Impressionante como, independentemente do valor da obra de Cartola, é notar, lendo cada comentário, o alcance que esses discos tiveram. Foi muito maior do seria o normal para um grande disco, mesmo que magistral. Parece que ele mudou vidas. Pelo menos comigo foi assim. Parabéns a todos por este belo debate.

From: Helion Povoa <[EMAIL PROTECTED]>
To: [email protected]
Subject: [S-C] projeção nacional do Cartola
Date: Sun, 25 Feb 2007 16:28:26 +0100 (CET)


  Sérgio e todos,

Nessa história do pioneirismo do Marcus Pereira, lembrei também de uma serie de LPs que ele lançou – e que até onde sei não viraram CD – em 1974, a “História das Escolas de Samba”. São discos das Velhas Guardas, mesmo as que ainda não eram chamadas assim.

No da Mangueira, tem Cartola cantando “Fiz por você o que pude” e outras, tem Carlos Cachaça e padeirinho cantando sambas seus. No do Salgueiro, tem Geraldo babão e Noel Rosa de Oliveira interpretando antigos sambas da escola.

Agora, o da Portela extrapola. Tem o “Hino da Velha Guarda” cantado pelo autor, Chico Santana. "Quitandeiro”, com Alvaiade, ainda como partido-alto, sem a segunda parte que o Monarco faria mais tarde e que gravaria no seu primeiro disco. “Sentimentos”, com Monarco. “Recado”, de Paulinho e Casquinha, cantada pelo Casquinha.

Acho que, depois do LP produzido pelo Paulinho em 1970, o LP da Marcus Pereira pode ser considerado como o segundo disco da Velha Guarda da Portela, antes dos que o Tanaka faria na 2ª metade dos anos 80.

E ainda sobre o Cartola, como você observa, os discos da Marcus Pereira gravados com seu nome devem ter sido um estimulo para que ele não ficasse apenas como “monumento” da Mangueira, mas mostrasse musicas novas e continuasse compondo, buscando parceiros novos inclusive. Representou mais do que projetar composições do Cartola, deu a um veterano do samba o status já reconhecido a outros autores da MPB, ou seja, o de um compositor que faz e grava suas próprias obras. Esse reconhecimento, esse status, talvez tenha sido fundamental para que tenhamos tido tantas composições feitas durante os últimos anos de vida do Cartola.

  Helion


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Na mosca Helion...

E só para ratificar o que escreveu, veja(m) esse depoimento emocionado

do próprio Cartola em "Tempos Idos", de Marília T Barboza e Arthur

Hélio de Oliveira, pag 114, Ed. Funarte:

"Quando a idéia do LP surgiu achei impossível O Marcus Pereira topar.

As

fábricas não queriam nada comigo. Eu já tinha tentado e sempre diziam:

"Cartola não vende". Aí o Marcus Pereira fechou os olhos e disse:

"vamos gravar!"Foi emocionante. Uma coisa de louco. O dia que ele telefonou e

disse depois de amanhã vamos gravar eu pensei: "não é possível" E mesmo

depois da gravação eu não acreditava. Precisei ter o disco na mão.

Precisei ver ele sendo vendido nas lojas, para acreditar. E me senti

muito emocionado quando ouvi minha voz no disco. Eu já tinha até

pensado que ia morrer sem gravar um disco. Tava até perdendo a vontade de

compor, VENDO QUE TANTA GENTE GRAVAVA E NÃO CHEGAVA A MINHA VEZ. QUANDO

O DISCO SAIU VOLTEI A FAZER MÚSICA CORRENDO." (...)




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