Aproveitando o vexame que eu dei e que acabou quebrando o clima da discussão vou fazer algumas ponderações:
Primeiramente, queria demonstrar aqui meu respeito e admiração pelo Ney Gastal. Já o admirava pelo alto nível de seu discurso e agora ainda mais pelo caráter. Segundamente, reconhecer aqui a minha infame insolência em comentar sobre um assunto que não tenho conhecimento. Papai me ensinou a não falar o que não sabe pra não falar merda. Parece que não aprendi. Terceiramente, compartilhar com a tribuna a pequena aula sobre a história da música popular que tive oportunidade de ter acesso. Quartamente, mandar um abraço pra minha amiga Malú, já que falei sobre sua pessoa, e agradecê-la pela milésima vez por me convencer que meu negócio não é eruditismo. Depois de comentar que fiquei boiando a cada aula que ela me dava, me consolava dizendo "Gabriel, teu negócio é faca no prato". Kkkkkkkkk, tinha toda a razão!!!! Aquele abraço, Gabriel Gomes De: Gabriel Gomes Enviada em: quarta-feira, 13 de junho de 2007 18:32 Para: 'Ney Gastal' Assunto: RES: Re: [S-C] Re:Artistas X Mídia X Público Tá vendo? Vivendo e aprendendo. (isso dá samba!!!) Eu tinha ouvido falar uma vez de uma professora de canto amiga minha. Realmente havia entendido tudo errado, achava que eram uma coleção de cantos medievais de uma tal Carmina!!! Kkkkkkkkkkk. Neófitos... Humildemente, peço desculpas pelo meu engano e prometo estudar um pouco mais da próxima vez. Bom, pelo menos minha gafe não tira o sentido do que eu quis expor. Aquele abraço, Gabriel Gomes De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Ney Gastal Enviada em: quarta-feira, 13 de junho de 2007 18:24 Para: Gabriel Gomes Assunto: Re: Re: [S-C] Re:Artistas X Mídia X Público Vou pegar seu exemplo para resumir um pouco do que estávamos discutindo anteriormente. Eu não conheço a obra de Carmina Burana (anotei e vou aprender um pouco mais depois). Comodismo? Talvez, apesar de não ter a pretensão de saber tudo sobre música. Mas vejo pelo lado da oportunidade, ninguém nunca chegou pra mim e disse, "Você conhece a Carmina? Ouve isso aqui." Mas daí a dizer que a música dela é ruim é um absurdo. Dizer que não faz sucesso porque o povo não gosta é outro. Sobre a Carmina: "Carmina Burana" é uma expressão em latim e significa "Canções de (Benedikt)beuern". Durante a secularização de 1803, um volume de cerca de 200 poemas e canções medievais foi encontrado na abadia de Benediktbeuern, na Bavária superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes - os goliardos -, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor em dialetos Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847 sob o título de "Carmina Burana". O compositor Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, encontrou esse códex de poesia medieval e arranjou alguns dos poemas em "canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas". Esta cantata é tem por base por um símbolo da Antigüidade - o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. O apelo em coral à Deusa (pagã) da Fortuna tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera ("Veris leta facies"), seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho ("In taberna"); e com o Amor ("Amor volat undique"). Como disse antes, quando citei a obra estava me referindo menos à cantata de Orff do que aos poemas (na verdade letras de músicas medievais) reunidas no volume descoberto pelo Schmeller. Estas músicas eram cantadas pelos goliardos, monges medievais que não ligavam muito para a Igreja (se é que ligavam algo) e andavam pelas aldeias cantando música e tocando canções que nada tinham de religiosas sem, no entanto, gozarem das benesses (casa, comida, roupa lavada e mulheres) de fazerem parte da estrutura ecesiástica. Suas músicas eram debochadas, românticas, satíricas, amorosas e até de sacanagem (estas, chamadas de chansons grivoises). Seus herdeiros ainda sobrevivem hoje na Espanha como os populares grupos tuneros, que, é claro, não são mais religiosos, pois a Igreja de hoje finge ser mais rigorosa. O conjunto reunido no volume da "Carmina Burana" é o mais antigo registro escrito de música popular existente no mundo. Músicas, enfim, do que guardadas todas as devidas proporções poderiam ser chamados de originárias dos artistas populares de sua época. Os sambistas da Europa na idade média, com o requinte dos chorões. Por isso sua importância. Tive a impressão - posso ter errado - que você considerou Carmina como se fosse uma artista contemporânea atual, e não quiz corrigí-lo em público, por isso esta mensagem particular. Mas, se você quiser passar esta explicação para a lista, retire este parágrafo e pode fazê-lo. Ou não. Você decide. Abraço, Ney _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
