"Quem é você que não sabe o que diz?
Meu deus do céu, que palpite infeliz..."
Até agora não entendi o que o Marcelo D2 tem a ver com a história. Quer
dizer que pra se produzir algo novo e sólido é preciso reinventar o
samba? Aliás, o samba no trabalho do D2 é um mero tempero, porque
citá-lo ao lado do pessoal que toca na Lapa? Eu não me lembro de nenhuma
roda de samba do D2 lá na Lapa...
Sem contar no preconceito com o samba.
"O fenômeno cresceu de tal forma que chegou ao mercado de discos."
Como se o samba nunca estivesse no mercado fonográfico. Ou então talvez
não seja digno de estar lá. Bom, melhor parar por aqui...
Aquele abraço,
Gabriel Gomes
Sonia Palhares Marinho escreveu:
Oi, turma:
A bíblia da classe média reacionária - Revista VEJA - traz matéria
sobre o samba em sua última edição. A matéria tem ainda uma
continuidade sob o título "Quadro: A evolução do samba", mas como não
sou assinante - e jamais serei - nao consegui ter acesso ao restante.
Quem tiver como acessar, favor postar o restante do texto aqui.
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
http://veja.abril.com.br/220807/p_122.shtml
Música
O SAMBA VOLTOU. NADA DE NOVO NO SAMBA
O gênero cativa os jovens e as gravadoras, e volta a ser dominante na
música brasileira. Mas os artistas pecam pelo tradicionalismo
Sérgio Martins
Perto de completar 100 anos, o samba ressurge como um gênero dominante
na música brasileira. O movimento começou há cerca de uma década,
quando o bairro da Lapa, reduto tradicional da boemia carioca, passou
a atrair, com seus bares de música ao vivo, um público jovem de classe
média. "Era o que nós chamávamos de turma do chinelinho, uma rapaziada
barbuda e com pouco dinheiro no bolso que ia nos ver para curtir
sambas antigos", diz o cantor Pedro Miranda, que se apresenta num dos
espaços pioneiros. Dali, a cena se estendeu para São Paulo, Belo
Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nas casas especializadas dessas
cidades, desenvolveu-se um habitat semelhante ao da Lapa: garotos de
classe média com visual de roqueiro – e ginga de sambista. O fenômeno
cresceu de tal forma que chegou ao mercado de discos. Os cariocas
Teresa Cristina e Diogo Nogueira e o grupo paulistano Quinteto em
Branco e Preto são crias do circuito do samba que acabam de assinar
contrato com grandes gravadoras. Em paralelo, cantoras em ascensão
como Mariana Aydar ou Roberta Sá, que não são propriamente sambistas,
incluem sambas em seu repertório – por gosto, mas também por terem
consciência do seu poder de atração. Nisso elas se espelham em Marisa
Monte, que há um bom tempo defende a causa, a ponto de haver lançado,
por seu próprio selo, coletâneas da velha-guarda da Portela.
O samba nasceu em 1917, quando Donga e Mauro de Almeida compuseram
Pelo Telefone. Do ponto de vista formal, era uma canção estranha,
próxima do maxixe, que chegou a ser descrita até como tango. Mas,
gravada em disco, registrada na Biblioteca Nacional e transformada em
sucesso numa bem urdida campanha de divulgação, Pelo Telefone se
tornou o marco zero de um novo gênero, que logo ocupou um espaço
cultural único. Lá estava um tipo de música em que o Brasil marginal e
o Brasil oficial, o do morro e o da gravadora, o dos malandros e o da
classe média, se amalgamavam de maneira inédita. Nas duas décadas
seguintes, o samba foi virando emblema da identidade nacional – até
ganhar chancela do governo na era Vargas. Essa história talvez ajude a
entender o apelo do samba hoje em dia. Ele tem a aura da
"autenticidade" – uma palavra essencial no vocabulário da turma do
chinelinho. Além disso, remete a uma marginalidade cordial e
idealizada – em vez de falar de violência real, como o rap, por exemplo.
O samba passou por diversas transformações musicais ao longo das
décadas (veja o quadro). Um desvio recente, nos anos 90, desembocou na
atrocidade do "pagode mauricinho", que se inspirava na pior música
negra americana. A atual onda do samba é o contrário disso. Seus
artistas zelam pela tradição e se inspiram em Noel Rosa, Cartola,
Nelson Cavaquinho ou Paulinho da Viola (que lança em outubro um
Acústico MTV). Sempre que possível, eles buscam o apadrinhamento de
veteranos. Leci Brandão, por exemplo, despontou na década de 70, mas
depois se eclipsou. Amargou um longo período de ostracismo, lançando
seus discos por selos de menor expressão e fazendo apresentações na
periferia das principais capitais do Brasil. No ano passado, foi
surpreendida pelo telefonema da cantora Mariana Aydar, que pediu que
Leci lhe cedesse a canção Zé do Caroço e a convidou para cantar em seu
disco de estréia, Kavita 1. O lado anedótico desse apadrinhamento fica
por conta da cantora Beth Carvalho. Uma das sambistas de maior sucesso
comercial da história, Beth se especializou em "abraçar" novos
talentos. Seu afã é tão grande que alguns se sentem incomodados com as
investidas da madrinha. Há quem evite esbarrar com Beth – para não ser
transformado compulsoriamente em pupilo.
O perigo bastante real que ronda os jovens artistas do samba é eles se
tornarem meros repetidores de canções de cinqüenta anos atrás. Alguns
se dão conta dessa ameaça. "Muita gente está pecando pela reverência
exagerada e pela preocupação com o que o pessoal da velha-guarda vai
achar do seu trabalho", diz o cantor e compositor Edu Krieger, de 33
anos. O cantor Marcos Sacramento também teme a repetição. "No samba,
temos de ser hereges", diz ele, que se esforça para dar roupagem
diferente a canções de Baden Powell, Cartola ou Chico Buarque. Por uma
via lateral, Marcelo D2 se aventura na mistura de samba e hip hop, mas
ainda não produziu algo sólido. O samba voltou. Mas não há nada de
novo no samba.
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