Por favor,
  transcreva os trechos do meu texto onde eu deturpo suas idéias e as ataco 
demolidoramente. Se vc não percebeu, esse tipo de "combate" não faz o meu 
feitio.
      
  

José Luis Vivas <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:   Não existe nada exato ou 
irrefutável nas matemáticas, a prova de Gödel 
mostra que nenhum sistema de dedução de uma certa complexidade, por 
exemplo a aritmética, pode-se demonstrar estar exento de contradições. 
Ninguém pode mostrar irrefutávelmente que 2+2 é diferente de 5, porque 
se a aritmética for contraditória, e é impossível demonstrar que não é, 
qualquer enunciado seria válido. As demonstrações que se vêm nas salas 
de aula e livros de texto estão mais baseadas na intuição do leitor do 
que se pensa.

Você conhece a falácia do homem de palha? Eis aqui uma definição:

A falácia do homem de palha é um dos pecadilhos mais frequentes no 
domínio da interacção comunicativa e consiste, basicamente, em deturpar 
as idéias do oponente (enfraquecendo-as) para, de seguida, passar a 
atacá-las de forma demolidora. É uma técnica de argumentar para o "show" 
e para a confusão, fazendo erradamente crer que os verdadeiros 
argumentos do oponente foram rebatidos.

Ou seja, você está atacando idéias que ninguém aqui nem sugeriu. Ninguén 
está falando de ciencia, de provas "irrefutáveis", "objetivas", 
"infalíveis", etc, esses babados não existem. Estamos falando de 
juízos, juízos estéticos e juízos em geral. Quando você diz que isto 
aqui é "opinião" e aquilo lá é "fato", você está fazendo um juízo, 
predicando uma coisa, uma coisa que por sinal você não pode demonstrar 
"irrefutavelmente", "cientificamente". Isso não quer dizer que você 
esteja necessariamente falando bobagem, que nada do que você diz tem 
sentido porque são apenas "juízos pessoais" que não se podem 
"demonstrar" cientificamente. Assim são também os juízos éticos e 
estéticos, não há diferença. Se você levar a serio esa historia de 
relativismo, relatividade, etc, e ninguém na verdade leva, seria inútil 
discutir sobre qualquer coisa. É uma tese pra você se divertir na 
universidade nas horas vagas.

JLV



Marcelo Neder wrote:

Não vou entrar na questão do preconceito, porque particularmente, não 
tenho mais saco pra falar sobre isso; Porém existe uma diferença muito 
claro entre um critério matemático, exato e irrefutável (que mesmo quem 
não queira, se seguir sua receita o comprova, pois é um fato real, ou 
simplesmente: é verdadeiro) e um critério (como no caso) utilizado para 
avaliar questões "humanas" ou biológicas. Meu pai mesmo cansa de dizer 
que na medicina, nem sempre 2+2 =4, ás vezes são 3... outras 5... Enfim!
Na discussão em questão então, nem se fala. O gosto pessoal fala muito 
mais forte do que avaliações científicas que, por questões naturais, não 
têm como servirem de "referencial-infalível" para parâmetros de um 
critério objetivo, que dizer então de um "subjetivo" em uma ciência 
não-exata. O Brasil é um país muito grande, formada por uma população 
muito complexa; muito além de brancos, negros, índios, ricos, pobres, 
favelados e universitários. Se uma análise musical, do ponto de vista 
técnico - estudo da rítmica brasileira por exemplo, já não consegue ser 
uma ciência exata, que será então de uma análise para definir o que é 
"brega" do que é "boa música". No caso de Belém (e daquela região em que 
se misturam Norte e Nordeste), brega tem um significado bem definido: é 
um estilo musical com suas características próprias, interpretado e 
consumido por uma determinada parcela daquela população sócio-cultural 
(o que não impede, claro, que um Caetano rasgue elogios, enfim!). Mas
brega, assim como várias palavras, pode possuir mais de um significado. 
E sem levar isso em consideração, fica complicado seguir adiante esse 
assunto. Pode significar também cabaré (puteiro), pode significar 
cafona. Para ser mais exato:
BREGA: Substantivo masculino e feminino 
1.Bras. N.E. Pop. V. zona (11). 
Substantivo de dois gêneros 2.Bras. Pop. 
Pessoa brega. Adjetivo de dois gêneros 
3.Bras. Pop. Deselegante, cafona.

Possui um outro verbete também:
[Do gót. brikan, pelo esp. brega.]
Substantivo feminino 1.Taur. 
Toureação.
E é interessante também analisar essa palavra Toureação
TOUREAÇÃO:
[De tourear + -ção.]
Substantivo feminino 1.Bras. S. Ato 
de tourear; lide, toureio. [Var.: toireação.]
que puxa...
TOUREAR
Verbo transitivo direto 1.Correr ou 
lidar (touros) em um circo ou praça. 
2.Perseguir, atacar. 3.Zombar ou escarnecer 
de; chacotear. 4.Provocar, desafiar. 
5.Bras. S. V. namorar (1). Verbo 
intransitivo 6.Correr touros. [Var.: toirear. 
Conjug.: v. frear.]
Quer dizer, de uma maneira ou outra, está tudo meio interligado (quem 
quiser taí uma boa sugestão pra Tese de Doutorado...).
O que eu tenho lido até agora, não são análises criteriosas (que têm 
obrigação de ignorar a opinião daquele que analisa), mas sim defesas 
(ferrenhas! é verdade!) de pontos de vistas (o plural é esse mesmo?) 
PESSOAIS.
A ótica de cada coisa depende ás vezes de quem observa, outras de 
onde está observando. Sendo assim, cada um vai opinar de acordo com sua 
realidade/experiência de vida, de acordo com seu contexto pessoal.
Do mesmo jeito eu posso travar uma discussão infinita com o meu amigo 
japonês de que nesse momento, está de dia (não - dirá ele - está de 
noite!) ou então:
- Você está de cabeça pra baixo!
- Não! é vc quem está!
Entra aí a Relatividade... (quem não tem muito a ver com Tantinho não 
é verdade?)
Mas gostaria de atentar para uma coisa dita pelo José Luis Vivas 
Frontana:
"Nunca vi nem ouvi ninguém do "povão" dizer que não há diferença 
entre o bom e o ruim. Só turma de universidade defende essas coisas."

Na verdade, ou melhor, na minha opinião,
É completamente diferente (deve ser!) uma frase dita pelo povão (ou 
pela elite), de uma dita pela turma da universidade - pelo menos 
enquanto estiverem exercendo um estudo universitário. Na universidade 
têm-se a obrigação de pesquisar, apurar como as coisas são e a partir 
daí utilizar o conhecimento desenvolvido para alguma coisa útil. Não 
cabe aí nesse momento, o universitário dizer se é brega, pagodeiro, 
erudito ou roqueiro. Ele deve ser um pesquisador; Imparcial e 
investigativo; aberto aos fatos e muitas vezes desprezando toda a sua 
opinião pessoal. Tenha certeza que depois que bater o horário de ir 
embora, esse mesmo investigador vai tomar uma gelada com a galera e 
mudar o nível da conversa de pesquisador, para o de "rábula famigerado" 
que não quer saber se está certo ou errado - só quer ter razão (foi mal 
Eduardo não resisti...) e defender a unhas e dentes a sua verdade (que 
nesse momento, não tem muita obrigação de ser verdadeira, pois é uma 
verdade pessoal,
completamente diferente de uma verdade científica)
Aliás, Cristo perguntou:
- E o que é a verdade?
E se Cristo, tribuna, que foi quem; foi não sabia a resposta, eu é 
que não vou tentar provar quem é que está com a razão. rsrsrsrsrs
Falei!
Marcelo Neder

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