Não é positivismo achar que existem critérios estéticos. É evidente que existem. Você sabe a diferença entre música e barulho. Se um macaco pular no piano você não vai achar que aquilo é música, só barulho. Isso é posivismo? Não, você só está aplicando certos critérios estéticos, e não tem a mínima dúvida de que isso é um fato. Já o macaco vai achar que não há diferença alguma entre o barulho que ele faz e a Sonata do Luar de Beethoven. Pra ele não há diferença. Mas há.

JLV

thiago lenine wrote:

A discussão acerca dos critérios de análise de produção, e valoração, em arte é 
complicada. De fato, critérios objetivos e técnicos existem, tais como: 
capacidade de inovações, modulações harmônicas, hibridismo estílístico etc... 
porém (ah Porém!), não resumem nunca a análise, ainda mais se esta pretender 
convencer alguem de alguma coisa. O juizo do belo é complicado. Criamos nossa 
noção estética a partir daquilo que ouvimos, que aprendemos; procuramos ouvir o 
maior numero de estilos e compositores possível a fim de não sermos tachados de 
limitados, bairristas etc. Tentamos educar os ouvidos, para então criar nosso 
gosto - que também costuma variar com o tempo, valorizando novas coisas, 
esquecendo outras.
 Em resumo: se não é possível adotar uma postura positivista em relação a arte 
- e talvez a nada mais. Mas, por outro lado, também nos desagrada esse não 
lugar do juizo estético, que para nós é tão forte e convincente mas para os 
outros é errôneo, limitado etc. Sobre esse tema não há, no fim das contas, 
objetividade, pois não há possibilidade de universalização do juízo. Seria 
então o relativismo? Talvez... o pluralismo soa melhor, mas não é nem mais 
profundo nem mais convincente. O que se pode fazer é procurar aumentar a 
informação musical, tornar conhecido aquilo que achamos ser de qualidade, a fim 
de produzir uma conversa musical, um diálogo entre diferentes estilos, 
compositores e linguagens. Tal diálogo não terá sempre como resultado o 
consenso, pelo contrário, as linguagens provavelmente entrarão em conflito, mas 
é essa experiência da possibilidade do diferente que é interessante na formação 
musical. É daí que formamos e educamos nossos ouvidos. Vivenciando a música
e, não raro, metendo o pau no que agente não gosta. Para os amantes de qualquer 
arte o divertido é fazer isso com argumentos - que, aliás, é o que acontece 
nesta lista, pretendendo-se alguma objetividade apesar de sabê-la impossível.

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