Sônia, muito obrigado por compartilhar aqui na tribuna com esses artigos 
culturais da Carta Maior. Além de serem de um refinado bom gosto, só elevam o 
nível das informações que circulam aqui pela tribuna. Além do mais, dá uma 
oxigenada boa na mente de quem trabalha com isso.

   
  Abs
   
   
  Marcelo Neder
   
   
   
  
Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  Extraído do Boletim Agência CARTA MAIOR, de 02.08.2007


http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14562


ECONOMIA DA CULTURA

O futuro do CD na era de novas midias

Avanço da tecnologia digital, com diversificação e compactação das midias, 
põe em xeque indústria fonográfica e abre múltiplas possibilidades para o 
mercado musical.

Carlos Minuano*

O avanço da tecnologia digital tem colocado de cabelos em pé a indústria 
fonográfica e ao mesmo tempo torna cada vez mais incerto o destino dos CDs, 
tão novos e já tão obsoletos. Outra incógnita é quanto ao formato do mercado 
musical. O futuro abre suas janelas repletas de possibilidades. Mas as 
empresas tradicionais parecem ainda ignorar o fato, insistindo em agarrar o 
velho passado nos dentes.

O CD oferece pouco espaço de armazenamento, e ocupa bastante espaço físico, 
tornou-se uma mídia ineficiente comparado ao que existe hoje. Segundo o 
advogado Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da 
Escola de Direito da FGV-RJ, e representante do Creative Commons Brasil, as 
novas tecnologias estão pondo fim à intermediação em vários setores e, 
obviamente, isso atinge a música. Uma amostra contundente de que a era dos 
discos está próxima de seu derradeiro fim veio com a falência, em 2006, da 
Tower Records, maior rede americana de lojas de CDs.

A cadeia de discos foi leiloada e arrematada por US$ 134 milhões, pela 
empresa Great American Group, que logo em seguida anunciou o fim da rede. 
Segundo informou na época o site americano de música Pollstar, 3 mil 
funcionários das 89 lojas espalhadas em 20 estados americanos foram 
demitidos. “Há uma grande transformação no mercado da música. O que falta é 
inovação, experimentação, é preciso descobrir novos modelos de negócios”, 
observa Lemos.

Novos modelos
Uma pesquisa divulgada recentemente, realizada pelo Datafolha para a agência 
de publicidade F/Nazca & Saatchi, sobre músicos brasileiros mais ouvidos 
atualmente, apresenta resultados curiosos que reforçam a certeza de que 
mudanças estão em curso. 2.166 pessoas foram entrevistadas sobre suas 
preferências musicais. Na liderança do ranking, um empate técnico chama 
atenção: a banda paraense de tecnobrega Calypso, às margens da grande 
indústria, ao lado de Zezé de Camargo e Luciano.

“Existe mercado para quem adotou a inovação como modelo de negócio”, 
salienta Lemos. Para ressaltar sua afirmação, ele cita o caso do músico 
americano Prince. “Desde o começo dos anos 90, ele tem experimentado formas 
diferentes de viabilizar seu trabalho”. A mais recente foi a distribuição 
gratuita de seu novo álbum, Planet Earth [Columbia] em um jornal britânico. 
Não se sabe quanto ganhou, mas sua temporada de shows em Londres já está com 
ingressos esgotados. “Para que o artista seja viável no cenário atual 
precisa chegar até seu público, ser popular”. Prince percebeu isso.

O cerco à velha indústria musical está cada vez mais apertado, e não é de 
hoje que isso ocorre. Um projeto de lei, desde 2003, reivindica a 
criminalização da prática do jabá. Dispensável dizer, mas, se alguém não 
souber, trata-se de pagamento para execução de músicas em rádio e TV. Uma 
prática corrupta enraizada na grande mídia que sufoca a criação, e que corre 
na contramão das transformações sinalizadas pelos avanços tecnológicos. O PL 
de autoria do deputado Fernando Ferro [PT-PE] acabou por inspirar um grupo 
de artistas que aderiu à causa criando o Movimento pelo Fim do Jabá, o 
Jabásta, que, entre outras atribuições, faz coro pela aprovação do projeto.

Para a cantora carioca Bia Grabois, uma das fundadoras do Jabásta, o lucro 
das empresas do setor musical precisa ser compatibilizado com o interesse do 
público. Questionada se uma lei poderia acabar com o jabá, em face das 
carências brasileiras - tão conhecidas, no combate à corrupção, ela 
reconhece que não. “Seria ingênuo acreditar que uma disposição legal seria 
suficiente para eliminar um problema que existe há décadas, mas é um marco 
importante que expressa o repúdio da sociedade a este crime”. Grabois 
defende que o mais importante é conseguir levar esse debate ao conhecimento 
do público. O projeto aguarda votação no Congresso.

Vaias e aplausos
Pressão semelhante às gravadoras veio por outro projeto de lei, neste caso, 
fruto da histórica demanda pela numeração de CDs. Em vigor desde abril de 
2003, ela tem o propósito de quantificar o produto que vigora nos contratos, 
para evitar possíveis adulterações. Uma batalha de décadas, que teve como um 
de seus principais protagonistas o músico e compositor Lobão, que 
recentemente optou por abandonar a cena independente e, sob vaias e 
aplausos, retornar ao mainstream.

Ele conta que em 1989 houve uma última articulação coletiva envolvendo nomes 
de peso como Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Renato Russo, entre 
outros, e que resultou em uma ação, no ano seguinte, junto com a então 
deputada Tânia Soares [PCdoB–SE], que mais tarde seria a autora do projeto 
de lei. “Houve um súbito recuo por parte da grande maioria dos artistas 
contratados, criando uma atmosfera de discordância, intimidações, ameaças, 
articulações nos setores do governo. Teve até uma negociação com o gabinete 
da Casa Civil onde o andamento do projeto ficou condicionado a minha 
ausência. James Bond perdia nessa”, declarou Lobão.

O bloco que articulou a campanha em torno da idéia teve a participação da 
vereadora Soninha Francine [PT-SP]. Ela promoveu debates em seus programas 
na TV, escreveu sobre o assunto, comentou em entrevistas. Em suas próprias 
palavras procurou ajudar a formar um “caldo” a favor. “Foi uma tentativa de 
acabar com a clandestinidade ‘oficial’, isto é, a falta de controle por 
parte dos artistas da venda de CDs efetivamente lançados pelas gravadoras”.

Por outro lado, ela também chama a atenção para o novo cenário que se forma, 
no qual, cada vez mais, surgem outras maneiras de vender ou distribuir 
música. “É preciso saber como explorar esses novos meios, celular, internet, 
rádios e TVs digitais, comunidades virtuais, quer se esteja ligado a uma 
gravadora, quer não. E há muita gente que não está preocupada com a venda de 
música, seja no suporte que for, acreditando que essa é uma maneira de 
divulgar o trabalho para poder ganhar dinheiro de outro jeito – com shows, 
por exemplo”, conclui a vereadora.

(*) 100canais

_________________________________________________________________
Verificador de Segurança do Windows Live OneCare: verifique já a segurança 
do seu PC! http://onecare.live.com/site/pt-br/default.htm

_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta


       Alertas do Yahoo! Mail em seu celular. Saiba mais.
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a