O Jornal Do Comércio, do Recife, na edição do dia 02 de Setembro de 2007,
segunda-feira passada, trouxe duas excelentes matérias assinadas pelo
competente Marcos Toledo: Bandolim pernambucano revisitado e Luperce e
Rossini para as novas gerações.
Os textos falam: do recente lançamento do CD "Bandolim Brasileiro - AQuattro
toca Luperce Miranda"; do grupo AQuatro; da Escola de Choro Raphael Rabello e
do Coordenador da Escola, o sete cordas Fernando César; da relação musical
entre Recife e Brasília; dos excelentes músicos do Recife, de Pernambuco; de
Jacob; de Rossini; de Luperce; do projeto Bandolim Brasileiro ...
O grupo AQuatro é um dos 16 selecionados pela Funarte para o Projeto
Pixinguinha 2007. Em Brasília, toda a quinta, a partir das 18 h e 30 minutos, o
AQuatro esquenta os motores em uma roda de choro no Bar do Calaf, Setor
Bancário Sul.
As matérias estão transcritas em seguida.
Caio Tibúrcio
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Jornal do Comércio
Recife, 02 de Setembro de 2007 - Segunda-feira
Marcos Toledo ([EMAIL PROTECTED] )
DISCO
Bandolim pernambucano revisitado
Publicado em 02.09.2007
Músicos de Brasília lançam série de CDs Bandolim brasileiro cujo volume 1
aborda a obra de Luperce Miranda. Rossini Ferreira é o próximo.
Marcos Toledo
No último dia 25, quando a Prefeitura do Recife promoveu uma amostra do
Carnaval em Brasília, o maestro Ademir Araújo e sua Orquestra Popular do Recife
foram à Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello para dar uma aula de frevo.
Sobre esse ritmo, alunos e professores demonstraram bastante curiosidade.
Porém, descobrimos que eles são muito mais íntimos de outra música que tem
tradição histórica em Pernambuco: o choro. A começar pelo coordenador da
escola, o violonista Fernando César, que, com seu grupo A Quattro, gravou o
primeiro volume da série Bandolim brasileiro, cujo homenageado é o recifense
Luperce Miranda (1904-1977). Ele revelou que, por coincidência, o volume dois
prestará tributo a outro pernambucano: Rossini Ferreira (1919-2001).
Historicamente, os dois principais pólos do choro no País, desde a primeira
metade do século passado, são Rio de Janeiro e Recife. Brasília, fundada em
1960, veio a se tornar mais um centro importante depois que Paulinho da Viola
fundou na capital federal uma das unidades do Clube do Choro, como ocorreu
também em Pernambuco. A diferença é que lá o projeto teve continuidade e se
tornou uma referência em termos de organização e de valorização do ritmo.
A Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello é o exemplo maior dessa dedicação.
Fundada em 29 de abril 1998 e batizada com o nome de um dos gênios do violão
brasileiro, a instituição que funciona na sede do Clube do Choro é
totalmente dedicada ao ensino do gênero. Este semestre, reiniciou as aulas com
um efetivo de 400 alunos. Alguns usam a música como terapia, outros, com
intento profissional.
Aqui é focado em choro, o que não vai deixar de tocar outras coisas, explica
o coordenador da escola, o violonista e professor Fernando César, irmão do
bandolinista Hamilton de Holanda. Além das aulas, todos os sábados ocorrem
inúmeras rodas de choro ao ar livre no gramado do Clube do Choro, das 9h às
12h, a exemplo do que houve no dia 25 passado, quando alunos e professores
receberam Ademir Araújo e sua orquestra.
Aquela foi a primeira invasão em massa de artistas pernambucanos no Clube.
Mas já teve aqui uma semana de palestra para os professores com Marco César
(bandolinista pernambucano). Foi muito importante para o fortalecimento da
escola, disse Fernando. Marco César sempre foi a ponte (de Brasília com
Pernambuco). O violonista citou ainda vários nomes de artistas que admira no
Estado, como o violonista Henrique Annes, os bandolinistas Rossini Ferreira e
Adalberto Cavalcanti, a cantora Dalva Torres, o compositor Inaldo Moreira e o
Conjunto Pernambucano de Choro.
Esse conhecimento do trabalho de compositores e intérpretes de cá aliado à
devoção que a turma de Brasília tem pelo choro lhe torna mais do que
credenciada a desenvolver projetos que envolvam os autores pernambucanos. Foi
assim que aconteceu com o A Quattro, primeiro conjunto a gravar para a série de
CDs Bandolim brasileiro que, em seu primeiro volume, traz uma seleção de dez
temas compostos por Luperce Miranda.
Fernando conta que, em 2004, ele, o bandolinista Dudu Maia, o cavaquinista
Pedro Vasconcellos e o pandeirista Sandro Araújo foram convidados para tocar no
lançamento do livro Luperce Miranda, o Paganini do bandolim, de Marília
Trindade Barbosa. O produtor e bandolinista Marcelo Lima assistiu ao recital e
sugeriu a realização de um disco. Para a gravação, Sandro deu lugar ao também
percussionista Valerinho. Aprovado pelo Fundo da Arte e da Cultura do Distrito
Federal, Bandolim Brasileiro vol. 1: AQuattro toca Luperce Miranda foi lançado
este ano.
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DISCO II
Luperce e Rossini para as novas gerações
Publicado em 02.09.2007
No Brasil, o bandolim é sinônimo do carioca Jacob Bittencourt, que adotou o
instrumento como sobrenome. Seria mais do que natural que uma série intitulada
Bandolim brasileiro começasse com a obra do célebre compositor. Mas não foi o
que ocorreu com a turma do choro de Brasília, que optou pelo trabalho do
compositor pernambucano Luperce Miranda.
O objetivo principal é mostrar os compositores desconhecidos, justifica o
violonista Fernando César, do grupo A Quattro, que interpreta as músicas do
volume 1. A lista de autores em vista inclui o também pernambucano Rossini
Ferreira e outros bandolinistas como Cincinato Simões, Joventino Maciel e Joel
Nascimento.
Tem muita coisa e pode aparecer mais gente. O de Rossini já está aprovado.
Marco César já mandou inúmeras partituras. Ele vai escrever o texto do
encarte. O volume 2 será interpretado por outro grupo comandado pelo
bandolinista Marcelo Lima.
PAGANINI
Luperce Miranda tinha apenas 3 anos de idade quando o frevo foi inventado.
Cinco anos depois, já se aventurava no bandolim. Aos 15, um ano antes de montar
a Jazz Leão do Norte, fez sua primeira composição, um frevo. Mas foi o choro o
ritmo mais marcante em seu repertório e que o tornou conhecido no Rio de
Janeiro, onde viveu de 1928 a 1946 e a partir de 1955. Para Fernando César, o
fato de Luperce voltar para o Recife impediu que ele se tornasse tão difundido
quanto Jacob, de quem era rival.
O jeito de tocar que lhe rendeu o apelido de O Paganini do Bandolim não é por
acaso. É muito complicado, altamente técnico. Pouca gente toca Luperce
Miranda. A intenção era trazer isso para essa efervescência em Brasília, conta
Fernando. Os alunos não tem fontes de pesquisa. Ouvem mais coisas recentes. É
intenção do projeto mostrar outros choros, compositores.
Gravado ao vivo em estúdio, Bandolim brasileiro vol. 1 mostra com execução
precisa a versatilidade da obra de Luperce. No CD, há choros, maxixe, frevos,
baião e valsa. As pessoas gostaram muito do resultado. Ficaram até surpresas
por Luperce ser desconhecido. Ele tem fama de difícil, virtuose, que ninguém
toca. De repente, é até preguiça de perder um tempo com Luperce. É difícil, mas
não impossível, atesta o violonista, que espera até fevereiro levar o show do
álbum para outros Estados na caravana do Projeto Pixingunha. Até lá, quem tiver
curiosidade pode comprar o disco pelo site www.dudumaia.com. (M.T.)
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