Nunca vi um estudo sério sobre o sentido inverso, a influência da música
brasileira sobre a de outros países. Que ela existe é inegável, com a batida
bossa nova, o estilo de Jobim nas orquestrações, os violonistas que fizeram
carreira lá fora. Alguém conhece algum trabalho nesse sentido?
Abraços.
Mário


-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED]
[mailto:[EMAIL PROTECTED] nome de Sonia Palhares
Marinho
Enviada em: sexta-feira, 3 de agosto de 2007 02:05
Para: [EMAIL PROTECTED]; [email protected]
Assunto: [S-C] RE: Influência relativa


Ney:

>*Sônia:*
>*Como tu mesma escreveste, Tinhorão discordaria. *
>*Lúcio Rangel tinha dúvidas. *
>*Norton Correa contesta. *
>*Mas a questão de fundo, me parece, é que existem coisas boas em todos os
>gêneros - em alguns mais que em outros - e não vejo muito sentido em
>contestar qualquer mistura, qualquer influência, por excesso de purismo,
>por
>"tinhorice".*

Não sou contra misturas, Chico Science, mais recentemente, é o melhor
exemplo, tem a Bossa Nova e a Tropicália prá confirmar.

>*De resto, importante é avaliar a qualidade do resultado.*
>*Não gosto de rap, hip hop nem de funk, mas me divirto com Gabriel, o
>pensador, de quem gosto muito de algumnas coisas.*

O Gabriel é outro que faz misturas, misturou Lulu Santos com rap, misturou
Legião Urbana com rap. Se o resultado ficou bom, não sei dizer, não é o som
que me mobiliza.


>*E o soul já tem uma situação é mais parecida com a do pagode, quer dizer,
>tem pagodes e pagodes, têm soul e souls.*
>*O que a indústria popularizou não é o que se escuta no interior dos
>estados
>do sul do Estados Unidos.*

Desses gêneros americanos que citei o soul é o  único que ainda consigo
escutar, minha adolescência passou por James Brown, Marvin Gaye, entre
outros. Se é prá "consumir" música americana que tenha pelo menos alguma
qualidade, prefiro jazz e blues. E que seja música, completa, com todos os
elementos, poesia, melodia e harmonia.

>*Então fica muito difícil julgar - ou, pior - rotular, criticar, reprimir,
>apenas pelo rótulo.*
>*Música ruim é uma bosta, mas, convenhamos, também existe muito samba
>ruim.*
>*Ser "samba" não é, per si, garantia de qualidade.*

E como tem samba ruim! Tem samba ruim no Rio, em Sampa, na Bahia...


>*Complicado, não? Mas justamente por isso não podemos ceder à tentação da
>intolerância.*

Concordo, não sou intolerante, mas não aceito de forma alguma que o funk se
transforme na música da identidade dos morros e da periferia do Rio de
Janeiro, porque isso não é verdade, é fato apenas para uma juventude
absolutamente acrítica e desinformada. Por onde você andar no Rio de Janeiro
tem samba e tem samba de todo jeito, bom e ruim.

(...)

Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)

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