que muita gente imagina, e mais, 
> vou pegar um gancho em outro assunto que está sendo debatido 
> aqui na tribuna (talvez meio verdinho ainda): a utilização do 
> candomblé (uma religião que tem todo um contexto histórico na 
> sociedade brasileira) como fonte de uma gozação (por mais 
> inocente que seja), infelizmente é o reflexo de uma mentalidade 
> inconscientemente preconceituosa.
> Aqui em Salvador, as crianças da escola pública Edvaldo 
> Brandão no Bairro pobre (não é humilde não é pobre: p-o-b-r-
> e)Cajazeiras, aprendem sobre os orixás. A escola possui imagens 
> de vários santos pregadas na parede, da mesma forma que 
> elementos do chamado "folclore tradicional" (Será que tão 
> ensinando vudu pras crianças, ou é uma forma de ampliarem o 
> conhecimento delas?). Ás vezes eu leio depoimentos sobre 
> preconceito e acho puro panfletarismo. Não existe só racismo 
> não. Existem preconceitos sociais, muitas vezes mais graves, 
> sendo praticado e sofrido por pessoas da mesma raça (sem contar 
> nos preconceitos religiosos...).
> Perdi a conta de quantas vezes em ensaios, eu que sou 
> branco, ouvi da boca de músicos negros a seguinte pérola:
> "Toca essa porra direito! Eu sou racista mesmo: Não gosto 
> de branco "
> Se fosse o caso de registrar B. O. por causa disso... 
> Tenho mais o que fazer...
> 
> O que eu acho é o seguinte: Essa idéia de tentar conduzir 
> a música por esse ou aquele caminho já nasceu morta. Música (e a 
> arte) são um patrimônio livre, comum. É como a língua de uma 
> nação, é uma coisa viva incontrolável. Por mais que se imponha 
> uma "evolução" ela segue o seu ruma sozinha. Esse negócio de 
> certo e errado, sei não viu... pra mim tudo tem seu espaço, 
> desde Noel Rosa a Tati Quebra-Barraco e citar frases como: ah! 
> tal mistura deu certo tal mistura deu errado, cuidado, isso pode 
> virar uma grande armadilha. Já participei de rodas de choro e de 
> samba que foram uma porcaria, e já assisti a baile funk sem DJ, 
> com puta músicos fazendo todos os sons de sintetizadores em 
> instrumentos convencionais, sem pedais e efeitos, apenas 
> bateria, baixo, e três violões. Se eu tivesse que me atrever a 
> afirmar alguma coisa (ainda assim consciente de que minha 
> palavra não é a final), diria o seguinte: o importante é a 
> qualidade com que tocam a música, seja ela qual for.
> E essa visão de que cavaquinho e banjo são indispensáveis 
> (realmente, pra mim é importante que não mude, senão não compro 
> pão, nem pago luz, pois sou cavaquinhista), mas já foram feitas 
> algumas coisas muito interessantes com pandeiro, surdo, tamborim 
> - executando células rítmicas sambistas - sem esses dois 
> instrumentos. No mais, é isso aí...
> Além de terem introduzido outros (olha a guitarra da 
> banda do Dudu Nobre aí...). Aqui em Salvador tem gente que diz 
> que Armandinho não é músico (por que não lê partitura) e não 
> toca choro. Realmente. Ele toca de tudo. Mas dizer que ele não 
> toca choro...
> 
> Artur de Bem escreveu:
> ">Não dá a impressão que tudo começou aí?"
> 
> Dá a impressão que era um ritual de candomblé...
> Só tem percussão.. não tem nenhum cavaquinho, banjo....
> 
> calma... brincadeira...
> 
> 
> -----MENSAGEM ORIGINAL-----
> De: "Raphael Oliveira" 
> Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 16:29:36
> Assunto: Res: Re: Re: [S-C] Raiz do Samba
> 
> 
> > Amigos, 
> > Desculpem me meter na conversa mais eu ouso discordar do dicionario.
> > Entendo que o buraco e bem mais embaixo do que se refere o 
> autor ... Vou reproduzir dois trechos de colunas do Sr. Nei
> > Lopes que não falam exatamente do assunto mais dão uma ideia 
> da profundidade do asunto. Alias Nei Lopes é o Cara.
> > 
> > Um forte Abraço
> > Raphael SãoGonça
> >
> >==============================================
> > O samba carioca, embora nascido de um amálgama de ritmos 
> predominantemente africanos - como, aliás, toda a música popular 
> afro-americana, do sul dos Estados Unidos ao Prata - sempre teve 
> admiradores e cultores entre as camadas mais abastadas e 
> epidermicamente menos pigmentadas da sociedade. Admiração e 
> culto esses que, no contexto da bossa-nova, fora do esquema 
> "banquinho e violão" e graças à tríade piano-baixo-bateria, 
> propiciou a saudável fusão entre ele e o jazz, que já se 
> ensaiava nos antropofágicos "bibaburiba" ("bebop w're bop") do 
> trombonista Raul de Barros, cantados em coro pelos animados 
> músicos das gafieiras. 
> >
> >A bendita fusão levada a efeito pelos Tamba, Zimbo, Jongo e 
> outros trios, de nomes africanizados ou não, coube a eles mais 
> por questão de espaço. Afinal, seu palco era o das exíguas 
> boites ("caixotes, caixinhas", em francês), ambientes também 
> freqüentados por muita gente boa e amante do bom samba. 
> >
> >Foi aí, e nos bailes dos clubes da classe média, que se gerou o 
> "sambalanço", hoje experimentando um renascimento animador. E 
> foi assim que surgiram, firmaram-se ou reapareceram grandes 
> compositores de samba não negros e nem "do morro" e com curso 
> ginasial, como Denis Brean, Hianto de Almeida, João Roberto 
> Kelly, Macedo Netto, Luiz Reis, Luiz Antônio (coronel do 
> Exército brasileiro), presentes no repertório inicial da Elza 
> Soares que hoje a intelligentzia quer pop-roquizar. E vieram 
> também Ed Lincoln, Sílvio César, Orlann Divo etc. 
> >
> >Pois é... O tempo das fusões naturais e saudáveis já passou! 
> Agora, vendo o mercantilismo das escolas de samba e a omissão 
> oficial abortarem ou inanirem os talentos das comunidades 
> negras; vendo a truculência da globalização one way ditar a 
> norma de extermínio segundo a qual "preto bom só preto pop"; 
> agora, vendo os netos de Jonjoca, Mário Reis, Castro Barbosa e 
> João Petra de Barros empunharem a bandeira (às vezes 
> reducionista e imobilizadora) do "samba de raiz", a gente olha 
> pra trás. E aí vê que a influência do jazz, primo do samba, não 
> era má influência e, sim, uma saudável troca de águas e forças 
> vitais entre dois caudalosos rios intercomunicantes. Preto no 
> branco! -- digo eu. "Ebony and ivory", diria o crítico bobinho e 
> colonizado.> 
> >================================================
> >
> >descrição de uma reunião festiva de milhares de negros, que 
> aconteceu no Campo de Santana, em 1808, parece que em honra da 
> corte portuguesa recém-chegada ao Brasil. O texto, de um 
> viajante inglês, está lá no livro de Mary Karasch, A vida dos 
> negros no Rio de Janeiro (Cia. das Letras, 2000) e é o seguinte: 
> >
> >"Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, 
> para o campo de Sant'Anna, o teatro de destino da festança e da 
> algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de 
> Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...] A densa população do 
> campo de Sant'Anna estava subdividida em círculos amplos, 
> formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e 
> mulheres.Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som 
> da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a 
> mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. 
> Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a 
> arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma 
> cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e 
> pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro 
> de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, 
> vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para 
> estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia
> co
> m supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio 
> do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em 
> todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. 
> Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam 
> achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou 
> uma canção, corriam para dentro do círculo e entravam na dança. 
> Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os 
> dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam 
> nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor 
> de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada 
> observador participava do espírito sibilino que animava os 
> dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo 
> selvagem das [sic] clãs negras..." 
> >
> >Não dá a impressão que tudo começou aí?
> >
> >================================================ 
> >
> >----- Original Message ----- 
> >From: "Artur de Bem" 
> >To: 
> >Sent: Thursday, August 31, 2006 3:58 PM
> >Subject: Res: Re: [S-C] Raiz do Samba
> >
> >> Bagunço mais ainda...
> >> 
> >> Lá ele diz que surgiu em 1850 nas emediações da Praça XI, 
> Pedra do Sal, etc, Rio de Janeiro.
> >> Fala que as festas eram nas casas das Tias Bahianas.
> >> E cita o "semba"...
> >> 
> >> Ai ai ai q confusão...
> >> 
> >> 
> >> -----MENSAGEM ORIGINAL-----
> >> De: Jorge Moraes 
> >> Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 15:24:10
> >> Assunto: Res: Re: [S-C] Raiz do Samba
> >> 
> >> 
> >>>Oi, Artur! Oi, Cícero! Vale a pena conhecer o verbete sobre 
> samba no Dicionário Cravo Albin de Música Popular rasileira: 
> http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_C&nome=Samba>>> 
> Abraços, Jorge
> >>> Artur de Bem escreveu: Então eu vo mais fundo, a raiz do 
> samba é o semba, lá da África.
> >>>
> >>>E não dos índios!!!
> >>>
> >>>-----MENSAGEM ORIGINAL-----
> >>>De: "Cicero Soares" 
> >>>Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 11:55:26
> >>>Assunto: Res: Re: Re: [S-C] Novo DVD da Beth Carvalho
> >>>
> >>>>>From: "Caio Pontual" 
> >>>>
> >>>>>O Samba carioca tem mais é que se dar ao valor, e manter 
> suas raízes, sem
> >>> 
> >>>>>timbales.
> >>>>
> >>>>É uma contradição, já que os timbales são justamente as 
> raízes do samba...
> >>>>
> >>>>Cícero
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> >>>E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina, onde nasceu 
> JK, que a princesa Leopoldina, arresolveu se casar..." (Sérgio Porto)
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