Bom pessoal, como eu tinha dito lá trás estou sem PC até o fim dessa semana e 
só entrei rapidinho aqui na Lan-House pra dar um pitacozinho (senão 
explodo!!!!!!!!!)
   
  Tinha ficado muito feliz, quando vi um monte de mensagem na minha caixa de 
entrada com o título de "Samba da Bahia". Infelizmente, em poucas mensagens o 
assunto se diluiu completamente em conceitos e teorias que por si só são 
furadas (não vejo muita praticidade nisso, mas enfim! Cada um preenche o seu 
tempo como prefere...).
   
  Ontem eu estava voltando da casa de um colega e amigo chamado Carlinhos. Quem 
acompanha o choro em Salvador sabe quem é: Carlinhos, bandolinista do "gente do 
choro" e um dos grandes nomes do bandolim (e do cavaquinho) de Salvador.
  Pois bem, fui na casa de Carlinhos pegar com ele 3 LPs do gerasamba de mil 
novescentos e oitenta e alguma coisa, pra "19 e outra" pra transformar em CD. 
Nesse período ele tocou no Gerasamba, em seguida sendo substituído por Aílton 
Reiner (atual bandolinista do Mandaia). Cheguei na casa de Carlinhos (uma 
confortável casa com 2 andares de frente pra Baía de Todos os Santos) e 
brinquei com ele:
   - Pô Carlinhos, vc tem que me arrumar uma vaga no É o Tchan pra eu comprar 
uma casa dessas pra mim...
   
  Ele me respondeu:
   - A rapaz, uma oportunidade dessas só aparece uma vez na vida! Além dessa 
casa eu ainda comprei um apartamento e o meu carro com aquele trabalho.
   
  Pensei com meus botões:
  (Como a bunda da Carla Perez deu dinheiro...)
   
  Subindo na casa dele, uma infinidade de LPs. Samba de Roda, Jacob do 
Bandolim, Luperce Miranda, Garoto, por aí afora...
   
   - Tá tocando tudo isso Carlinhos?
   - Que nada! Isso aí tá ultrapassado, vc precisa ver o que eu estou compondo
   - (?!)
   - Esse repertório aí, já tirei todo. Estou com o projeto de gravar mil 
choros solando no bandolim
   - (??????!!!!!!!!!!)
   
  Saindo da casa dele, ao passar pelo Rio Vermelho (Bairro boêmio daqui de 
Salvador), me chamou a atenção um burburinho que vinha de um barzinho muito 
pequeno e muito gostoso chamado Casa da Mãe (Lugar em que já dei canjas com J. 
Velloso - o sobrinho de Caetano {que entre outras coisas produziu Riachão, 
Mariene de Castro, etc...),  André Macêdo [irmão de Armandinho], e até me 
esbarrei com o próprio Armandinho dia desses).
  Resolvi descer do ônibus e entrar.
  Na esquina já ouvi uns acordes de cavaquinho (ôpa! tô dentro!).
  Quando eu entrei quem estava se apresentando era o grupo de samba-chula de 
São Brás. Não conhecia o grupo, só de nome e de algumas conversas com Roberto 
Mendes e com Jota.
  Apois.
  No cavaquinho um menino franzininho, com um cavaquinho velho e meio 
desafinado tocando com palheta de pvc mole cortado. No violão um rapaz, também 
meio franzino, com um violão meio velho e meio desafinado.
  Na percussão uns três "coroas", com a mão bem grossa (não sei se de enxada ou 
de pandeiro, acho que de enxada...) e no meio da roda duas senhoras dançando 
Samba-de-Roda.
  O que mais me impressionava era como um grupo que aparentemente tinha tudo 
pra tocar mal (pela qualidade dos instrumentos), passava uma emoção tão gostosa.
  Como eu não conseguia ficar parado, uma das baianas me puxou pro meio da 
roda. E requebra daqui. Requebra dali. Umbigada daqui. Rodada pra cá!
  E o pau comendo na percussão. Pra meu desespero tinha um gringo filmando tudo 
e eu só vi quando saí do meio da roda. (Detalhe: eu estava com os discos de 
carlinhos na mão - do Gerasamba na epoca em que era um grupo de samba de roda 
de verdade). Quando saí da roda não resisti e pedi emprestado o cavaquinho do 
menino.
  Fechei os olhos e fiquei duelando com o violão.
  E é frase pra cá, baixaria de viola pra lá. Resposta do atabaque aqui, 
pandeiro acolá. Aí baixou um santo e não vi mais nada...
   
  Quando terminou fiquei me sentido meio deslocado. Um menino branco no meio de 
um monte negros (de Santo Amaro), a maioria com idade avançada e com muito mais 
vivência musical que eu possa imaginar. Por mais que eles me elogiassem, não 
tinha coragem de falar muita coisa além de sorrir amareladamente. Nunca aprendi 
tanto em minha vida. Quando me levantei o senhor do pandeiro veio apertar a 
minha mão.
  Uma mão dura, rústica, grossa e muito forte. E muito carinhosa também.
  Cobraram minha presença no domingo e, quando eu puder, em Santo Amaro.
   
  é rapaz, ainda tem nego que perde tempo discutindo se Chico é sambista...
   
   
   
  Abs
   
   
   
  Marcelo Neder
   
   
   
   

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