Lenha super bem colocada, vai dar fogo! Mas eu creio que essa discussão é
sadia e democrática! Creio que é uma das funções dessa tribuna...

Abraços

Célio Mattos

-----Message d'origine-----
De : [EMAIL PROTECTED]
[mailto:[EMAIL PROTECTED] De la part de Aline M. Mac Cord
Envoyé : samedi 2 septembre 2006 20:12
À : [email protected]
Objet : [S-C] Etnomusicocentrismo rolando solto na Tribuna

 O Marcelo tem bons pontos...

Organizando tanto assunto:

1 - samba x axé
2 - bairrismos x cultura brasileira
3 - Rio x Bahia
4 - Pop x raiz
5 - Cumpadre Washington x Noel x MM
6 - timbales do CW  x lápis batendo no dente do Braguinha
7 - Beth x Ivete... etc

Uhm... Será que estou sentindo o cheiro de um certo *etnomusicocentrismo* na
discussão..?
Tribuneiros, atirai a primeira pedra!
(se alguém desviar o assunto para "outras discussões etnicas", quem atira a
pedra sou eu!)


.....
Em tempo, já que acabei de inventar a palavra (que deve ter algum hífen aí
no meio):

Etnomusicologia:
[De etn(o)- + musicologia.] S. f.
 1.  Estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus aspectos
formais (os sons e as maneiras de combiná-los) ou socioculturais (usos e
comportamentos relativos à música, o papel desta, etc.).

Etnocentrismo:
[De etn(o)- + -centr(o)- + -ismo.] S. m.
 1.  Tendência do pensamento a considerar as categorias, normas e valores da
própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais.


Beijinhos
Aline - colocando lenha na fogueira.





On 9/1/06, Marcelo Neder <[EMAIL PROTECTED] > wrote:
>
> Sabe Caio, essa sua frase "O samba carioca tem mais é que se dar ao valor,
> e manter suas raízes, sem timbales", me soa curiosa. Explico. Sou um
> cavaquinhista carioca que mora em Salvador e vive cercado desses dois
> universos o "samba carioca que a gente toca aqui" e o samba de roda que
> alguns grupos fazem uma adaptação na letra (apelativa) transformando num
> outro gênero: a quebradeira (do verbo quebrar, mexer, rebolar), entre
outros
> pois o universo do choro aqui também é riquíssimo, apesar da agenda do
samba
> e choro não comentar. É engraçado pelo seguinte, aqui em Salvador tem uma
> casa de samba bem gostosa (quem for tribuneiro e morar aqui pode confirmar
-
> quer ver uma coisa: quem conhece o Bêco de Gal aí dê um oi!), chamada Beco
> de Gal. Gal do Bêco, como é conhecida a sambista dona do lugar (que eu
> guardo no meu coração num cantinho muito especial, por sinal minha
madrinha
> no samba e na vida), detesta quebradeira, e é sambista baiana (fluminense
> pra falar a verdade, mas com
> quase 30 anos de Salvador). Eu tive o privilégio de poder tocar lá com
> muita gente boa, e era interessante notar a divisão do público em gostos:
os
> mais novos, quebradeira; e os mais velhos (ou não!) samba - que vc quer
> chamar de carioca...(pra mim samba é samba, seja aqui, aí ou em Marte). Os
> mesmos músicos que tocavam músicas do Ilê, passavam pra Zeca Pagodinho e
> cantavam samba de roda (além de se aventurarem no chorinho e se acabarem
na
> quebradeira). Tocar samba de roda (samba-de-roda mesmo, sem apelação, de
> Santo Amaro, no improviso quase...) com Cumpadre Washington (cantor do é o
> tchan), é uma aula de cultura. Claro, não me cobre harmonias rebuscadas ou
> versos filosóficos, de um gênero que nasceu numa Bahia Semi-rural.Mas é
> bonito. Ás vezes chega a emocionar pela pureza. Sem contar nas baixarias
de
> violão que ficam duelando com o cavaco. Agora, cultura mesmo é um conceito
> muito amplo. Seria muito interessante se todo mundo pudesse ter acesso a
uma
> matéria chamada
> etnomusicologia. Ela fala mais ou menos isso: Tudo o que o ser humano faz
> é cultura. Existe todo um contexto sócio-cultural, uma série de valores
(por
> sinal o problema axiológico - dos valores, em filosofia está aí para ser
> resolvido: quem se aventura a definir os valores corretos para a
> humanidade?), que determinam o que é agradável para cada nicho
populacional
> pertencente a determinada "célula-socio-economica-cultural".
> Mas voltemos ao Bêco de Gal. É engraçado o seguinte: não existe diferença
> alguma na condução técnica (harmonia-rítmo-melodia) que diferencie o samba
> de roda (patrimonio da humanidade), para a quebradeira ("gen defeituoso do
> micróbio do verme do cocô do cavalo do bandido" aqui na tribuna): só muda
a
> letra. E outra viu? Não me esbarro só com Cumpadres Washingtons por lá
não,
> tem muito sambista carioca e paulista que vai até lá tomar uma em paz e
dar
> uma palhinha (ou só curtir. Se manifestem por favor, não deduro ninguém
pra
> esposa!). Outra coisa engraçada é o termo timbales (instrumento de
percussão
> com timbre agudo - ás vezes é bom ás vezes é chato pra cacete, igual
> tamborim).
> No box de 14 CDs de Noel Rosa tem uma gravação em um deles (estou com sono
> e cansado não vou me levantar pra saber qual o número do CD ou qual é a
> música) cuja base é feito - se não me engano por Braguinha - com um lápis
> batendo no dente. PORRA! Um lápis batendo no dente! Pegue um cd aí de
Marisa
> Monte, no caso "Verde, Anil, etc..." (tá aqui do meu lado, por isso vou
> falar dele). Tem na percussão:
>
>   Surdo virado
>   Lata de lixo
>   Fundo de panela
>   pulseira
>   Vagem
> Sem contar nos pratos, facas, caixas de fósforos (que possivelmente me
> dirão que são cariocas) junto com trompas, cellos, bandolim, clarineta,
> violão e um tal de flugel horn (que se não morder e o som for bão nóis
> góizta)...
> Aí eu coloco o dedo na ferida. O CD tem músicas completamente diferentes.
> Qual é o rótulo desse som? Por quê? Se eu jogar num balaio escrito
> "Brazilian Music", colocar pra vender a 1,99 em Paris? Qual é o problema?
> Aguardo Respostas.
>
> Marcelo Neder
> Cavaquinhista OMB/BA 10.180/05
> Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Oi Aline,
> é possível que o grupo sitado não seja realmente um grupo de Axé, eu sitei
>
> um exemplo de o que se faz de ruim na Bahia, e na minha opinião o "gênero"
> axé não fica muito atrás, volto a perguntar o que a Timbalada, Olodum,
> Daniela Mercury (enquanto axé), Ivete (agora tb sertaneja) contribuem para
> a
> melhoria da nossa discografia (enquanto divulgadores de cultura)?.... Eles
> se preocupam apenas em fazer um ritmo gostoso, uma levada diferente e é só
>
> ..... Não acho que a Beth Carvalho vá acresentar nada de positivo ao
> trabalho dela, se o resultado for mais uma batucada com dendê (só pra dar
> um
> tempero da moda ....). Não acho mesmo. O Samba carioca tem mais é que se
> dar
> ao valor, e manter suas raízes, sem timbales.
>
> Caio Pontual.
> __________________________________________________________________
>
>
> Oi Caio!
>
> Eu entendi exatamente ao que você quis se referir.
> Mas ainda assim, continuo a pergunta: você CONHECE o axé?
>
> Diga-se de passagem, que quando o "É o Tchan" surgiu, o axé já existia há
> muitos anos, com o Olodum, o Timbalada, Daniela Mercury... Você pode até
> não
> gostar, mas nem na Bahia isso é considerado no mesmo patamar que essas
> músicas de baixaria a que você se refere.
>
> E como eu disse, a maioria dos baianos considera o "É o Tchan" como uma
> banda de pagode, e não de axé. Pra isso, basta lembrar que o nome original
>
> da banda, antes do sucesso estrondoso da música do "segura o tchan", era
> "Gera Samba". E que a tal banda que cantava "na boquinha da garrafa" se
> chamava "Cia. do Pagode".
>
> Enfim, eu posso garantir a você que em todos os estilos musicais há
> produtos
> de qualidade.
> (Que é muito diferente de gosto pessoal. Eu mesma DETESTO rock'n roll, mas
> não posso deixar de assumir que um ou outro "barulhento" tem o seu
> valor...)
> :-)))
>
> Se eles vão chegar na mídia, são outros 500.
> Se vão chegar a nós sem que busquemos por eles... acho difícil.
>
> Beijinhos
> Aline
>
>
>
> On 8/29/06, Caio Pontual wrote:
> >
> >
> > Cara Aline,
> > eu não me referí a música baiana, mas sim a exurrada de músicas que se
> > convencionou chamar de axé-music. Considero a música baiana (a que tem
> > conteúdo) como das melhores (vide Caymmi, Caetano, Gil, Raul, Elomar,
> > Tomzé
> > e tantos menos votados), esse grupo É o TChan foi sitado como um
> exemplo,
> > pois eles foram um dos pioneiros dessa leva, aí eu também poderia
> incluir
> > os
> > pagodeiros/sertanejos da nova era. Não excluo tb os bregas do Pará que
> > estão
> > divulgando o que há de pior nesse gênero, há quem goste, mas o que me
> > causa
> > maior preocupação é quanto ao conteúdo dessas músicas (se é que podemos
> > chamar isso tudo de música), temos aqui tb uma mina de vulgaridade e
> > baixarias em letras e músicas, que são os ditos forros "modernos".
> > E em tudo isso a minha crítica vem se somar àquelas que dizem da
> ganância
> > das gravadoras e mídia televisiva que só vai aonde se vende fácil, sem
> > levar
> > em conta a contribuição que esse "artistas" podem estar dando ao povão
> > (tão
> > cheios de vida de gado - vide Zé Ramalho).
> >
> > Bjs. Caio Pontual.
> >
> > PS. Gostaria que vc autoriza-se a divulgação dessa conversa para os
> > demais.
> >
> > __________________________________________________________________
> >
> > Poxa, Caio.
> >
> > Sem querer entrar em detalhes, você realmente CONHECE música baiana ou
> > só viu o que chegou a tocar no Domingão do Faustão?
> >
> > Acontece a mesma coisa com o samba. Quem CONHECE sabe o valor.
> > Mas a maioria das pessoas acha que samba se resume a um campo nebuloso
> > entre o próprio "É o Tchan" (que, na Bahia, não é considerado axé) e
> > aqueles pagodes enlatados...
> >
> > Em todos os gêneros há produções interessantes.
> > A questão é que a mídia TENDE a nivelar tudo por baixo...
> > ...e de vez em quando, só de vez em quando mesmo, acerta.
> > :-)
> >
> > Eu estou passando por uma experiência muito interessante, fazendo
> > parte de um grupo onde só existem 2 pessoas do Rio e as outras todas
> > vem das mais diversas cidades do Brasil. Todos interessantíssimos,
> > fazem parte da elite cultural e intelectual do país. Estou aprendendo
> > a apreciar maravilhas regionais que estavam longe do meu universo - e
> > vice-versa.
> >
> > É muito interessante relativizar a visão cultural que existe em outros
> > cantos do país...
> > :-)
> >
> > Beijo!
> > Aline
> >
>
>
> _______________________________________________
> Para CANCELAR sua assinatura:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
> Para ASSINAR esta lista:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
>
>
>
> ---------------------------------
> Yahoo! Acesso Grátis - Internet rápida e grátis. Instale o discador agora!
> _______________________________________________
> Para CANCELAR sua assinatura:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
> Para ASSINAR esta lista:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
> Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
>
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta



-- 
No virus found in this incoming message.
Checked by AVG Free Edition.
Version: 7.1.405 / Virus Database: 268.11.7/436 - Release Date: 01/09/2006


_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a