Ei Valldir

Passei o Natal comentando com o meu pai essas coisas que você falou a respeito 
da reação geral sobre a morte do Braguinha.
Essa coisa de "ah, mas ele tinha quase 100 anos" não justifica, até porque eu 
esperava ansiosamente que ele fizesse 100 anos para que fizéssemos muita festa 
com todas as suas lindas canções!
Aqui na tribuna eu acho que os comentários foram poucos por conta de ser uma 
época em que as pessoas acessam pouco a internet, mas aceito o puxão de orelhas!
Tem coisa melhor no carnaval do que lembrar as suas marchinhas, todas lindas 
como essa que a Carmen nos escreveu?
Teve coisa melhor pra quem foi criança no meu tempo do que ouvir os 
"disquinhos" coloridos com: "Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo, mau"... 
Os 3 porquinhos e outros?
Tem coisa mais bonita do que cantar Carinhoso para o ser amado?
Algum compositor fez músicas mais bacanas sobre o meu amado Rio de Janeiro do 
que ele?
Eu estava fora, passando o Natal com a família. Se aqui estivesse teria ida ao 
funeral. Ontem quando passei pela estátua do Braguinha, vi umas flores a seus 
pés e pensei em fazer o mesmo num momento em que não estivesse com malas! Vou 
te imitar, viu Carmen?
Deixo aqui a minha preferida das que enaltecem o Rio:
Primavera no Rio
O Rio amanheceu cantando!
Toda a cidade amanheceu em flor!
E os namorados vêm pra rua em bando
Porque a Primavera é a estação do amor.
Rio, lindo sonho de fadas!
Noites sempre estreladas
E praias azuis.
Rio, dos meus sonhos dourados
Berço dos namorados
Cidade da luz.
Rio, das manhãs prateadas,
Das morenas queimadas
Ao brilho do sol.
Rio, és cidade-desejo!
Tens a ardência de um beijo
Em cada arrebol!
Um beijo!

Lucia Helena

PS- Valldir, acredite. Hoje vinha pro trabalho e pensei que vc está muito 
sumido. Fiquei feliz em ver sua mensagem! Um forte abraço!




De:[EMAIL PROTECTED]

Para:"tribuna" [email protected]

Cópia:

Data:Tue, 26 Dec 2006 18:42:37 -0300

Assunto:[S-C] Sobre duas mortes

Caros,

Faz muito tempo que não posto nenhuma msg nesta lista. Infelizmente a ultima 
vez foi para lembrar uma morte e esta, desgraçadamente, também. Talvez seja 
porque, como já disse uma vez, cada vez somos menos (bobagem de velho 
ranzinza!).
Acontece que na véspera de natal morreu Braguinha. Gozado que de todas as 
listas que participo ninguém se manifestou, nem nesta gloriosa tribuna que 
tantos glórias já deu para o samba e choro desta terra. Parece que, pelo fato 
de João de Barro estar beirando os 100 as pessoas acharam normal a sua morte ( 
Ah! mas ele já estava velhinho, né!).
Mais gozado ainda, vendo a coisa sob o prisma jornalístico, é que na Folha de 
S.Paulo a notícia de seu falecimento ocupou um quadrinho azul na capa com 8x8, 
brigando com o papai noel submarino e a loira gostosona dormindo no aeroporto 
(esta sim mereceu zona primária e foto em tamanho 5 vezes maior que a de 
Braguinha).
Mais gozado ainda, ainda. Sou avesso a comparações, durmo ouvindo música e tomo 
café escutando canções, mas não posso me furtar a proceder assim nessa merda de 
mundo globalizado que conta os sentimentos por centímetro: ontem, 25, morreu 
James Brow, perda irreparável, sem dúvida, ainda semana passada me lembrava da 
cena bárbara que ele fez no Blues Brothers, e, com toda justiça ganhou cabeça 
de página e uma página inteira no caderno principal da Folha. Mas, que me 
desculpem os cultores do gênero, dentre os quais eu me incluo, mas, Braguinha 
fez a música que foi considerada a canção do século 20, Carinhoso e no entanto 
tem um espaço pífio nos jornais e, nos dias 24 e 25 pouquissima referência em 
nossas TVs, incluindo os canais a cabo.
Triste país onde a mémória se perde dentro de um saco de batatas! O Zeca Louro 
lembrou bem, no seu blog fantástico Loronix, a cena em que milhares de pessoas 
saíram do Maracanã cantando as Touradas de Madrid, depois da goleada do Brasil 
sobre a Espanha. Eu não estava lá, para dizer a verdade não tinha nem um ano 
naquela data, mas outro dia, escrevendo uma crônica sobre outro assunto, citei 
a passagem e me senti numa das ruas que margeiam o Maracanã, andando de 
cavalinho sobre os ombros de meu avô. (Me esqueci o resultado, será que o 
Roberto se lembra?).
E mais gostoso ainda é lembrar que Touradas de Madris foi desclassificada de um 
concurso de marchas carnavalescas do DIP, em 37, porque, diziam, seria um passo 
doble e não marcha (mas a emenda saiu melhor do que o soneto e a segunda 
vencedora foi As Pastorinhas, do mesmo Braguinha de parceria com Noel Rosa).
Por tudo isto acho triste mesmo que pouca gente se lembrou ou passou 
deliberadamente por cima da morte do Braguinha. Enfim, como dizia outro 
circunstante "malhas que o império tece"...
Quem quiser encontrar alguma coisa do Braguinha já, já é só entrar no Loronix 
ou no cápsula da cultura qonde foram postados excelentes amostras. Em todo 
caso, anda Luzia, pega um pandeiro e vem pro carnaval, anda Luzia que esta 
tristeza te faz muito mal.

Abraços e beijos fraternos para tuti quanti, principalmente para o Dr. Eduardo, 
a Carmen, o Roberto Azevedo e o Paulo.

Valdir
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