>
>
>
> Mas bah, tchê, como negar que São Paulo é mesmo a locomotiva do Brasil?
> Daquelas Marias Fumaça que sobem morro empesteando tudo.
> E o Rio é o carrinho de carvão que vai atrás, sujo e servindo para dar
> combustível à locomotiva.
> O resto do Brasil são os vagões, carregando pessoas, gente e idéias.
> Locomotiva e carrinho de carvão pensam que são mais importantes porque
> puxam o resto, sem perguntar se todos querem ir por ali.
> Locomotiva e carrinho só andam nos trilhos.
> Passageiros dos vagões podem descer e andar a pé, de ônibus, carroça,
> carreta ou carro por onde quiserem.
> Podem escolher seus próprios destinos.
> Ou, claro, seguirem a locomotiva, obedientemente.
> Locomotiva e carrinho são a mesmice prepotente.
> No resto reside a esperança de renovação, de criatividade.
> Cada um que escolha, se prefere correr em trilhos ou ter a liberdade de
> tomar caminhos novos, aternativos, diferentes.
> Se prefere ser puxado ou andar com as próprias pernas.
> Escolher seu caminho ou seguir "locomotivas".
> Aliás, aí vai um poeminha que tem a ver:
> Ney
>
> *Cântico Negro
>
> "Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
> Estendendo-me os braços, e seguros
> De que seria bom se eu os ouvisse
> Quando me dizem: "vem por aqui"!
> Eu olho-os com olhos lassos,
> (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
> E cruzo os braços,
> E nunca vou por ali...
>
> A minha glória é esta:
> Criar desumanidade!
> Não acompanhar ninguém.
> Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
> Com que rasguei o ventre a minha mãe.
>
> Não, não vou por aí! Só vou por onde
> Me levam meus próprios passos...
>
> Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
> Por que me repetis: "vem por aqui"?
> Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
> Redemoinhar aos ventos,
> Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
> A ir por aí...
>
> Se vim ao mundo, foi
> Só para desflorar florestas virgens,
> E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
> O mais que faço não vale nada.
>
> Como, pois, sereis vós
> Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
> Para eu derrubar os meus obstáculos?...
> Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
> E vós amais o que é fácil!
> Eu amo o Longe e a Miragem,
> Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
>
> Ide! tendes estradas,
> Tendes jardins, tendes canteiros,
> Tendes pátrias, tendes tectos,
> E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
> Eu tenho a minha Loucura!
>
> Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
> E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
>
> Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
> Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
> Mas eu, que nunca principio nem acabo,
> Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
>
> Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
> Ninguém me peça definições!
> Ninguém me diga: "vem por aqui"!
> A minha vida é um vendaval que se soltou.
> É uma onda que se alevantou.
> É um átomo a mais que se animou...
> Não sei por onde vou,
> Não sei para onde vou,
> --- Sei que não vou por aí.
>
>                       José Régio*
>

==================================================


 Só para constar, esta história de São Paulo locomotiva do Brasil é de um
> bairrismo incrível, espero que não voltemos de novo a discutir isto, porque
> há um tempo atrás houve um Rio x São Paulo aqui de dar dó...
> Só falta alguém vim defender a revolução de 32 e querer dar uns tiros para
> tornar São Paulo independente... menos, menos...
> Se começarmos a ver como funciona este país, vamos descobrir que o sudeste
> só tem a grandeza que tem porque o nordeste é miserável do jeito que é...
> Até sugiro, que os nordestinos façam no sudeste o que os mexicanos fizeram
> em nova iorque...
> Um dia sem nordestinos, uma grande greve geral de migrantes... Rio, São
> Paulo, Minas, vai tudo parar, à mingua...
> Portanto, discutamos samba sem apelar para estes clichêzinhos velhíssimos
> e sem entrar na velha guerrilha Rio x São Paulo de saldo tão ruim nesta
> tribuna.
>
>  Em 12/08/07, Eduardo S. Martins <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Roberto, eu concordo com você, essa coisa de separatismo não nos levará a
> nada. Por exemplo, o separatismo gaúcho pode causar uma guerra civil mais
> sangrenta que churrasco, mais amarga que chimarrão e mais chata que os
> Engenherios do Hawaii :-) :-) :-)
> abs.
> Eduardo Martins
>
>
>
>
>
>
>
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a