Juliano:
Quando você encontrar uma outra forma de mudar a sociedade que exclua a
disputa de poder, você me avise, por favor. Além de Direito, estudei Ciência
Política na universidade e aprendi assim, ninguém me disse ou me provou até
agora que existe forma diferente. Aulinhas de dança, de percussão, trabalhos
manuais, aulas de reciclagem, trabalhos de Ong's e discurso político
descolado de prática política não leva a lugar nenhum. Se você souber de
alguma outra forma de organização política que substitua os partidos - sejam
eles quais forem -, então você me ensine. Sem disputar PODER, camarada, não
tem jeito. Trabalhar com a comunidade é bom, é legítimo, mas não muda a
realidade social daquelas pessoas do ponto de vista COLETIVO e sim a partir
de uma perspectiva individual. Isso não me interessa. Quero mudar a
sociedade e não a vida de um ou outro pobre.
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
From: "Juliano Machado" <[EMAIL PROTECTED]>
To: [email protected]
Subject: En: [S-C] Re: Nei Lopes na Revista do SESC - SP
Date: 3 Sep 2007 20:39:2 -0300
Pois olha, José, aqui concordamos de novo. A visão da Sônia é a velha
visão petista: não sendo dentro do partido, não se pode fazer qualquer
tipo de ação social. Ou é partidarizado e apóia o partido até quando ele
está enlameado até o pescoço, ou se é apenas demagogo, colonizado ou
algo desse tipo. Isso é uma baita bobagem. Existe gente do Hip Hop
fazendo trabalhos muito, infinitamente, mais relevantes que sambistas
que cantam o morro mas nunca aparecem na favela. Assim como existem,
sim, os rappers criados dentro de majors do disco que apenas possuem
grife de preocupados com a sociedade, mas na verdade não o são. Pra se
fazer algo relevante socialmente não é preciso ser partidarizado, ok,
Sônia? Não é porque alguém está "cagando e andando" para partidos
políticos que esse alguém não pode fazer algo legítimo socialmente. Não
sei se você é do PT, mas posso imaginar que sim. O fato é que existe
espaço para todas as formas legítimas de ajuda à sociedade, que é
caótica e não será pela exclusão sumária que será melhorada. Não gosto,
esteticamente, de Hip Hop, mas respeito alguns grupos por fazerem
trabalhos muito mais de base, mais próximos das comunidades. Chico
Buarque cantar temas sociais é ótimo apenas para nós, que temos acesso à
universidade, e como tal, é extremanete legítimo e válido, porque
colabora também para a conscientização. Agora, trabalhar diretamente com
as comunidades é fazer algo efetivo mesmo.
Abraços!
Juliano
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