Já foi divulgado, inclusive aqui na  Agenda, na Tribuna, o denodo com que o 
pianista Alexandre Dias tem pesquisado a obra do Ernesto Nazareth.

Veja, por exemplo:

http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0309/1165.html
http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0401/0773.html
http://daniellathompson.com/Alexandre.htm
http://daniellathompson.com/Texts/Le_Boeuf/cron.pt.28.htm
http://www.sovacodecobra.com.br/2004/03/ernesto-nazareth-rei-do-choro/
http://www.mail-archive.com/[email protected]/msg52792.html


Pois bem! Hoje, em Brasília, a rara oportunidade  pra serem apreciadas 16 peças 
inéditas do compositor. Matéria da Nahima Maciel, acerca do evento, no Correio 
Braziliense de hoje, está transcrita em seguida.


Caio Tiburcio

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Música
Nazareth inédito

Pianistas apresentam recital com repertório pesquisado na obra pouco conhecida 
do compositor brasileiro do início do século 20

Os números são importantes para o pianista Alexandre Dias. Por isso, ele começa 
listando: “Ernesto Nazareth escreveu 211 composições, sem contar um hino que 
está desaparecido, e tem quase 2 mil gravações. Dengoso é a quarta música mais 
gravada”. A importância dos números tem razão de ser: há nove anos Alexandre 
fuça a obra do compositor carioca com empenho tão grande que já conseguiu 
catalogar 1.940 gravações de Nazareth em todo o mundo e desencavar 66 
partituras que nunca foram gravadas. Essas últimas formam um álbum de 
fotocópias encadernadas. Tão precioso que, vez ou outra, Alexandre precisa 
fazer uma cópia para pianistas da cidade. Foi assim que conheceu Gustavo 
Trancho, o advogado e pianista com quem divide o palco do auditório da LBV, 
hoje.

A dupla preparou um programa de composições inéditas de Ernesto Nazareth. São 
16 peças, das quais 10 nunca foram gravadas. Das seis restantes, apenas duas, 
Capricho e Poloneza, tiveram gravações fiéis à partitura, sem alterações. O 
restante circulou no mercado fonográfico em versões alteradas, com arranjos 
para orquestras. “Ernesto Nazareth compôs apenas para piano”, explica 
Alexandre. Além do ineditismo, o programa tem um segundo detalhe que pode 
ajudar a compreender a sofisticação das peças de Nazareth.

O autor de Brejeiro viveu no Rio de Janeiro do início do século 20. Era 
exigente e não se limitou à música popular. O programa concebido por Alexandre 
e Gustavo prevê polca, valsa e um capricho que levam marca erudita. É uma 
faceta romântica, na qual se reconhece admiração profunda por Chopin e 
habilidade tão sofisticada quanto a que o autor dedicava às composições 
populares. Fantástica nunca foi gravada e leva o subtítulo de Valsa brilhante, 
o que faz dela citação natural da Grande valsa brilhante, de Chopin.

O Capricho escolhido por Gustavo para abrir o recital é outro caso de erudição. 
“Nos choros, ele elaborava muito a mão esquerda. Ela faz o baixo e a melodia. E 
isso é a cara de Nazareth até nas composições eruditas”, explica Gustavo.

“Da faceta erudita de Nazareth, Improviso é a mais gravada. O resto caiu no 
esquecimento”, explica o pianista. “Na época, consagrou-se mais a música 
popular. A aceitação era maior e o Brasil queria algo brasileiro”, completa 
Wandrei Braga, pianista e parceiro de Alexandre na pesquisa. As peças eruditas 
formam a parte mais curiosa do recital. Mas os artistas conceberam um programa 
colorido, com sambas, tangos e o foxtrote Até que enfim….

Sob os olhares atentos da professora Neusa França, Alexandre, Wandrei e Gustavo 
se dedicam às peças de Nazareth. O trio se conheceu na casa da professora e a 
afinidade por certos compositores – Wandrei desenvolve com Chiquinha Gonzada a 
mesma pesquisa de Alexandre com Nazareth – desembocou na colaboração musical. 
Neusa orienta a turma e é fonte de pesquisa. “Não cheguei a conhecer o 
Nazareth, mas ia vê-lo tocar no Cine Odeon”, conta, citando o tradicional 
cinema carioca. Compositora, amante de valsas e choros, a professora assina 
Recordando Nazareth, choro escrito nos anos 1980 com o qual ela faz 
participação especial no recital desta noite.


ERNESTO NAZARETH – MÚSICAS QUE VOCÊ NUNCA OUVIU!
Recital de piano com Alexandre Dias e Gustavo Trancho. Hoje, às 20h, no 
auditório da Pirâmide LBV (915 Sul). Entrada franca.

http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_63.htm
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